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1999, o trio Gilles Thiriet, Sylvie e Reynald Muller vêm compondo
o staff técnico da equipe francesa nos mundiais de agility.
Gilles é o técnico, responsável pela seleção e treinamentos
da equipe, enquanto Sylvie e Reynald cuidam para que os condutores
da seleção tenham apenas em mente sua boa performance em pista.
Os resultados têm mostrado que se trata de uma alquimia vencedora:
a equipe francesa, além de se preocupar sempre com um desempenho
não menos que perfeito em pista, se esforça para que o trabalho
da comissão técnica seja respeitada. Tanto que mesmo o desempenho
de 2001 ter sido inferior ao de 2000, o trio está praticamente
garantido à frente da equipe da França em Dortmund 2002.
A seleção de 2001 foi
evidentemente uma mistura da velha guarda com as novas forças
do agility francês. Isso é uma forma de deixar a equipe
equilibrada para os próximos Mundiais?

GILLES THIRIET: Como
em todos os esportes e em todos os times, não se muda uma
equipe do dia para a noite. Levei três anos para construir
uma base sólida. Cabe a mim convocar as novas duplas e formá-las
adequadamente para que possa haver o progresso deles de
forma harmoniosa
Quais os critérios
de escolha para as novas duplas?
GILLES THIRIET: Estou
presente em muitos eventos em toda a França. Não falto em
nenhuma seletiva, final, campeonato e encontro importante.
Mas independente de ser uma prova simples, eu procuro sempre
estar presente onde haja uma nova dupla se apresentando,
que conforme seu potencial, serão testados, e porque não,
projetados em nível nacional por meio de uma pre seleção
para a equipe francesa.
Por que em 2001 foram pré-selecionadas mais duplas
(normalmente eram 15, em 2001 foram 19)?
GILLES THIRIET: Porque
houve uma evolução muito grande das duplas, esse ano a briga
estava mais difícil e eu tinha um leque maior de opções
sabendo que a pré-seleção esse ano foi antecipada praticamente
em um mês por causa da mudança do Campeonato da França,
e por conseqüência, do estágio da pré-seleção. Os campeonatos
regionais também não haviam terminado ainda.
Há algum motivo pelo qual Carcassone seja sempre
escolhida para o estágio da equipe francesa?
GILLES THIRIET: A
cidade é perfeita, com local e estruturas técnicas adequadas
e à nossa disposição, sem contar a equipe de apoio, sob
coordenação de nosso amigo René Villela, que são muito importantes
para nossa preparação. René e sua equipe, aliás, merecem
nossa consideração por sua presteza, principalmente tendo
em vista as constantes mudanças em cima da hora de nosso
calendário de provas.
Essas mudanças
prejudicam muito a preparação da equipe?
GILLES THIRIET: Não
é tão grave assim. Com os anos de experiência, pudemos observar
que um cão não derrapa no carpete, ele se acostuma muito
rapidamente, muito mais rápido que o condutor. Por isso,
para não dar margem ao azar, nosso último estágio é sempre
no carpete.
Grama - e não carpete - durante o
estágio de pré-seleção não prejudica?

