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Jenny Damm
“Meu objetivo era vencer e eu sabia que chegaria lá”
por Adriana Mori
(março/2002)

 

Para quem apostava nos franceses, belgas ou americanos para ganhar o Mundial, ver a bela loira no topo do pódio pode ter sido surpreendente. Mas se em 2000 ela era uma promessa, agora Jenny Damm, sueca de 23 anos é campeã do mundo e se prepara para trilhar o caminho de Christine Charpentier, rumo ao bicampeonato. É uma tarefa difícil, mas não impossível: é só lembrar do que ela e Lotus fizeram em Portugal.

Estudante de biologia e professora de crianças, Jenny também presta assistência a idosos em asilos. Em seu tempo livre, faz cursos de treinamento canino – especialmente agility. Jenny conversou com exclusividade com Agiliteiros.com sobre sua vida, seus cães e mostra que ela consegue o que ela quer: resultados não são nada mais que conseqüência de trabalho sério – e de sorte, às vezes.

Como você começou a lidar com cães?

Eu costumava andar a cavalo e competir em saltos e preparação. Comprei meu primeiro cão, só meu, um Jack Russel Terrier, quando fiz 16 anos. Dois anos mais tarde quis ir mais a fundo no treinamento de cães e então comprei Lotus. Na verdade, eu queria um Rottweiler – meu objetivo não era bem o agility – mas um amigo meu me falou sobre uma criadora de borders, eu fui lá ver e voltei com um filhote nos braços.

Como os cães superaram os cavalos?

Depois de um tempo conciliando as duas atividades, eu optei por me concentrar nos cães. Vi uma demonstração de agility e fiquei fascinada e então comecei a treinar. Tive aulas com uma excelente condutora, Irene Stjärnås, técnica do time da Suécia. Ela tem reumatismo e não pode correr, então ela tem de ser muito precisa em seus movimentos, para fazer com que o cão entenda o que ela pretende.

Qual foi seu primeiro cão de agility?

O primeiro cão que treinei para o agility foi Lotus (o cão com o qual Jenny ganhou o Mundial), mas também treinei Frances, meu Jack Russel Terrier, mas infelizmente ela não pratica mais agility por causa de problemas na articulação. Eu treinava também com o terrier de minha mãe, que era muito bom, mas infelizmente mudei de casa e não o vejo mais tão frequentemente.

Como é treinar um cão como Lotus?

Cães que amam trabalhar sempre são ótimos de se treinar. Lotus é um cão muito especial nesse sentido. Ele é muito inteligente, submisso e afoito para fazer tudo certo. Nós nos entendemos e nos conhecemos perfeitamente.

Por que você escolheu o border collie para o agility?

Na verdade, não comprei Lotus especificamente para o agility. Minha intenção era treinar obediência e pastoreio de ovelhas, disciplinas que até hoje treino. Quando Lotus tinha um ano de idade, começou a treinar agility.

Além de Lotus, você tem outros cães? Eles também treinam agility?

Além de Lotus, tenho Frances, a terrier e agora comprei Elvis, outro Border Collie, que está com nove meses. Eu comecei a treinar pastoreio de ovelhas com ele e quando completar um ano, vamos começar a treinar agility também.

Como é a presença de Lotus em pista?

Eu quero que meus cães trabalhem comigo, por isso temos de trabalhar em equipe, não um contra o outro. Isso é o mais importante. O que espero de Lotus é que ele seja independente e ao mesmo tempo veloz. Isso é o mais importante. Eu sempre o preparo para reconhecer o obstáculo a cumprir com antecedência, normalmente dois saltos com antecedência. Com isso ele pode se preparar e pegar o caminho mais rápido e fácil no percurso.

Quantas vezes por semanas você pratica agility?

Na maioria das vezes, uma vez por semana. Às vezes mais e outras menos.

Há quanto tempo você faz parte do time sueco?

Minha primeira convocação foi para o campeonato nórdico de 1999, mas éramos reservas e nem competimos.

