
Em seus seminários
pelos Estados Unidos, Roger Coor se especializou em ensinar
aos alunos como fazer o trajeto que mais beneficia o cão
e também como conduzir cães pequenos. O
know how para isso é dos melhores: com seu cão
Moso, um papillon de sete anos, Coor já conquistou
diversos títulos e representou os Estados Unidos
por duas vezes no Campeonato Mundial de Agility (Dortmund
2002 e Lievin 2003).
Sua carreira
vitoriosa começou em 1999, quando o cão
conquistou o Campeonato Nacional Pré-Elite de 12"da
NADAC .Além disso, Moso foi o "Cão
Toy do Ano" em 2001 e 2002 pelo International Agility
Link (IAL), campeão regional e nacional de Agility
do "Purina Incredible Dogs" em 2002 e campeão
da "AKC National Agility Championsghips" em
2003. Se os resultados são impressionantes, o título
e a proficiência da dupla não deixam por
menos. Afinal, os títulos que Moso ostenta são
uma verdadeira sopa de letrinhas: NATCH, S-EJC, S-EGC,
TN-N, WV-N, MAD, JM, GN, SM. MX, MXJ, CDX e CGC, o que
significam títulos e certificados ganhos pelo cão
em três entidades diferentes, AKC, NADAC e USDAA,
tanto em Agility como em Obediência.
Apesar da
profusão de títulos, Roger Coor não
se considera profissional do Agility. "Eu dou
alguns seminários de Agility, mas ainda não
me considero profissional. Na maior parte do tempo, sou
arquiteto", diz. E Moso, na maior parte de seu
tempo, é um cão de família em Phoenix,
no Estado do Arizona, Estados Unidos. "Moso é,
antes de mais nada, um super pet. Antes de ser um grande
campeão, Moso é nosso cão, um membro
da família Coor", diz Roger.
Agiliteiros:
Como você se envolveu com o Agility?
Roger Coor:
Tudo começou há 17 anos, quando comecei
a praticar treinamento de cães de performance.
Entrei em contato com o Agility uns dois anos depois,
com Papi e Mijo, um casal de papillons. Naquela época,
o Agility era bem diferente do que é hoje. O esporte
cresceu tão rapidamente e se desenvolveu tanto!
Há 15 anos, só havia a USDAA e uma classe,
se seu cão percorresse um percurso que hoje é
considerado nível Masters e se conseguisse zerar
a pista, tanto em percurso como em tempo, ele ganhava
um título. Uma vez que na época todos os
cães vinham das provas de obediência, parecia
até um grande feito conduzir de ambos os lados
e longe do condutor!
Agiliteiros:
Você começou com Papillons e até hoje
possui cães dessa raça. Por que essa escolha?
Roger Coor:
Quando eu estava na faculdade, tinha um Australian Shepherd
mestiço e muitos gatos. Minha namorada na época
conhecia uma pessoa que tinha tido uma ninhada de Papillons,
um deles não tinha crescido o suficiente e o dono
não sabia o que fazer com ele. Ela achou que eu
ia gostar desse cachorro e me deu de presente. Apesar
do porte minúsculo, eu me apaixonei por sua personalidade.
Mais tarde, ele foi roubado e com estudos e trabalho,
acabei indo morar em um local que não permitia
animais. Uns 14 anos depois, com o fim dessa fase, imediatamente
fui procurar outro Papillon e comecei a treinar esportes
caninos, primeiro Obediência e depois Agility. Os
Papillons são ótimos nesses esportes e,
embora não sejam tão populares como os Shelties
e Border Collies, estão ganhando cada vez mais
fãs nos Estados Unidos.
Agiliteiros:
Naquela época, o treinamento era muito diferente?
Roger Coor:
Extremamente! Quando comecei a treinar meus cães
em Obediência, foi no velho método de trancos
e puxões. Com o tempo, comecei a pensar qual seria
o preço que eu pagaria no futuro, em termos do
cão e do relacionamento. Eu me questionava e ao
mesmo tempo, lia muito a respeito e assistia seminários
e assim, descobri que tinha um cão muito sensível
que não tolerava métodos mais duros e isso
me levou a uma abordagem muito mais positiva. No final,
meus métodos para a Obediência funcionaram
muito bem para o Agility também. Eu trabalhava
com a relação, motivação,
atenção, drive e interação,
depois escolhia a qual esporte me dedicaria. Eu não
coloco meus cães na guia, a não ser em condições
muito específicas e apenas no começo do
treinamento. Se o cão não está ao
meu lado no começo, então a relação
ainda não foi trabalhada o suficiente.
