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O requisitado
David Munnings, 3º. colocado individual no Mundial
de 2005, concedeu uma entrevista exclusiva para o Agilitynet.
Entre o treinamento de seus cães e os estudos*, David
encontrou um tempinho para saciar toda a curiosidade da
repórter:
Agilitynet:
Quando você entrou em contato com o Agility pela primeira
vez?
David Munnings:
Foi durante as aulas de obediência com meu primeiro
cão. Eu nunca tinha visto ou ouvido falar de Agility,
mas gostei na hora.

Megan: "Ela veio
para mim quando eu tinha 12 anos, era a mais bonitinha da
ninhada e a melhor decisão que eu tomei na vida!"
Agilitynet:
Quem era esse cão?
David Munnings:
É Megan, uma Springer Spaniel. Na época, ela
era muito rápida e para ela, as zonas de contato
não existiam - às vezes, ela as tocava, mas
era sem querer - e nunca fazia o slalom em pista. Ela também
costumava dar umas três voltas ao redor da pista após
o primeiro salto! Nós nos divertimos muito, mas ela
teve OCD (osteocondrite dissecante) nos jarretes, então
ela teve de se aposentar ainda jovem.
Agilitynet:
Quais foram os problemas de treinamento no início?
David Munnings:
Não tive grandes problemas, o maior deles se deviam
apenas à minha falta de conhecimento.
Agilitynet:
Como foi esse início? Você treinou no Crazy
Maesy (clube de Agility de Jo Fraser, uma das principais
treinadoras e competidoras do Agility britânico) em
uma época em que não havia muitos condutores
jovens no Agility. Como foi?
David Munnings:
Eu comecei no Agility quando eu tinha 15 anos (hoje ele
tem 26) e fui convidado a fazer parte do Crazy Maesy com
Lad,meu primeiro Border Collie resgatado quando eu tinha
16 ou 17. Eles me ajudaram muito com as técnicas
de condução e compreensão do Agility
bem como a forma de treinar outras pessoas. Havia poucos
jovens no Agility então, Natasha Wise e Jon Watts
eram os únicos realmente competitivos e eram muito
melhores que eu! Eu participei de uma classe Junior e eles
me bateram por uma diferença tão grande que
eu não queria mais nem brincar! Sempre me dei bem
com pessoas de diferentes idades, então não
foi um problema não conviver com pessoas da minha
idade.

Lad: "Meu primeiro Border veio de um abrigo,
sempre se esforçou para agradar e faz tudo que peço.
Está aposentado de provas e um pouco senili, mas
adora ver o treino dos mais novos".
Agilitynet:
Quem são os cães com os quais você compete
atualmente?
David
Munnings: Atualmente eu compito principalmente com
dois cães, Billy e Dobby. Billy vai fazer dez anos
em março, então competiremos cada vez menos.
Muita gente sabe como ele chegou até mim, na versão
mais curta sua dona saiu para viajar por um ano e após
os primeiros seis meses, ele veio ficar comigo. Fiquei com
ele depois que sua dona voltou, pois ele tinha se adaptado
muito bem a mim. Ela não tinha tempo para Agility
e sabia que ele sentiria muita falta. Ele é meu cão
mais bem sucedido, nossas principais conquistas foram o
3o. lugar insividual no Mundial de 2005 e o terceiro campeonato
em sua classe, em 2007, o que lhe valei o título
de Campeão de Agility. Dobby tem apenas três
anos e é meio irmão de Billy. Ele se tornou
Senior dois meses depois de começar a competir e
chegou a Grau 7 em seu primeiro ano de provas. Ele fez o
primeiro campeonato na primeira oportunidade. Então
veio Crufts em 2008 e nós ganhamos, então
ele já era Campeão de Agility aos 39 meses.
Ele ainda ganhou outra classe de Campeonato em abnl de 2008.
Ele é um cão maravilhoso, muito especial e
ainda não consigo acreditar que seja meu!

