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Para
quem apostava nos franceses, belgas ou americanos para ganhar
o Mundial, ver a bela loira no topo do pódio pode ter sido
surpreendente. Mas se em 2000 ela era uma promessa, agora
Jenny Damm, sueca de 23 anos é campeã do mundo e se prepara
para trilhar o caminho de Christine Charpentier, rumo ao
bicampeonato. É uma tarefa difícil, mas não impossível:
é só lembrar do que ela e Lotus fizeram em Portugal.
Estudante
de biologia e professora de crianças, Jenny também presta
assistência a idosos em asilos. Em seu tempo livre, faz
cursos de treinamento canino – especialmente agility. Jenny
conversou com exclusividade com Agiliteiros.com sobre sua
vida, seus cães e mostra que ela consegue o que ela quer:
resultados não são nada mais que conseqüência de trabalho
sério – e de sorte, às vezes.
Como
você começou a lidar com cães?
Eu
costumava andar a cavalo e competir em saltos e preparação.
Comprei meu primeiro cão, só meu, um Jack Russel Terrier,
quando fiz 16 anos. Dois anos mais tarde quis ir mais a
fundo no treinamento de cães e então comprei Lotus. Na verdade,
eu queria um Rottweiler – meu objetivo não era bem o agility
– mas um amigo meu me falou sobre uma criadora de borders,
eu fui lá ver e voltei com um filhote nos braços.
Como
os cães superaram os cavalos?
Depois
de um tempo conciliando as duas atividades, eu optei por
me concentrar nos cães. Vi uma demonstração de agility e
fiquei fascinada e então comecei a treinar. Tive aulas com
uma excelente condutora, Irene Stjärnås, técnica do time
da Suécia. Ela tem reumatismo e não pode correr, então ela
tem de ser muito precisa em seus movimentos, para fazer
com que o cão entenda o que ela pretende.
Qual
foi seu primeiro cão de agility?
O
primeiro cão que treinei para o agility foi Lotus (o cão
com o qual Jenny ganhou o Mundial), mas também treinei Frances,
meu Jack Russel Terrier, mas infelizmente ela não pratica
mais agility por causa de problemas na articulação. Eu treinava
também com o terrier de minha mãe, que era muito bom, mas
infelizmente mudei de casa e não o vejo mais tão frequentemente.
Como
é treinar um cão como Lotus?
Cães
que amam trabalhar sempre são ótimos de se treinar. Lotus
é um cão muito especial nesse sentido. Ele
é muito inteligente, submisso e afoito para fazer tudo certo.
Nós nos entendemos e nos conhecemos perfeitamente.
Por
que você escolheu o border collie para o agility?
Na
verdade, não comprei Lotus especificamente para o agility.
Minha intenção era treinar obediência e pastoreio de ovelhas,
disciplinas que até hoje treino. Quando Lotus tinha um ano
de idade, começou a treinar agility.
Além
de Lotus, você tem outros cães? Eles também treinam agility?
Além
de Lotus, tenho Frances, a terrier e agora comprei Elvis,
outro Border Collie, que está com nove meses. Eu comecei
a treinar pastoreio de ovelhas com ele e quando completar
um ano, vamos começar a treinar agility também.
Como
é a presença de Lotus em pista?
Eu
quero que meus cães trabalhem comigo, por isso temos de
trabalhar em equipe, não um contra o outro. Isso é o mais
importante. O que espero de Lotus é que ele seja independente
e ao mesmo tempo veloz. Isso é o mais importante. Eu sempre
o preparo para reconhecer o obstáculo a cumprir com antecedência,
normalmente dois saltos com antecedência. Com isso ele pode
se preparar e pegar o caminho mais rápido e fácil no percurso.
Quantas
vezes por semanas você pratica agility?
Na
maioria das vezes, uma vez por semana. Às vezes mais e outras
menos.
Há
quanto tempo você faz parte do time sueco?
Minha
primeira convocação foi para o campeonato nórdico de 1999,
mas éramos reservas e nem competimos.
E
quanto a Campeonatos Mundiais? Qual a sua melhor lembrança?