Agiliteiros:
Como foi a escolha de Moso?
Roger Coor:
Não foi fácil, quando decidi ter um novo
cão fiquei uns dois anos procurando uma ninhada
que me agradasse. Saúde, estrutura, inteligência,
atitude, energia, socialização precoce,
desejo de atenção dos humanos e treinabilidade
eram características que eu procurava. E precisava
ser macho, pois além de eu sempre ter tido machos,
não queria me preocupar com eventuais filhotes
nem cios um dia antes de uma competição
importante. Eu peguei o padreador dessa ninhada, que nunca
tinha sido treinado, e em cinco minutos eu o treinei para
cumprimentar. Ele passou as quatro horas seguintes comigo,
sentado em meu colo. Achei que seria muito divertido treinar
um filhote desse cachorro. A ninhada tinha três
cães, dois deles machos, cheios de energia, que
interagiam muito mas que a cada minuto paravam tudo para
ver o que as pessoas estavam fazendo. Fantástico!
Apliquei nos três um pequeno teste de temperamento
e todos se saíram muito bem. Depois fiz um teste
de inteligência para ver as reações.
Agiliteiros:
Como foram esses testes?
Roger Coor:
Eles eram bebês, então propus coisas simples,
como mostrar um petisco, escondê-lo em uma xícara
com a boca para baixo e então observar as reações.
Muitos cães esqueceriam logo do assunto, alguns
tentariam pegar o petisco por algum tempo e pouquíssimos
ficariam "trabalhando" até que descobrir
como virar a xícara. Quando uma toalha é
jogada sobre eles, ficam assustados, desistem ou pensam
que é uma brincadeira e tentam escapar, e quão
rápido eles conseguem? Os Paps foram surpreendentes!
No final, é como qualquer relacionamento: você
tem de gostar realmente do cão, porque se você
quer ser muito bom em alguma coisa com ele, vai ter de
passar muito tempo com ele e nesse caso, é melhor
adorá-lo. Minha esposa gostou da fêmea, mas
eu gostei do macho mais dominante. E ele nunca me decepcionou...
Agiliteiros:
Com que idade Moso começou a treinar Agility?
Roger Coor:
No começo, a idéia era praticar Obediência
mas achei que ele poderia se sair muito bem também
no Agility. Começamos a treinar quando ele tinha
oito semanas, mas barras nos saltos, só quando
ele tinha 12 meses. Aos 17 meses, ele participou de sua
primeira prova e trouxe para casa sua primeira roseta.
Agiliteiros:
Como foi a evolução de vocês como
dupla?
Roger Coor:
Levamos cerca de dois anos para aparecer no cenário
norte-americano e competir de igual para igual com os
melhores condutores dos Estados Unidos. Quando fomos para
a final nacional da USDAA em 2001, ninguém fora
de nossa cidade sabia qualquer coisa de Moso. Participamos
do Steeplechase, cujo primeiro round tinha 450 cães
de todos os tamanhos, entre eles os melhores dos Estados
Unidos, entre Border Collies, Shelties e demais raças.
No final, Moso tinha sido o mais veloz de todos. No segundo
round, ele correu com os cães de sua categoria
(12"), entrou por último e ganhou a prova,
de forma tão absoluta que o juiz o chamou de novo
à pista para repetir a atuação. Dessa
vez, ele só não foi o mais rápido
pois dois border collies haviam marcado 0,3 segundos menos
que ele, mas mesmo assim nada mal em relação
aos 50 melhores cães americanos. Essa foi sua primeira
aparição no cenário nacional.
Agiliteiros:
Como ele consegue ser tão veloz?
Roger Coor:
Não acho que um cão saiba do que se trata
um equipamento até que ele rotineiramente cumpra
o obstáculo na velocidade que você quer.
Então, se um cão faz devagar, o condutor
tem de fazer exercícios para acelerar o cão
e não se satisfazer com performances lentas. Executar
o obstáculo em velocidade máxima representa
metade de tudo que eu espero de meu cão no Agility.
Agiliteiros:
E a outra metade?
Roger Coor:
É a dança entre o cão e o condutor
que acontece entre os equipamentos. Se você aprende
a despertar a atenção de seu cão,
a interação se torna possível sem
nenhum tipo de acessório e simular muitas das situações
que acontecem em pista treinando essa brincadeira entre
cão e dono por alguns minutos diariamente. Outra
coisa que faço é olhar o percurso e calcular
o percurso do cão, qual o melhor caminho, como
ele deve ser percorrido e como deixá-lo mais suave
possível em alta velocidade e então, como
eu, enquanto condutor, influencio essa trajetória.
