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Sarah Lorentzen
por Adriana Mori
fevereiro/2008

Sarah e Simic em Basel, na Suíça

Sarah Lorentzen: “Vou praticar Agility até que me expulsem da pista!”

Uma coisa é certeza: isso não vai acontecer tão cedo, já que Sarah já provou que é uma das melhores condutoras do mundo e que Simic é extraordinária. Juntas, elas ganharam tudo: o campeonato dinamarquês (2006), a Copa Nórdica (2005 e 2006) e por duas vezes, o Campeonato Mundial de Agility (individual em 2006 e time em 2007). Proprietária de um clube de Agility (KS-agility – link: http://www.ks-agility.dk/loadpage2.php?URL=index.php), ela vive o Agility sete dias por semana e, apesar de suas conquistas, o sucesso em pista não alterou muito a vida dessa dinamarquesa de 31 anos: “Nada mudou desde o Campeonato Mundial. Saí por muitas vezes mais para ensinar Agility e é isso. Ainda sou a Sarah e Simic continua sendo apenas um cão”, diz.

É verdade que sua filha nasceu poucos meses depois da Copa Nórdica? Como você administrou os treinamentos, competições e gravidez?

Minha filha, Silje, nasceu em Fevereiro de 2006. Quando venci o Campeonato Nórdico de 2005, estava grávida de 7 meses e meio. Eu treinei até dois dias antes de dar à luz e voltei seis semanas depois. O Campeonato Mundial de 2006 foi tranqüilo, porque sempre tinha quem pudesse cuidar de Silje por dez minutos, mas agora ela corre de um lado para outro e nem todos podem lidar com isso, o que dificulta as coisas. No Mundial do ano passado, contratamos uma babá para viajar conosco e ela tomou conta de Silje dia e noite para que eu pudesse me concentrar em mim e em Simic.

Agility time!

Como você conheceu o Agility?

Eu praticava hipismo vi uma demonstração de Agility durante uma exposição de cavalos em 1998. Eu achei divertido de se ver, e era perceptível a conexão entre condutor e cão, que era o que eu queria com meu cachorro. Em 1999, meu mestiço de Labrador fez um ano e começamos a treinar Agility.

Sarah e Simic (à esquerda)
e o time standard Campeão Mundial de 2007

Quantos cães você tem?

Eu tenho Simic, que fez cinco anos e também Bianca, uma Boder Collie marrom e branca, de 7 anos. Bianca foi a 18ª. colocada no Mundial de 2004, na Itália. Meu namorado, Kim (Gravlund Nielsen) tem um Border Collie de nome Ready, que já tem quase 10 anos e que já foi Campeão Dinamarquês por 4 vezes e campeão da Copa Nórdica de 2001. Todos os nossos cães têm livre acesso a nossa casa uma vez que eles são parte de nossa família – mas nem por isso eles deixam de ser cães, não são tratados como humanos e, portanto, têm de dormir e comer no chão... J

A Grande Família

Como você escolheu Simic?

Eu disse à criadora que eu queria um cão forte e independente, que seria o líder de uma matilha grande. Eu não escolhi Simic, a criadora escolheu para mim e acho que ela fez um ótimo trabalho! J


Sarah e Simic filhote

Como você vê sua trajetória no Agility?

Comecei com um mestiço de Labrador com o qual tinha de gritar, berrar e bater palmas por todo o percurso se eu quisesse que ele trotasse. Meu segundo cão, Bianca, fazia a parte de correr muito bem, então eu ficava atrás e dizia a ela o que fazer até que conheci Kim e ele me mostrou que se eu me movesse por trás um pouco mais, meu cão correria um pouco mais. Uau, que surpresa! Fui convidada para uma semana de curso com dois instrutores suecos em 2004 e aprendi tanto naquela semana! Todo ano, esse curso de uma semana está no meu calendário e eu participo todo ano. Em 2007, fui uma das instrutoras nesse curso, mas à noite eu continuava treinando meu cão com os outros instrutores então tive a oportunidade de aprender mais ainda.

Seu namorado é um condutor top. Vocês trocam muitas informações durante os treinos, como ser o técnico um do outro ou vocês treinam separadamente?

Não recorremos um ao outro nos treinos. Nós dois temos o gênio forte, então acabaríamos quase sempre arrancando um a cabeça do outro se tivéssemos essa liberdade de corrigir um ao outro. Nós sempre queremos que o outro dê o máximo de si no percurso, então colocamos pressão nesse sentido.

Sarah e Simic comemoram
o campeonato mundial individual, em 2006

Já pensou em conduzir cães em outras categorias, ou de outras raças?

Sim, já pensei em um Pastor dos Pirineus, Kromfohrländer ou Malinois, mas duvido que um dia isso aconteça. O que posso dizer é que nunca vou conduzir um Sheltie! Não sei se eu escolheria outra raça além do Border Collie, acho que é o melhor para o Agility. Eles aprendem rápido, querem trabalhar com você o dia todo e não são muito grandes. Eu treino três outros cães de alguns de meus estudantes, um Cocker Spaniel, um Poodle e um Border Collie e não há dúvidas de qual ficaria comigo se eu tivesse de escolher. Os outros dois são ótimos e querem trabalhar, mas não no mesmo nível que o Border.

Com que idade os cães estão aptos a começar o treinamento?

