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“Há
três pessoas chaves a quem pode ser atribuído o estágio
atual do agility: seu fundador, Peter Meanwell; Jean-Paul
Petitdidier, o presidente da Comissão de Agility da FCI
e responsável pelo campeonato mundial e eu, que me considero
um missionário do agility no mundo todo”.
Peter Lewis pode ser considerado
um dos pais do agility mundial. Embaixador do esporte em
todos os cantos do mundo, ele tem muitas histórias de agility
para contar. A grande diferença é que suas histórias mudaram
o jeito de fazer agility desde sua criação, em 1978.
Agiliteiros.com
- Em quantos países já esteve por conta do agility?
Estive
presente em 21 países, enquanto ainda engatinhavam no agility.
Esses países são Inglaterra, Holanda, Bélgica, França, Alemanha,
Luxemburgo, Liechtenstein, Suíça, Mônaco, Dinamarca, Suécia,
Finlândia, Estados Unidos, África do Sul, Malásia, Espanha,
Jersey, Itália, Áustria, Grécia e Guernsey.
Agiliteiros.com
- Mas nenhum desses países segue a regra do The Kennel Club...
Nesses
países, ministrei cursos para condutores, treinadores e
responsáveis pela organização de provas. Ministrei também
cursos para juízes. Após muitas visitas à França em 1987,
a Societé Centrale Canine (o Kennel Clube francês) enviou
seus primeiros dez futuros juízes para fazer um curso comigo
na Grã Bretanha. Entre eles, estava Jean-Paul Petitdidier,
que depois se tornou o presidente da Comissão de Agility
da FCI.
Agiliteiros.com
- Como surgiram os campeonatos mundiais?
O
embrião do Campeonato Mundial está na Royal Canin Masters,
uma competição bolada por mim, com o patrocínio da Royal
Canin. Haviam provas classificatórias em cada país e a partir
delas, era selecionado um time composto por quatro duplas,
que era mandado para disputar uma final. A primeira final
do Royal Canin Masters foi realizada em Bruxelas, as duas
seguintes em Paris e a partir dessa competição surgiu o
Campeonato Mundial da FCI.
Agiliteiros.com
- Como eram as regras na época? Já eram unificadas?
Nessa
época, em várias oportunidades, manifestei minha preocupação
sobre o risco das regras do agility não manterem a unidade
de país para país. Perguntei ao The Kennel Club, entidade
que controla a cinofilia na Grã Bretanha, se poderiam intervir
e a resposta era sempre negativa. Em 1987, expus meus medos
a Jean-Paul Petitdidier, de que sem um acordo internacional
a respeito das regras, o esporte se tornaria um caos. Ele
concordou comigo e me explicou os propósitos da FCI, enquanto
eu o encorajava a insistir no reconhecimento do esporte.
Depois, Petitdidier e eu tivemos reuniões com um oficial
da FCI em Toulouse e o resto é história.
Agiliteiros.com
- A que você atribui sua participação em momentos decisivos
do agility?
Pode
parecer que se deveu ao fato de eu ser o presidente do Agility
Club, mas não foi bem assim. Tive a sorte de estar no lugar
e na hora certa em duas ocasiões. Uma delas foi no Olympia
Crufts 1978, quando vi tudo começando. A outra foi quando
um francês me contatou, após ter me visto conduzindo meu
cão nas finais de agility de Olympia Crufts, no começo dos
anos 80. Apesar de ter ensinado agility em três países,
antes desse encontro com o francês, foi a ligação da França
com a FCI que fez com que fossem desenvolvidas regras internacionais.
Todos esses fatores fizeram com que eu fosse reconhecido
e respeitado em todo o mundo.
Agiliteiros.com
– Atualmente você se dedica exclusivamente ao agility?
As
pessoas me vêem como “o cara do agility”, mas na verdade
prefiro ser visto como treinador de cães, o que faz mais
justiça a todas as disciplinas caninas que desenvolvo. Meu
envolvimento com cães está no treinamento de pets, obediência
e, em especial, provas de trabalho.
Agiliteiros.com
- Apesar de pertencer a um sistema cinófilo diferente, você
mantém contatos com agiliteiros dos outros países?
Sim. Atualmente, apesar de haver 28
países competindo nos campeonatos mundiais, há apenas 16
representantes nacionais junto à Comissão de Agility da
FCI. Eles comparecem ao campeonato mundial representando
seus países. Quase todos têm experiência no agility. Muitos
deles foram meus alunos e alguns posso chamar de amigos.
Agiliteiros.com
- Você participa também das decisões políticas do agility
na FCI?
De
certa forma, sim. Todos os documentos relacionados à Comissão
de Agility da FCI são produzidos em três línguas. Wilfried
Claes, representante da Bélgica, é o responsável pela versão
em inglês, que ele sempre manda para mim para que eu veja
se está tudo certo e se faz sentido. De certa forma, é engraçado
pensar que um inglês tem acesso a documentos importantes
da FCI, antes mesmo dos países filiados.
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