Billy: "Ele
ficou comigo durante uma longa viagem de seua dona e já
no primeiro ano, fomos para Olympia. Ela voltou e viu que
era melhor que ficasse comigo".
Agilitynet:
Qual sua categoria favorita?
David Munnings:
Todos os meus cães são Standard porque eu
amo Border Collies e não gostaria de outra raça
para Agility nesse momento.
Agilitynet:
Mas você consideraria seriamente treinar e competir
com cães de outros tamanhos?
David Munnings: Eu
adoro Papillons! São muito divertidos, mas por enquanto
eu fecho com os Border Collies.
Agilitynet:
O que mais te atrai no Agility e quem são seus mentores
ou influências no esporte?
David Munnings: Não consigo pensar
em nada em particular, eu apenas me apaixonei desde a primeira
vez. Não havia ninguém em quem eu realmente
quisesse me espelhar, embora tivesse uma série de
conduções que eu realmente gostasse. Daí
eu peguei um pouco de cada e a partir daí desenvolvi
meu estilo próprio, que funciona muito bem para mim
e para a maioria das pessoas que eu treino. É fácil
de entender e os cães aprendem muito fácil.
Jo e Iain Fraser foram meus primeiros treinadores de verdade,
e eles me ensinaram muito sobre consistência.

David e Billy: estréia em Mundiais com o 3o.
lugar na Espanha
Agilitynet:
Hoje em dia quem ou o que é sua maior influência?
David Munnings:
Natasha Wise é uma grande influência. Eu não
sou uma pessoa fácil de se treinar, mas ela o faz
melhor que qualquer um. Usamos os mesmos métodos
para nossos cães e temos os mesmos objetivos. Natasha
passou por muita coisa nos últimos dois anos mas
ainda assim consegue se manter firme e crescer com Dizzy,
seu estupendo cão.

Dobby: "O filhote
mais inteligente que já tive. Ele se empolga com
tudo, treinar com ele é muito bom!"
Agilitynet:
Quando você percebeu que estava levando as competições
bem a sério?
David Munnings:
Eu percebi que estava levando o Agility a sério quando
eu desisti dos saltos equestres - para tristeza da minha
mãe. Fui adotando mais cães - hoje são
seis - e comprei uma van. Uma van velha e mal cheirosa não
é nem um pouco interessante, em especial na universidade,
mas os cães estão sempre em primeiro lugar!
Agilitynet:
Há algo que você sabe hoje em dia que você
gostaria de ter aprendido quando começou a se envolver
mais com o Agility?
David Munnings:
Muitas coisas! Mas todos começando sem saber quase
nada. Temos que aprender do nosso jeito. Não podemos
esperar que nos contem tudo desde o começo pois não
entenderíamos. Sem contar que aprendemos muito com
nossos erros. A única coisa que eu acho praticamente
essencial à maioria dos cães é fazer
com que sejam loucos por brinquedos. Eles têm de aprender
a trabalhar por uma recompensa, não serem absurdamente
obcecados por algo a ponto de não se concentrarem,
mas querer esse algo o suficiente a ponto de fazerem quase
tudo para consegui-lo.
Agilitynet:
Você fica muito ansioso nas provas? Se sim,
como lidar com isso?
David
Munnings: Eu realmente não sofro disso, comigo
tem mais a ver com ansiedade. Eu adoro competir e quando
mais gente assistindo, mais eu gosto, então as finais
são o máximo para mim. Eu só tenho
que lembrar que eu treinei bem meus cães e o que
está à minha frente é apenas um conjunto
de obstáculos pelos quais eu tenho de guiar meus
cães. Quando coloco as coisas nessa perspectiva,
parece que eu esqueço todo o resto. No fim do dia,
eu fiz Agility porque eu amo isso, não apenas para
ganhar - embora eu goste muito de vencer! Se deu errado,
já goi. Eu ainda estarei voltando para casa com meus
cães, que pensam que ganharam independente do que
tiver acontecido, e é isso que realmente importa.

