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Patrick Servais
Vice-campeão mundial dá seminário de agility no Brasil
Por Adriana Mori
agosto/2001

Patrick esteve no Brasil para ministrar um seminário de agility, que teve duração de cinco dias. No programa, desde a escolha do filhote até a montagem de percursos. Marcaram presença condutores de quatro estados brasileiros.

Durante todos os dias do seminário, Patrick atendeu a todas as dúvidas individuais que surgiram. Foi uma aula particular para cada condutor, considerada pela maioria dos presentes, o melhor curso de agility já ministrado no Brasil.

Entrevista exclusiva: Patrick Servais

Durante sua estadia no Brasil, Patrick concedeu com exclusividade uma entrevista para o Agiliteiros.com

“Até hoje me perguntam se eu já aprendi a pivotar”, comenta Patrick Servais. Para quem não sabe, o francês deixou de ganhar o campeonato mundial por causa de um pivot equivocado, que fez com que ele quase se colidisse com seu cão Magic, conseqüentemente ocasionando a perda de preciosos décimos de segundo que favoreceram sua colega de equipe, Christine Charpentier.

Patrick Servais é muito atencioso e solícito, além de ser bem humorado, característica inesperada nos franceses. “Os franceses do norte normalmente são mais sérios, nós do sul somos mais descontraídos”, conta.


Agiliteiros.com: Qual a sua atividade profissional? Você lida profissionalmente com cães?

Não, sou funcionário público, trabalho na prefeitura da cidade de Martrigues, na costa Mediterrânea da França. Além disso, sou instrutor de tênis de mesa para jovens de até 14 anos. À noite, oriento os treinos de agility no clube de que faço parte, mas essa atividade não é remunerada nem profissional.
 

Agiliteiros.com: Como teve contato pela primeira vez com o agility?

Em 1989, fui me escrever no clube cinófilo da região e o agility era uma das disciplinas oferecidas. Achei interessante e comecei a praticar com a minha Briard.
Alguns meses depois, já éramos a melhor dupla do clube e participávamos frequentemente de finais regionais e nacionais, inclusive fui o primeiro a conduzir de ambos os lados na França. Infelizmente ela morreu aos sete anos de idade em decorrência de câncer.
 

Agiliteiros.com: Como foi a convocação para a equipe francesa de agility?

Eu já me destacava nas competições nacionais, então resolvi me apresentar ao selecionador francês em uma das seletivas. Na França, é o capitão da equipe que seleciona o time nacional. Além de meu bom desempenho no dia, enviei uma fita com algumas das minhas participações e ele gostou, tanto que naquele ano fui convocado para participar do individual no Mundial de Dortmund, na Alemanha. E a confiança em mim foi tanta que ele disse que eu poderia até escolher com que cão competiria.

Agiliteiros.com: Por que escolheu Magic?

Magic é o mais rápido dos meus cães. Todos eles são muito fortes mentalmente, Mistral é muito constante, Chanel tem uma zona de contato impressionante, mas Magic é mais rápido que eles e no Mundial isso pode fazer a diferença.

Agiliteiros.com: Você tem bastante contato com os demais membros da equipe francesa?

Apenas nos encontramos nas grandes provas. Karine Buoli (condutora de Hurane, pastora belga tervueren de nove anos de idade) é a que mora mais perto de mim, a cerca de 400 quilômetros. Mas considero Karine uma amiga pessoal, tanto que na próxima ninhada que tirarei de Magic com Chanel, um dos filhotes já está reservado para ela.

Agiliteiros.com: Parece que os filhotes de seus cães são bastante requisitados pelos condutores de ponta na França...

É verdade. Meus cães têm produzidos excelentes filhotes. Esse ano, um dos filhos de Magic, Onyx Red, estará na equipe francesa, e acredito que no ano que vem, teremos também um filho de Mistral.

Agiliteiros.com: O físico de seu cão contrasta bastante com o dos cães brasileiros. O peso não prejudica a performance do cachorro?

Não, pois não é peso, é massa muscular, necessária para conferir ao cão uma potência que os ajuda a ter uma arrancada mais potente. É isso que faz a diferença a nosso favor em comparação a cães menos favorecidos fisicamente.

Agiliteiros.com: Quais as atividades físicas de seus cães?

Eles fazem atividades físicas seis vezes por semana. Duas vezes por semana treinam agility e os demais dias se exercitam com natação e corridas na praia e também no pastoreio.

Agiliteiros.com: O que você acha sobre competir no Mundial com mais de um cão?

É um desgaste psicológico muito grande, deveria ser evitado. Se você só tem que se preocupar com um cão, dedica toda sua concentração a ele e entra em pista melhor preparado.

Agiliteiros.com: Quais as raças que, em sua opinião, serão as mais competitivas com a introdução dos midis?

Entre os mini, aposto no schipperke, poodle e cavalier king charles; nos midis, acredito que os pastores de shetland e pastor dos pirineus predominarão e entre os standards, acho que o domínio continuará com o border collie e os pastores belgas.

Agiliteiros.com: Todo cão pode fazer agility?

Sim. A prova disso é que lá no nosso clube temos um basset hound fazendo agility. Mas em casos como esse, o dono tem de estar mais atento quanto a quantidade de exercícios devido a sua estrutura física. Tem de ser controlado, mas é possível.

Agiliteiros.com: Todo mundo pode fazer agility?

Também, mas nesse caso temos que respeitar também a estrutura da pessoa, no sentido de adaptar a forma de condução ao que a pessoa pode dar de si em termos de capacidade física.

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