Aí, é possível descobrir que até
mesmo o mais feio dos percursos pode fluir bem se você
criar o fluxo, não apenas sobrevive, mas o trabalha
e o domina. Seu posicionamento na pista pode ficar bem
diferente por causa disso.
Agiliteiros:
O que você tem em mente quando está em pista?
Roger Coor:
Procurar o fluxo da pista, acreditar que você é
capaz de fazer, aproveitar o momento, nunca parar e muito
drive. Surpreendentemente, eu me sinto mais confortável
enquanto estou competindo na frente das pessoas, aquilo
é tudo que eu treinei e aquele ambiente é
minha zona de conforto.
Agiliteiros:
O que ainda tem para melhorar em você e em Moso?
Roger Coor:
Eu acho que sempre podemos melhorar. Eu sempre vejo minha
forma de conduzir, de treinar e tento ver formas de fazê-lo
melhor. Moso é ótimo em vários aspectos,
mas às vezes se dispersa e eu passo algum tempo
me perguntando o que eu estou fazendo para não
manter seu foco em mim. Por que ele faz uma passarela
perfeita 8 vezes em 10 tentativas? O que estou fazendo
nas duas outras? O que eu posso fazer para torná-lo
mais confiável na subida da rampa quando eu já
estou na descida? E para que ele seja 0,1 segundo mais
rápido? Pode não importar na prova do meu
clube, mas vai fazer diferença no próximo
Mundial.
Agiliteiros:
A seu ver, como deve funcionar o treinamento de Agility?
Roger Coor:
Minha prática no Agility sempre foi treinar por
pequenos intervalos de tempo escolhidos aleatoriamente,
mas intensamente em pontos determinados do treinamento.
Essa indefinição quanto à hora do
treino faz com que meu cão esteja sempre antecipando
momentos de diversão comigo. Eu sempre tento transformar
tudo em brincadeira e então integrar isso no percurso
de Agility.
Agiliteiros:
Qual é sua freqüência normal de treinos?
Roger Coor:
Treinamos nos equipamentos duas vezes por semana e dou
aula uma vez por semana, das quais ele participa também.
Porém, várias vezes por dia fazemos brincadeiras
que têm a ver com Agility, que no final dão
algumas horas, mas que contadas individualmente, não
passam de cinco minutos.
Agiliteiros:
Você aprende muito vendo outros conduzirem?
Roger Coor:
Sim, e há vários condutores que eu páro
para assistir em pista: Nancy Gyes, Elicia Calhoun, Terry
Smorch, Linda Kipp, Sharon Nelson, Jen Pinder, Kathy Leggett,
Barb Davis, Joan Myers e Erin Shaffer, para mencionar
alguns.
Agiliteiros:
Você reconhece o seu estilo de conduzir em alguns
desses condutores que admira?
Roger Coor:
Eu acho que meu estilo é um pouco diferente do
desses condutores, com meu cão posso mesclar a
velocidade e a proximidade ao cão, cada qual exigido
em pontos distintos do percurso. Percebi isso claramente
no Mundial de Lievin. Lá, a maioria dos percursos
exigia proximidade ao cão, mas no segundo percurso
por times posso afirmar que meu cão estava muito
ligado em mim e que poderia conduzi-lo à distância
desde o começo. Quando chegamos no slalom, onde
todos estavam optando por ficar muito próximo ao
cão para evitar que saídas do obstáculo
antes da hora, eu o mandei a uns cinco metros de distância
e surpreendi os espectadores, que não esperavam
por esse tipo de condução naquela parte
do percurso. Ao invés de ficar ao lado dele no
slalom, eu sabia que havia um obstáculo complicado
na saída, então me distanciei mais ainda
enquanto ele fazia o slalom. De novo, as pessoas se surpreenderam,
foi ousado mas me ajudou a controlá-lo na seqüência
seguinte do percurso. Acho que tenho meu estilo próprio:
fazer o que funciona melhor para meu cão. Muitas
vezes me dizem que apesar de Moso ser pequeno, eu o conduzo
como um cão grande. Não tenho medo de tirar
o "grande cão" de um cão pequeno
e então deixá-lo correr. Eu gosto de conduzir
esse cão!
Agiliteiros:
É muito diferente competir fora dos Estados
Unidos?