David
e Dobby em Crufts
Agilitynet:
Você tem alguma rotina durante as competições?
David Munnings: Terminei meus estudos em Osteopatia
em 2008 e o título da minha dissertação
foi Direct comparisons of the time dogs take to run over
a set line of jumps both before and after an osteopathic
treatment (em português, "Comparações
dretas do tempo que os cães levam para percorrer
uma linha de saltos antes e depois do tratamento oesteopático).
A pesquisa que fiz foi bem interessante. Na semana 1, 30
cães percoreram uma linha com quatro saltos, com
cinco metros de distância entre eles, com suas rotinas
normais de aquecimento. Os tempos foram gravados usando
um cronômetro digitalç. Na semana 2, metade
dos cães repetiram essa rotina e os tempos foram
muito parecidos. Os outros 15 foram submetidos a um tratamento
de cinco minutos com um osteopata qualificado, que envolvia
articular as juntas, alongar os músculos e oscilar
a coluna. A pesquisa que fiz sugere que os músculos
devem ser mantidos na posição de alongamento
por 30 segundos para obter os melhores resultados. Os objetivos
do tratamento era aumentar a frequência cardíaca
e, por conseguinte, a circulação para que
o corpo tenha uma boa quantidade de sangue fresco e oxigenado
para mais energia. Também para alongar os músculos
e aumentar sua elasticidade e tambpem a mobilidade das juntas.
Alongar os músculos também diminui a contração,
permitindo que o sangue circule mais livremnte entre eles.
Todos os cães que receberam o tratamento tiveram
uma diminuição estatisticamente significante
no tempo e, portanto, uma melhora de desempenho. A maior
redução no tempo foi de 0,6 segundos, o que
é muito importante visto que a média dos cães
faziam o percurso em 2 segundos. Em um percurso completo,
a diferença seria enorme! Quando eu aqueço
meu cães antes de uma prova, eu aplico neles um tratamento
similar, bem como um aquecimento ativo, que inclui corrida,
voltas e aceleração. As pessoas não
fazem aquecimento o suficiente antes de provas ou treinos
e muitos cães se machucam por causa disso. O aquecimento
é essencial para o desempenho e para diminuir as
chances de contusões.

Tammy: "Tem dez
anos e nunca foi a mais motivada da matilha, apesar de gostar
de treinar. Quase aposentada, é a garota mais bonita
da casa".
Agilitynet:
E se for uma final, a sua preparação e a do
cão são diferenes?
David Munnings:
Não, é exatamente a mesma. Se eu fizer diferente,
vai dar errado!
Agilitynet:
Quem vê um conductor experiente normalmente comenta
como ele faz tudo parecer tão simples. Você
diria que ainda está aprendendo e você tem
algum aspecto importante no qual esteja trabalhando atualmente?
David Munnings:
Estou sempre aprendendo, tenho meu estilo que eu sei que
funciona, mas é quando as pessoas se estagnam e nem
sequer escutam novas idéias é que a coisa
começa a ir mal. Eu sempre escuto às idéias
dos outros, especialmente se forem mais jovens do que eu,
pois aí serão idéias novas em folha.
Espero que eu possa aprender sobre treinamento de cães
como um todo até o dia em que isso não fizer
mais sentido para mim. Não tenho uma grande dificuldade
com a qual esteja lidando agora, estou começando
a montar percursos mais intrincados para Dobby já
que está sendo sua primeira temporada no Grau 7.
Talvez eu o ensine a ser conduzido a distância com
propriedade uma hora dessas! Eu o vejo ainda como um bebê
e não quero forçá-lo a nada, caso ele
não entenda de primeira. Mas ele é um cão
muito fácil de ser treinado pois já fiz todo
o trabalho de base. Aí, assim que o ensino a fazer
algo novo, ele pega muito rápido, por meio da minha
linguagem corporal e comandos.
Agilitynet:
O Agility mudou muito desde a sua época mp Crazy
Maesy? Se sim, de que forma?
David Munnings:
O Agility mudou muito desde que eu comecei! Obviamente,
a maior das mudanças é o sistema de qualificação,
que por um lado eu acho genial mas por outro eu acho que
está completamente errado! Com certeza há
detalhes a serem trabalhados nesse sistma, mas eu acho que
estamos no caminho certo. O treinamento é outra grande
mudança, os cães standard no Reino Unido progrediram
muito.