A
primeira vez foi na Finlândia, em 2000. Obtive com o time o sexto lugar por times e no individual fizemos faltas
na passarela na última passagem. Se não tivesse cometido
essas faltas, teríamos terminado na nona colocação. Aí
eu vi que teria que treinar muito. Voltei para casa e comecei
a arriscar e me atrever mais. É muito dos suecos ser corretos
e perfeccionistas. Aprendi muito no Mundial de 2000 e também
em competições na Dinamarca e Finlândia. Minha melhor lembrança,
obviamente, foi a última passagem em Portugal, especialmente
quando Lotus fez a última passarela, pois na Finlândia tínhamos
feito cinco faltas nesse obstáculo. Mudei meus métodos e
foi um grande teste para ver se havia funcionado... Obviamente funcionou!
Você
achava que poderia ganhar o Mundial?
Meu
objetivo era vencer e eu sabia que chegaria lá, mas há margens
tão pequenas no agility e coisas inesperadas podem acontecer.
Para mim, a única coisa a fazer é me concentrar e dar tudo
de mim.
A
condução de Lotus em Portugal era o normal de vocês ou você
mudou para ganhar?
A
única coisa que foi diferente nas conduções normais foi
o preparo. É mais longo e intensivo para um Mundial. Adoramos
quando a atmosfera está carregada.
A
vitória no Mundial mudou sua vida?
Não
muito. É algo que faço em meu tempo livre. Não ganho dinheiro
com isso, então minha dedicação é limitada. A mudança legal
que aconteceu, foi que fiz contato com pessoas de todo o
mundo e isso é maravilhoso.
Já
começou sua preparação para o Mundial de 2002?
Eu
sempre tento me desenvolver e dar o melhor de mim. Atualmente
estou trabalhando para manter minha constância. Nossa preparação
real ainda não começou, mas a preparação mental, sim. A
preparação mental de Lotus já está a pleno vapor: longas
caminhadas em áreas montanhosas e alongamento o ano todo.
Quais
são as outras atividades que você pratica com seu cão além
do agility?
Pastoreio
de ovelhas e obediência. Eu os treino com o clicker e ensino
coisas divertidas, como jogar coisas no lixo, abrir e fechar
armários... Nós também andamos na floresta diariamente.
Isso é muito importante para nós.
O
agility mudou sua vida?
Desde
que se transformou em estilo de vida, sim. Eu larguei os
cavalos pelos cães e o agility. Eu gasto meu tempo livre
com o agility. Além disso, todos os meus amigos são cachorreiros.
Ainda bem que são pessoas boas!
Há
alguma raça com a qual você gostaria de fazer agility?
Eu
gosto de cães que gostam de trabalhar. Todos os cães são
únicos, com suas vantagens e desvantagens. Você tem de encontrar
o jeito certo de ensinar o que você quer a seu cão. Essa
é parte mais divertida. Os Border Collies foram criados
para o pastoreio e isso os faz muito bons para o agility.
Para serem bons no trabalho com as ovelhas, eles têm que
ser rápidos, inteligentes e obedientes, bem como independentes.
Acho importante manter essas qualidades.
Quais
são as melhores raças para o agility?
É
difícil de responder. Todos os cães têm suas características.
Depende do quanto eles preenchem suas necessidades e sua
personalidade. Alguns gostam de terriers e outros de cães
de pastoreio. Se eu fosse escolher um cão mini, ficaria
entre Jack Russell, Poodle ou Papillon. Entre os midis,
um Poodle e os standard, é a escolha mais fácil: a única
raça para mim é o Border Collie, simplesmente porque essa
raça é a minha cara.
Qual
o espaço que o agility ocupa em sua vida atualmente?
Meu
sonho se tornou realidade. Agora continuamos a praticar
o esporte que eu e Lotus amamos. Eu aprendo a cada dia com
o agility e logo começarei a treinar Elvis. É
um novo desafio.
Qual
sua definição de agility?
Um
esporte que demanda trabalho em equipe eficiente e um bom
relacionamento com o cão. Ambos devem ter muitas qualidades.
No agility, o cão tem que pensar, assim como o condutor.
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