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Olivier Adyns e Onyx, a dupla dinâmica do Agility
Campeões do Mundo de Agility, Olivier Adyns e Onyx, seu Border Collie, construíram uma cumplicidade evidente. Uma ligação forte que se exprime fora das pistas.
Por Sandra Strasser

"Onyx e eu, somos uma grande história de amizade entre um cão e seu dono", exalta Olivier Adyns, Campeão do Mundo de Agility 2002.

Por trás dos vitrôs do Cynoclub d'Orchies, Onyx, um Border Collie de quatro anos, fixa seu dono. Um latido, e ele parte em disparada para o campo. Os obstáculos no gramado são também pretextos para brincar para esse jovem macho. Para Olivier e Onyx, o Agility não é uma disciplina rígida e competitiva. "O que me importa é a paixão e o carinho do meu cão, a competição vem depois".


Olivier Adyns descobriu o Agility em 1988, graças a sua esposa, Linda, que o praticava com seu Briard em um clube de educação canina. Em 1993, uma mudança profissional fez com que tivesse mais tempo livre. "Quando fiquei livre aos sábados, comecei a assistir mais competições. Depois comprei uma Bearded Collie". Com Hapsy, Olivier conquistou suas primeiras vitórias. "Rapidamente, nós evoluímos e nos saíamos bem nas provas mais importantes", explica.

Um dia, Hapsy se desinteressou do Agility. "Ela continuava por prazer, e estava envelhecendo. Então parei". Ao conhecer Emiel Vervoot, juiz e criador belga, Olivier se encantou por uma outra raça, o Border Collie. "Ele me mostrou uma foto de seus cães. Eram marrons. Fiquei apaixonado na hora por aquela cor. Em seguida, por ocasião de uma prova, conheci Patrick Servais, um outro criador. Sua Border Collie tinha acabado de dar cria. Sem nem me conhecer, ele me reservou o filhote mais esperto, Onyx, nascido em 12 de julho de 1998. Foi o dia em que a seleção francesa ganhou a Copa do Mundo de Futebol!".

Por sua vez, Olivier e Onyx se consagraram campeões mundiais em 6 de outubro de 2002, em Dortmund (Alemanha). Coincidência desconcertante! "A vitória aconteceu diante de 4,5 mil espectadores sem contar os participantes. Ao todo, 32 países estavam representados", lembra. Olivier. "Tive arrepios quando desfilamos na frente dos juízes no primeiro dia com nossos uniformes azul, vermelho e branco. Onyx, que antes de uma prova normalmente fica feliz e excitado, estava estóico, concentrado. Disseram que ele entendeu o que estava em jogo nesse campeonato. Ele estava pronto", extasia-se Olivier. Difícil não ver a confiança em seus olhos.

...

O trabalho com meu cão passa antes de qualquer coisa pela brincadeira

Mas como ele conseguiu estabelecer uma relação tão forte com seu cão? Uma única palavra: brincadeira. "Durante nossos passeios, eu atiro objetos e bolinhas para ele buscar. Para mim, o Agility é trabalho por diversão. Nós treinamos quando sentimos necessidade, não todos os dias. Nosso ritmo é o ritmo do prazer, só venho ao clube todas as semanas pois meus companheiros exigem isso depois do Campeonato Mundial".

Um único ritual: uma temporada na fazenda, para onde todo ano Olivier e um amigo vão com seus cães por duas semanas, na casa de Patrick Servais, que tem a maior criação do sul da França. "Onyx efetua um trabalho de pastoreio, no meio de 20 mil animais". O Border Collie é a raça mais freqüente em provas de pastoreio. Ele utiliza seu olhar quase hipnótico para trabalhar a distância. Olivier nunca participou desse tipo de prova com Onyx. No entanto, controlar um rebanho de carneiros se revela um excelente exercício. "Com dois cães, fazemos em sete dias o trabalho de três semanas! Agora diga se Patrick não se sente feliz por nos receber todos os anos", revela, satisfeito. Se na França o Border Collie é considerado um cão de trabalho em pastoreio, na Alemanha e Bélgica é um cão de companhia por excelência. "É o pet de todo mundo". Uma posição privilegiada devido a sua personalidade dócil e devotada.