Nala: "É a caçula da casa e está
indo muito bem nos treinos. Em março de 2009 começa
sua carreira nas pistas".
Agilitynet: Qual a sua melhor dica de treinamento?
David
Munnings: É fazer do treinamento uma diversão
e NUNCA culpar seu cão. Se deu errado, é porque
você o conduziu ao erro, ou não treinou o cão
adequadamente. Odeio ver as pessoas culpando o cão
quando o problema foi evidentemente do condutor. Isso me
incomoda muito.
Agilitynet:
Que conselho você daria a alguém que está
começanco no circuito de provas, que adoraria eventualmente
participar de grande competições como Crufts,
Olympia ou as Grandes Finais?
David Munnings:
Venha e treine comigo!
Agilitynet:
Você se coloca objetivos e se sim, pode contar alguns
que você se colocou para a temporada de 2008?
David Munnings:
Sim! (risos). Eu me coloco vários objetivos. Em 2008
meus objetivos foram todos em relação a Dooby,
já que Billy se aposentará em breve e por
isso ultimamente eu o tenho deixado apenas se divertir.
Meus objetivos para 2008 eram:
- Ir para Olympia
- Conseguir mais duas vagas
- Conseguir o Campeonato de Dooby
- Qualificar-nos para Crufts 2009
- Ir para o Mundial da FCI e o Campeonato Europeu
E claro, ganhar tudo (risos). São muitos objetivos,
mas eu sei que ele pode alcançar tudo isso e é
em mim que eu coloco a pressão, nunca nele. Para
ele, o Agility é uma grande brincadeira!
Agilitynet: Qual o
futuro do Agility no Reino Unido?
David Munnings:
Espero que não mude muito, eu gosto do jeito que
está! A única coisa que me preocupa é
o quanto está crescendo. As provas estão tão
grandes e às vezes acho que o número de competidores
terá de ser restringido. Para conseguir uma vaga
no camping em certas provas, é preciso fazer reservas
até seis meses antes... Eu acho que o Agility aqui
será mais como o Agility da FCI, cada vez mais os
percursos se parecem com os percursos do exterior e nós
já abaixamos a altura de nossos saltos. Se eu ainda
estarei fazendo isso daqui a dez anos, me pergunte daqui
a dez anos. Eu tenho certeza que ainda há muito a
se falar sobre esses assuntos.
Agilitynet: Por
ultimo... O que você mais gosta a respeito do Agility?
David Munnings: Estar
com meus cães..
* Nota do Agiliteiros: David é formado em
Osteopatia, ciência baseada no preceito de que o corpo
é capaz de criar seus próprios instrumentos
de restauração, em que as mãos são
o utensílio de análise e de tratamento do
profissional, que aplica seus conhecimentos profundos em
anatomia e fisiologia para cuidar das disfunções
de mobilidade dos diversos tecidos do corpo, para devolver
ao corpo funcionalidade e equilíbrio, permitindo
ao paciente uma melhor qualidade de vida. Atualmente ele
estuda a aplicação da Osteopatia em cavalos
e cães atletas na Universidade de Kent, Inglaterra.
Sobre a entrevistadora
Soraya
Porter mora na menor cidade da Inglaterra
(Manningtree), divide a casa com três gatos siameses
e com Ernest, um mestiço de Petit Basset Griffon
Vendeeem e Jack Russell. Ele também atende por Ernie,
Ern, Monster, Beast e Fish Face! Ernie compete no Grau 7
e já participou várias vezes de Crufts, onde
é muito solicitado para posar em fotos com turistas
japoneses.
Atualmente ela treina com Bob Sharpe e no Valley Farm Agility
Club, bem como dá aulas como free lancer, se dá
o esquisito prazer de julgar provas, criar sites simples
e partir bifinhos. Dada a insanidade de sua dona, é
de admirar que Ernie tenha participado de tantas Finais
em sua carreira.
Original (em ingles):
http://www.agilitynet.com/features/davidmunnings_sorayaporter.html
2008©Agilitynet.com
Reprodução autorizada
Todos os direitos reservados

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