Patrick esteve no
Brasil para ministrar um seminário de agility, que teve
duração de cinco dias. No programa, desde a escolha do
filhote até a montagem de percursos. Marcaram presença
condutores de quatro estados brasileiros.
Durante todos os dias
do seminário, Patrick atendeu a todas as dúvidas individuais
que surgiram. Foi uma aula particular para cada condutor,
considerada pela maioria dos presentes, o melhor curso
de agility já ministrado no Brasil.
Entrevista
exclusiva: Patrick Servais

Durante
sua estadia no Brasil, Patrick concedeu com exclusividade
uma entrevista para o Agiliteiros.com
“Até
hoje me perguntam se eu já aprendi a pivotar”, comenta
Patrick Servais. Para quem não sabe, o francês deixou
de ganhar o campeonato mundial por causa de um pivot equivocado,
que fez com que ele quase se colidisse com seu cão Magic,
conseqüentemente ocasionando a perda de preciosos décimos
de segundo que favoreceram sua colega de equipe, Christine
Charpentier.
Patrick
Servais é muito atencioso e solícito, além de ser bem
humorado, característica inesperada nos franceses. “Os
franceses do norte normalmente são mais sérios, nós do
sul somos mais descontraídos”, conta.
Agiliteiros.com: Qual a sua atividade profissional?
Você lida profissionalmente com cães?
Não,
sou funcionário público, trabalho na prefeitura da cidade
de Martrigues, na costa Mediterrânea da França. Além disso,
sou instrutor de tênis de mesa para jovens de até 14 anos.
À noite, oriento os treinos de agility no clube de que
faço parte, mas essa atividade não é remunerada nem profissional.
Agiliteiros.com:
Como teve contato pela primeira vez com o agility?
Em
1989, fui me escrever no clube cinófilo da região e o
agility era uma das disciplinas oferecidas. Achei interessante
e comecei a praticar com a minha Briard.
Alguns meses depois, já éramos a melhor dupla do clube
e participávamos frequentemente de finais regionais e
nacionais, inclusive fui o primeiro a conduzir de ambos
os lados na França. Infelizmente ela morreu aos sete anos
de idade em decorrência de câncer.
Agiliteiros.com:
Como foi a convocação para a equipe francesa de agility?
Eu
já me destacava nas competições nacionais, então resolvi
me apresentar ao selecionador francês em uma das seletivas.
Na França, é o capitão da equipe que seleciona o time
nacional. Além de meu bom desempenho no dia, enviei uma
fita com algumas das minhas participações e ele gostou,
tanto que naquele ano fui convocado para participar do
individual no Mundial de Dortmund, na Alemanha. E a confiança
em mim foi tanta que ele disse que eu poderia até escolher
com que cão competiria.
Agiliteiros.com:
Por que escolheu Magic?
Magic
é o mais rápido dos meus cães. Todos eles são muito fortes
mentalmente, Mistral é muito constante, Chanel tem uma
zona de contato impressionante, mas Magic é mais rápido
que eles e no Mundial isso pode fazer a diferença.
Agiliteiros.com:
Você tem bastante contato com os demais membros da equipe
francesa?
Apenas
nos encontramos nas grandes provas. Karine Buoli (condutora
de Hurane, pastora belga tervueren de nove anos de idade)
é a que mora mais perto de mim, a cerca de 400 quilômetros.
Mas considero Karine uma amiga pessoal, tanto que na próxima
ninhada que tirarei de Magic com Chanel, um dos filhotes
já está reservado para ela.
Agiliteiros.com:
Parece que os filhotes de seus cães são bastante requisitados
pelos condutores de ponta na França...
É
verdade. Meus cães têm produzidos excelentes filhotes.
Esse ano, um dos filhos de Magic, Onyx Red, estará na
equipe francesa, e acredito que no ano que vem, teremos
também um filho de Mistral.
Agiliteiros.com:
O físico de seu cão contrasta bastante com o dos cães
brasileiros. O peso não prejudica a performance do cachorro?
Não,
pois não é peso, é massa muscular, necessária para conferir
ao cão uma potência que os ajuda a ter uma arrancada mais
potente. É isso que faz a diferença a nosso favor em comparação
a cães menos favorecidos fisicamente.
Agiliteiros.com:
Quais as atividades físicas de seus cães?
Eles
fazem atividades físicas seis vezes por semana. Duas vezes
por semana treinam agility e os demais dias se exercitam
com natação e corridas na praia e também no pastoreio.
Agiliteiros.com:
O que você acha sobre competir no Mundial com mais de
um cão?
É
um desgaste psicológico muito grande, deveria ser evitado.
Se você só tem que se preocupar com um cão, dedica toda
sua concentração a ele e entra em pista melhor preparado.
Agiliteiros.com:
Quais as raças que, em sua opinião, serão as mais competitivas
com a introdução dos midis?
Entre
os mini, aposto no schipperke, poodle e cavalier king
charles; nos midis, acredito que os pastores de shetland
e pastor dos pirineus predominarão e entre os standards,
acho que o domínio continuará com o border collie e os
pastores belgas.
Agiliteiros.com:
Todo cão pode fazer agility?
Sim.
A prova disso é que lá no nosso clube temos um basset
hound fazendo agility. Mas em casos como esse, o dono
tem de estar mais atento quanto a quantidade de exercícios
devido a sua estrutura física. Tem de ser controlado,
mas é possível.
Agiliteiros.com:
Todo mundo pode fazer agility?
Também,
mas nesse caso temos que respeitar também a estrutura
da pessoa, no sentido de adaptar a forma de condução ao
que a pessoa pode dar de si em termos de capacidade física.