E quanto a Campeonatos Mundiais? Qual a sua melhor lembrança?

A primeira vez foi na Finlândia, em 2000. Obtive com o time o sexto lugar por times e no individual fizemos faltas na passarela na última passagem. Se não tivesse cometido essas faltas, teríamos terminado na nona colocação. Aí eu vi que teria que treinar muito. Voltei para casa e comecei a arriscar e me atrever mais. É muito dos suecos ser corretos e perfeccionistas. Aprendi muito no Mundial de 2000 e também em competições na Dinamarca e Finlândia. Minha melhor lembrança, obviamente, foi a última passagem em Portugal, especialmente quando Lotus fez a última passarela, pois na Finlândia tínhamos feito cinco faltas nesse obstáculo. Mudei meus métodos e foi um grande teste para ver se havia funcionado... Obviamente funcionou!

Você achava que poderia ganhar o Mundial?

Meu objetivo era vencer e eu sabia que chegaria lá, mas há margens tão pequenas no agility e coisas inesperadas podem acontecer. Para mim, a única coisa a fazer é me concentrar e dar tudo de mim.

A condução de Lotus em Portugal era o normal de vocês ou você mudou para ganhar?

A única coisa que foi diferente nas conduções normais foi o preparo. É mais longo e intensivo para um Mundial. Adoramos quando a atmosfera está carregada.

A vitória no Mundial mudou sua vida?

Não muito. É algo que faço em meu tempo livre. Não ganho dinheiro com isso, então minha dedicação é limitada. A mudança legal que aconteceu, foi que fiz contato com pessoas de todo o mundo e isso é maravilhoso.

Já começou sua preparação para o Mundial de 2002?

Eu sempre tento me desenvolver e dar o melhor de mim. Atualmente estou trabalhando para manter minha constância. Nossa preparação real ainda não começou, mas a preparação mental, sim. A preparação mental de Lotus já está a pleno vapor: longas caminhadas em áreas montanhosas e alongamento o ano todo.

Quais são as outras atividades que você pratica com seu cão além do agility?

Pastoreio de ovelhas e obediência. Eu os treino com o clicker e ensino coisas divertidas, como jogar coisas no lixo, abrir e fechar armários... Nós também andamos na floresta diariamente. Isso é muito importante para nós.

O agility mudou sua vida?

Desde que se transformou em estilo de vida, sim. Eu larguei os cavalos pelos cães e o agility. Eu gasto meu tempo livre com o agility. Além disso, todos os meus amigos são cachorreiros. Ainda bem que são pessoas boas!

Há alguma raça com a qual você gostaria de fazer agility?

Eu gosto de cães que gostam de trabalhar. Todos os cães são únicos, com suas vantagens e desvantagens. Você tem de encontrar o jeito certo de ensinar o que você quer a seu cão. Essa é parte mais divertida. Os Border Collies foram criados para o pastoreio e isso os faz muito bons para o agility. Para serem bons no trabalho com as ovelhas, eles têm que ser rápidos, inteligentes e obedientes, bem como independentes. Acho importante manter essas qualidades.

Quais são as melhores raças para o agility?

É difícil de responder. Todos os cães têm suas características. Depende do quanto eles preenchem suas necessidades e sua personalidade. Alguns gostam de terriers e outros de cães de pastoreio. Se eu fosse escolher um cão mini, ficaria entre Jack Russell, Poodle ou Papillon. Entre os midis, um Poodle e os standard, é a escolha mais fácil: a única raça para mim é o Border Collie, simplesmente porque essa raça é a minha cara.

Qual o espaço que o agility ocupa em sua vida atualmente?

Meu sonho se tornou realidade. Agora continuamos a praticar o esporte que eu e Lotus amamos. Eu aprendo a cada dia com o agility e logo começarei a treinar Elvis. É um novo desafio.

Qual sua definição de agility?

Um esporte que demanda trabalho em equipe eficiente e um bom relacionamento com o cão. Ambos devem ter muitas qualidades. No agility, o cão tem que pensar, assim como o condutor.


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