Roger Coor:
Sempre que vamos de uma organização a outra,
há uma visão levemente diferente da abordagem
em relação às seqüências
e aos obstáculos e isso vale também em relação
à FCI. Leva um certo tempo de treinamento para
nos acostumar, mas é ótimo para estimular
minhas habilidades de condução, então
gostei muito das experiências. Acho que o Campeonato
Mundial da FCI é fantástico, junta o mundo
do Agility e difunde o esporte em todos os sentidos. Todos
podem observar o que há de melhor no mundo e levar
para casa idéias para melhorar seu próprio
desempenho. É também uma ótima oportunidade
de conhecer os condutores do resto do mundo, o que eu
gosto muito. A altura dos saltos na FCI é diferente
das associações de Agility dos Estados Unidos.
Temos cerca de cinco grandes entidades de Agility que
estão em crescimento, sendo a AKC a maior e cada
uma delas tem um formato diferente para conduzir seu campeonato:
um deles tem quatro ou cinco provas, combinadas com percursos
longos, com 30 a 40 obstáculos, outro tem provas
preliminares qualificatórias por todo o país,
que coroa seu vencedor em uma prova que reúne os
melhores de cada regional.
Agiliteiros:
O que o Mundial tem de melhor?
Roger Coor:
Foi uma agradável supresa conversar com pessoas
de diferentes países e elas me dizerem o quanto
nós nos saímos melhores como dupla em relação
ao ano anterior. Ainda recebo a mesma quantidade de convites
para apresentar seminários, tenho que fazer hora
extra para me organizar para não perder o controle
na minha empresa de arquitetura. Depois do Mundial, fiquei
dois meses correndo atrás do atraso, se bem que
com toda essa coisa de seminários, de julgar e
de competir todo fim de semana, fica difícil manter
as coisas em dia.
Agiliteiros:
Como foi a primeira vez que vocês representaram
os Estados Unidos em uma competição fora
do país?
Roger Coor:
A primeira vez foi o Mundial de Agility de 2002, na Alemanha,
em que ele participou da prova individual. Ao fim do primeiro
dia, estávamos em terceiro lugar, mas nos desclassificamos
na outra prova. Eu estava muito nervoso antes, mas me
senti aliviado quando vi os percursos. Não é
nada do que você nunca tenha visto na vida. Estranhamente,
o local em que me senti mais confortável foi na
pista. É onde estou em meu ambiente e em minha
zona de segurança.
Agiliteiros:
Ver o percurso alivia sua ansiedade?
Roger Coor:
Fico muito nervoso quando chego ao local da competição,
mas quando vejo o percurso sendo montado e logo que está
terminado, não importa o quanto difícil
seja, eu sei o que eu preciso fazer, estou em meu ambiente
e aí relaxo. Quanto mais complicado o percurso,
maiores as minhas chances de ficar entre os primeiros,
pois confio em minha capacidade de encontrar o melhor
fluxo em qualquer percurso. Quando me acalmo, vou aquecer
meu cão e basta ele ver os obstáculos para
ficar excitado. Seu aquecimento normalmente é com
saltos, um pouco mais alto em comparação
aos da prova, para ele se lembrar de recolher as pernas.
Faço também um exercício entre vários
saltos, porém treinando apenas curvas sem abordá-los,
para que ele se lembre que não deve pular tudo
que encontra pela frente. Aí, faço um exercício
de Obediência para fazer com que ele se concentre
em mim. Aí, estou pronto para ir à linha
de partida e lá, digo a mim mesmo "às
favas quem não sabe brincar" e "nós
estamos participando disso pela diversão",
que é um lema tradicional no Gambling.
Agiliteiros:
Então, Agility é basicamente diversão...
Roger Coor:
Sim! Para mim, Agility significa entrar em pista pela
vitória, não no sentido de evitar a derrota,
mas sim de viver bons momentos, fazer o que gosto de fazer,
me divertir e se der certo, deu - essa é a vitória!
Depois da prova, sempre podemos ver qual foi nossa classificação
e isso não deve nos assustar quando entramos em
pista. Eu me sinto muito feliz e relaxado quando entro
em pista, pois entro focado no prazer do percurso. Quero
que meu cão goste de treinar e de participar de
provas, e que seja bom para que as pessoas sintam prazer
em vê-lo em pista. Se eu concentrar na minha diversão,
tudo mais perde a importância... Não posso
controlar o desempenho dos outros condutores, mas tenho
controle sobre o quão bem eu posso me sentir, então
se nós vamos lá e damos o melhor de nós
mesmos, isso é o importante. O melhor prêmio,
sempre, é no fim do dia voltar para casa feliz
com meu cão feliz.