Eu tenho uma tuma de filhotes e alguns chegam à escola com apenas 12 semanas! Eu ensino para os filhotes os túneis e a correr para frente, entre as asas dos saltos com a barra ao chão. Ensino os filhotes a ficar com seus condutores e fazer as curvas junto com eles. Ensino-os a ficar sob comando e o trabalho básico de solo. Deixo que os filhotes fiquem nas zonas de contato até que sejam soltos, mas não os deixo percorrer a passarela inteira ou a rampa até que tenham um ano de idade, o mesmo para saltos e slalom.

Quais as outras atividades de seus cães, além do Agility?

Nenhuma. Na verdade, eu ensino vários truques para eles, mas nós não competimos, por exemplo, em freestyle. Quem sabe eu não tente isso um dia desses?

Simic: “Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiis”

Como condutora, quais as suas características que deviam ser trabalhadas?

Acho que eu poderia melhorar a velocidade do slalom com Simic e talvez sua velocidade geral. Às vezes precisamos treinar as zonas de contato para ficarem mais precisas e me assegurar de que ela ficará se eu não der o comando para sair, mesmo que eu continue correndo.

Com que freqüência você treina? Como você estabelece as prioridades e define quais aspectos devem ser abordados em cada sessão de treinos?

Normalmente treinamos duas vezes por semana em casa e uma em outro clube, para estar em companhia de condutores de alto nível. Não temos um instrutor, mas ajudamos uns aos outros e incentivamos a fazer cada vez melhor. Se em uma prova houver uma combinação de obstáculos que muitos condutores (inclusive eu) acharam difícil, eu monto essa parte do percurso e fico treinando em casa.

Você separa os treinos físicos dos técnicos?

Normalmente faço o treino físico longe da pista de Agility, em caminhadas, por exemplo, e reservo a pista para os treinos técnicos.

Seus cães têm problemas técnicos?

Acho que sempre há onde melhorar, pelo menos um pouco, mas se pensar bem, Simic é perfeita. Por outro lado, Bianca foi totalmente estragada por mim. Se eu não estiver no local correto, ela derruba a barra; se conseguimos superar isso, ela resolve largar antes do meu comando. Tudo isso porque não fui consistente o tempo todo. Culpa minha. Ela é ótima durante os treinos, mas quando em pista, para ela não há regras J. Se eu quisesse mudar seu comportamento, teria de desqualificá-la em todas as provas no ano que vem e ela nunca seria meu cão top, então eu prefiro conduzir de acordo com as necessidades dela e ela que se divirta! J

Como foi sua primeira competição internacional?

Foi no Mundial da Itália, em 2004, com Bianca. Fiquei um pouco nervosa quando vi que era a primeira a competir, caso contrário não teria ficado tão nervosa. Mas logo que entro na area de entrada da pista, eu esqueço tudo e todos que não eu mesma e meu cão.

O que você tem em mente em um percurso do Mundial?

Tento não pensar que é o Mundial. Para Simic, é Agility e ela não se importa com onde estamos desde que façamos Agility. Eu sei que ela pode fazer tudo e sei que ela me escutará se eu der o comando certo. Se eu ficar nervosa, vou atrasar meus commandos e minhas pernas não correrão tanto quanto poderiam e isso me enfurece! Eu devo a meu cão fazer com que tudo seja mais fácil de ser entendido, o que quero que ela faça, então para nós tudo não passa do bom e velho Agility, e estamos lá para nos divertir e darmos o melhor de nós.

Você tem preparação física ou psicológica para melhorar sua performance no Agility?

Para falar a verdade, não faço o que deveria para me manter em forma. Às veze caminho, ando de bicicleta, corro, mas é algo como, duas vezes por mês J. Por outro lado, meus cães estão super em forma. Eles andam, correm ao lado da bicicleta e nadam – sem contar o amplo espaço que temos em casa para brincarem.

Quais exercícios você faz com seus cachorros para aumentar força e velocidade?

Para aumentar a força nos meus cães, eles fazem o que chamamos, aqui na Dinamarca, de tempo jumps. Há apenas 1,5 metros entre os saltos (para os cães grandes) e a altura de 45 cm. Isso faz com que o cão salte, aterrize e salte de novo, sem dar passadas. Isso realmente fortalice a musculature dos quadris e os abdominais do cão. Eu faço com que meu cão suba correndo uma ladeira em velocidade máxima, o que também aumenta a capacidade de aceleração.

Qual a sua preparação física e aquecimento antes e depois do percurso?

Quando faltam 20 cães antes de mim para entrar em pista, eu vou para o aquecimento. Meus cães fazem os saltos tempo que quiserem por cinco minutos e aí eu assumo o controle. Nós fazemos brincadeiras para estimular o raciocínio do cão, aí eu sei que ele está com o cérebro ativo e pronto para me escutar. Depois corremos um pouco e fazemos algumas viradas, mando o cachorro contornar árvores, slalons, ir até barracas e outras coisas para acelerá-los e para que trabalhem longe de mim. Após a corrida, fazemos uma caminhada de 15 a 20 minutos.

Simic e Sarah

Qual a melhor coisa no Agility?

Por onde começamos?

  1. Cães amam ter o que fazer. Você pode vê-los sorrindo quando fazem Agility e no final do dia estão tão satisfeitos e cansados...
  2. A família do Agility, todos os amigos que você faz e com os quais pode divider risadas e lágrimas. Estamos todos lá para nos apoiar.
  3. A atividade física
  4. A conexão que temos com o cão
  5. A atmosfera nos campeonatos
  6. O frio na espinha da vitória e do topo do pódio
  7. As novas amizades fora da Dinamarca
  8. A vontade de se superar
  9. Estar ao ar livre

São muitas coisas que significam muito em minha vida. Vou praticar Agility até que me expulsem da pista!”J


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