REYNALD MULLER: Na
verdade, não incomoda embora eu adorasse ter visto os minis
no carpete. O pessoal do norte tem hábito de trabalhar no
carpete, o que é menos comum para os condutores do sul,
mas quando temos condutores excepcionais como Patrick Servais,
o aprendizado é muito rápido. Eu lembro que a primeira vez
que fui a um Campeonato Mundial, meu cão nunca havia estado
sobre um carpete!
Como foram os
trabalhos durante o estágio de 2001?
REYNALD MULLER:
Desde a chegada, na quinta-feira,
impusemos uma rotina para que se recuperassem da viagem
até Carcassone. Eles precisavam correr um pouco, se divertir
em um campo de agility. Logo em seguida, propusemos de cara
dois percursos bem longos para ver quem eram os mais fortes.
Na sexta-feira, após o café da manhã, mais trabalho nesses
mesmos termos: caminhada e depois trabalho nos obstáculos
para podermos avaliar as zonas e a velocidade. Tentaremos
melhorar os pontos fracos, pois um cão um pouco pior hoje
poderá estar em seu máximo depois de quatro ou cinco meses,
sobretudo se esse pouco que precisa ser trabalhado para
melhorar for feito. No fim de semana, tivemos a seletiva
para o Masters da França. É uma bela oportunidade para ver
se esses dias de estágio puxado foram úteis em alguma coisa.
Esse ano, no meio do estágio a equipe participou
de uma prova grande. Para vocês, foi uma vantagem ou um
inconveniente?
GILLES THIRIET: Foi
bom, pois as duplas entraram determinadas a se classificar
bem nessa prova, que serviu como seletiva para o Masters
da França e também queriam mostrar o melhor de si para serem
escolhidos para a equipe francesa. Do ponto de vista psicológico,
foi um bom teste, pois apenas os mais fortes suportaram
essa pressão.
Pelo visto,
os homens cuidam da parte física. Qual o papel de Sylvie
no staff técnico?

SYLVIE
MÜLLER: Meu
trabalho é principalmente durante o Mundial. Eu gerencio
todas as informações para a equipe francesa durante os Campeonatos
Mundiais, tanto individualmente como para o time. Eu sei
a que horas cada um entra em pista, se haverá atrasos, se
está adiantado, quanto a resultados, se precisamos correr
atrás do resultado ou se vamos com calma para garantir o
resultado. Esse trabalho é em total simbiose com Gilles,
com quem me comunico por meio de sinais, gestos, olhares.
Como você controla as entradas de cada membro da equipe?
SYLVIE MÜLLER: Normalmente
sabemos a ordem de entrada cerca de dez dias antes da competição,
o que nos permite fazer um plano de ação mais preciso. Mas
sempre precisamos estar ligados: em Dortmund não recebemos
essa ordem de entrada e no dia anterior ficamos sabendo
que Christine seria a primeira a competir. Isso não a incomodou,
tanto que ela ganhou o Campeonato do Mundo. Mas há pessoas
que precisariam se preparar para serem os primeiros a entrarem.
No segundo dia é mais sossegado, as duplas entram em ordem
inversa à que se classificaram.
Você é um tipo de secretária?
SYLVIE MÜLLER: Podemos
dizer que sim. Tenho sempre todos os resultados, individuais
e por equipe. Às vezes tenho que brigar para estar em uma
posição favorável, mas como temos conseguido estar sempre
nas primeiras posições, preciso dar sempre um jeito.
Qual o papel humano do staff técnico?
SYLVIE
MÜLLER: Acho que é essencial. Faz
parte de nosso trabalho fazer com que se sintam bem e relaxados.
Para eles é mais fácil chegar em Reynald ou em mim do que
em Gilles, para ter um ombro para chorar após um fracasso,
por exemplo.
Quais
as suas principais lembranças dos campeonatos mundias?
GILLES THIRIET: Na
Finlândia, tivemos o coroamento de todo o trabalho que vínhamos
desenvolvendo desde a Eslovênia.
REYNALD
MULLER:
Realmente foi emocionante.
Além do bi-campeonato individual de Christine Charpentier,
tivemos o vice-campeonato de Patrick Servais e ainda a vitória
do time standard (Reynald fez parte da equipe standard campeã
na Eslovênia, conduzindo um husky siberiano).
SYLVIE MÜLLER: Já eu não vi absolutamente nada!
Estive completamente absorta durante os dois dias, do primeiro
ao último cão do campeonato, com meu cronômetro, minha caneta,
meus papéis. Mas tenho a sorte de nossos condutores saberem
primeiro por mim se foram os campeões, pois eu sei antes
de todo mundo.
Fonte:
© agility-france
Edição:
Adriana Mori

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