Agiliteiros:
Você esperava resultados melhores no Mundial de
2004?
Roger Coor:
Eu esperava bons resultados. Moso raramente volta para
a entrada do túnel, se isso não tivesse
acontecido, teríamos ganhado o Mundial! Nos times,
ele foi o mais rápido entre todos os Mini e Midis
na segunda pista, mas infelizmente meus companheiros do
time não tiveram a mesma sorte. Prova de times
é assim mesmo, faz parte.
Agiliteiros:
A sorte conta muito?
Roger Coor:
Sorte é importante, mas quanto mais você
consegue ver seu cão e trabalhar com ele, mais
você faz sua própria sorte. Nos Estados Unidos,
para entrar no time do Mundial, é necessário
se qualificar para poder competir. Achei muito interessante
observar os condutores que entraram com dois cães.
Todos os que competiram com dois cães acabaram
ficando com eles em colocações seguidas,
assim se um cão ficou em primeiro, o outro ficou
em segundo ou se um ficou em 14º. e o outro, em 15º.
Isso mostra que o condutor tem muito a ver com isso, principalmente,
ou especialmente, entre os condutores top.
Agiliteiros:
Você teve um treinamento diferenciado para o Mundial
do ano passado?
Roger Coor:
Faz muito calor nos meses que antecedem o Mundial, mais
de 40 graus, então treinávamos cerca de
uma hora de três a seis vezes por semana, ao pôr
do sol, por vários meses. Por causa do calor, nessa
época do ano não temos provas nas redondezas
e como não há nada como uma boa competição
para treinar para outra competição, em diversas
ocasiões viajamos diversas vezes para a Califórnia
para competirmos por lá.
Agiliteiros:
Como é a vida dele em casa?
Roger Coor:
Em casa ou na pista, antes de mais nada, ele é
um membro de nossa família, tanto que ele costumava
dormir comigo e com minha esposa, mas ultimamente tem
preferido dormir na sua própria caminha, ao meu
pé de nossa cama. Como não tenho muito espaço
em casa, invento diversas brincadeiras para ele. Tenho
alguns obstáculos miniatura que cabem em minha
caminhonete e que algumas vezes por semana levo ao parque
para ele se divertir. Eu também dou aulas em nosso
clube e claro, ele tem a oportunidade de demonstrar os
exercícios das aulas no equipamento padrão.
Moso tem muita energia, requer bastante atenção
e muitas pessoas nem sempre estão dispostas a dar.
Atualmente, temos outro cão, mais velho, que praticamente
só fica deitado, então estamos procurando
uma noiva para Moso, para ficarmos com um filhote. Ele
já está com sete anos e é realmente
um cão que vale por uma vida inteira. Se um dia
eu tiver um cão quase tão legal quanto ele,
serão duas vezes uma vida inteira na minha vida.
Agiliteiros:
Que outras atividades ele faz além do Agility?
Roger Coor:
Moso é CDX (Companion Dog Excellence, segundo grau
em) e está trabalhando para obter o Utility, que
é o grau máximo em Obediência. Ele
também faz longas caminhadas, de uns 20 km e de
uma a três vezes por semana, ele nada por 45 minutos.
Agiliteiros:
O que é o pior do Agility?
Roger Coor:
Ver pessoas
abusando da rudeza com seus cães. Não
acho que seja necessário e não aprovo. Nós
somos uma dupla e se eu for agressivo ou rude com meu
cão, estarei minando o relacionamento e vou pagar
o preço disso muitas vezes no futuro. Em ocasiões
muito raras, se o cão está sendo verdadeiramente
hostil, é necessário tomar medidas para
resolver essa questão antes de entrar em pista,
mas sem agressões! Se
um cão faz algo de errado, provavelmente porque
o condutor errou ou foi displicente, e mesmo que não
tenha feito, é uma questão do treinamento.
Corrigir é uma coisa, agressão é
outra. Se estiver em dúvida, não faça.
Se você estiver bravo com seu cão, deixa-o
de lado e acalme-se até ter de novo controle de
si mesmo, ou você vai tomar atitudes das quais se
arrependerá no futuro. Os condutores top têm
diferentes idéias a respeito de treinamento, mas
todos, sem exceção, respeitam muito seus
cães - ou não seriam condutores top.
Agiliteiros:
Qual é a melhor coisa do Agility?
Roger Coor:
É aquele encanto mágico
que existe entre mim e meu cão que faz com que
tudo dê certo na pista.