A felicidade de estar junto

Agitity competitivo? "Não, agility por prazer. Nós somos sérios quando necessário, mas na maior parte do tempo nos divertimos muito", concede Olivier com um sorriso nos olhos. "É uma atividade estupenda! Eu amo o trabalho com cães, eu amo que Onyx me respeite. Mas não quero algo forçado e mecânico. O Agility não deve ser confundido com o Ring!".

Outra atividade canina muito respeitada pelo mundo cinófilo, o ring consiste em uma série de provas onde o cão mostra suas aptidões naturais em obediência e combatividade: saltos, defesa, ataque... Menos violento, o Agility, disciplina educativa e esportiva parece com o salto de obstáculos da equitação. Depois da vitória, Olivier recebeu muitos convites para dar seminários em clubes de Agility no exterior. "Recentemente me convidaram para ir para Portugal e Áustria para difundir meus conhecimentos. Com Onyx, claro. As pessoas querem ver o cão. Mas não quero fazer do Agility minha profissão". Mesmo que a pressão seja mais forte depois do Campeonato Mundial, Olivier não quer que o Agility se torne uma obrigação, mesmo que a dupla já esteja pronta para o próximo Mundial em Lièvin, em 26, 27 e 28 de setembro de 2003.


"Os cumprimentos mais belos que recebi após o Campeonato do Mundo não eram aqueles que aludiam nosso sucesso, mas o que me diziam que é formidável o que faço com meu cão. É muito legal ver que pessoas que achavam as disciplinas caninas ridículas mudaram de opinião depois de ver o Agility".

O que ele espera do futuro? "Para o Agility, sou incapaz de projetar. Só quero continuar tendo prazer com Onyx. Independente do que acontecer, o dia que Onyx não quiser mais fazer, nós pararemos. Se amanhã ele se machucar, não vou sair correndo para um canil para substituí-lo". Reconhecimento pelo Agility sim, mas felicidade antes de mais nada.

© 30 Millions d'Amis - Ed. 195 - Maio/2003

 

Entrevista: Olivier e Onyx, campeões do mundo
Por Julie Buisson

Ao final do Campeonato Mundial de Dortmund, na Alemanha, 4, 5 e 6 de outubro de 2002, um francês subiu ao posto mais elevado do pódio: Olivier Adyns, acompanhado por Onyx, seu Border Collie. Veja a entrevista.

Pergunta: Quando você começou a praticar Agility?

Olivier Adyns: Não fui o primeiro em casa. Minha esposa Linda começou antes de mim, desde o começo do Agility na França, mais ou menos em 1988. Eu não podia acompanhá-la pois trabalhava aos sábados. Mas por vê-la treinando e de ver o quanto ela gostava, me interessei bastante. Tenho alma de esportista e gosto muito de desenvolver a relação de trabalho com um cão. O Agility é isso para mim! Desde que meu trabalho permitiu, em 1993, comecei a praticar com Hapsy, minha Bearded Collie. Juntos, tivemos bons resultados, até que nos saíamos bem nas grandes finais. O Agility me permite passar um dia bom, cercado de amigos, de me superar, de estabelecer uma relação de confiança com meu cão.

Pergunta: Como Onyx se tornou seu parceiro?

Olivier Adyns: Hapsy estava envelhecendo e eu procurava um novo cão. Um dia, vi um juiz belga com Border Collies e seus cães fizeram com que eu quisesse ter um também. Mesmo o Bearded sendo um cão inteligente, o Border compreende mais rápido, é muito veloz e une uma facilidade de aprendizado extraordinário com um desejo formidável de agradar seu dono. Eu queria um, mas tinha de ser de uma cor: eu queria só marrom. Na final do campeonato francês de pastoreio em 1998, vi um pequeno anúncio de venda de ninhada de Border Collies marrons. Logo liguei para o criador, Patrick Servais. Nós nos entendemos na hora. Ele praticava agility além do pastoreio.
Dessa ninhada de marrons, nascidos sob uma boa estrela, em 12 de julho de 1998, dia da vitória da França contra o Brasil, ele me reservou um filhote particularmente esperto, Onyx.

Pergunta: Como vocês trabalham juntos?

Olivier Adyns: Acima de mais nada brincamos juntos. Até 10 ou 11 meses, ele não sabia o que eram os obstáculos mas já éramos grandes cúmplices graças às brincadeiras e a obediência. Por volta dos 13 meses ele passou por sua primeira zona de contato, ele não tinha medo e me passava toda sua confiança. Enfim, ele começou no Agility tarde. Felizmente eu não era um condutor iniciante, pois o Border Collie é tão rápido quando difícil de controlar, estamos quase sempre atrás deles dando os comandos. Nós treinávamos duas vezes por semana, às terças e sábados, sem contar os 30 domingos anuais que participamos de provas. Mas procuro nunca forçar meu cão. No dia que ele não quiser mais, pararemos com o Agility.

Pergunta: E para o Campeonato do Mundo?

Olivier Adyns: No Campeonato Mundial, não competimos na grama, mas no carpete. É bem mais escorregadio para os cães. É necessário, portanto, modificar um pouco a condução e sobretudo acostumar os cães. No mês que precedeu o campeonato mundial, conseguimos um bom carpete para treinar e fazer os últimos ajustes. A um ritmo de três treinos por semana, nós estávamos prontos e em forma para ir a Dortmund.

Pergunta:Foi sua primeira participação?

Olivier Adyns: Não, no ano anterior tinha competido em Porto. Porém, Onyx tinha apenas três anos. Mesmo tendo potencial, seus ajustes ainda não estavam completos. Fui eliminado em uma das zonas de contato, embora tenha conseguido a terceira colocação no Jumping. Ano passado eu tinha uma vingança, estava muito determinado e ao longo do ano, nós fomos muito regulares, tanto eu como Onyx. Era o nosso ano.

Pergunta: E o que você achou desse campeonato?

Olivier Adyns: Os percursos foram feitos para mim. Na Alemanha, os percursos são menos travados que na França, há de sete a nove passos entre cada obstáculo, o cão tem mais tempo para pegar mais velocidade. Apenas os condutores realmente experientes e que sabem conduzir por trás podiam fazer os percursos sem faltas. Nesse tipo de competição, não ter faltas conta mais do que a velocidade. Os percursos também eram técnicos, não se baseavam apenas na velocidade.

Pergunta: O que você ainda quer conquistar com Onyx?

Olivier Adyns: Eu me pergunto isso todos os dias. Eu não sei, Claro, quero participar muito de Lièvin esse ano e todos já me esperam na competição. Mas desejo sobretudo continuar confiando em Onyx, continuar a fazer com que ele se sinta bem e feliz, continuar a trabalhar com ele, viver com ele, levá-lo nas minhas viagens de férias. É muito duro ver seu cão envelhecer. Mesmo ele já tendo cruzado, não quis ficar com um dos filhotes. Eu faria comparações o tempo todo. Vamos continuar a treinar duas vezes por semana, a ir para as provas aos domingos, a encontrar nossos amigos agiliteiros. Ser o Campeão Mundial não me subiu à cabeça. Não vou fazer com que Onyx passe de seus limites. Não temos a obrigação dos resultados.

Nota da tradução: A revista se enganou quanto a Patrick Servais, que não é criador nem fazendeiro, mas sim proprietário de três Border Collies (com ninhadas mais do que esporádicas), funcionário público, instrutor de Agility e tênis de mesa e um dos maiores condutores da França e do Mundo. Para ler a entrevista exclusiva de Patrick para o Agiliteiros.com, clique aqui.

 
 
 
 
 

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