Enquanto
se fala no domínio dos pastores de shetland na categoria
Midi, uma raça com menos pompa vem se destacando nas provas
em toda a Europa, em especial na França: trata-se do Pastor
dos Pirineus, uma raça antiga no continente bastante empregada
no pastoreio em regiões montanhosas. Se a escolha do filhote
é essencial para o sucesso do condutor de agility, Sylvain
Jacquemin deu muita sorte ao levar Mira para casa: seu
interesse pelo agility surgiu quando levou sua pet para
aulas de obediência.
Aos
cinco anos de idade, a cadela tem um currículo de dar
inveja. Além dos vários títulos conquistados na França,
logo em sua estréia em Mundiais, Sylvain e Mira, na época
com dois anos de idade, encantaram Dortmund e ajudaram
a França a conquistar o pódio na categoria mini por times.
No ano seguinte, obtiveram a 4a. colocação por times em
Helsinki e em Porto 2001, a dupla mostrou que não se dá
bem apenas em trabalho de equipe e conquistou a vice colocação
na categoria mini individual, com meio segundo de diferença
para a campeã, a russa Elena Klokova e seu poodle Diamond.
Como ter sucesso com um Pastor
dos Pirineus?
É
preciso trabalhar bastante, sobretudo porque o Pastor
dos Pirineus é um excelente cão de trabalho que exige
muita atenção, de ser bem canalizada. Levei bastante tempo
para encontrar a forma correta de trabalhar.
Mira é seu primeiro cão de agility?
Sim.
Comecei a fazer obediência com ela há três anos, sob orientação
da criadora, que me advertiu que o Pastor dos Pirineus
é um cão de temperamento forte. Fui muito bem orientado
em um clube de educação canina, tinha muita confiança
nas pessoas que me orientaram e depois progredimos muito,
principalmente por Mira ser um cão excepcional.
Como você avalia sua condução?
O
que mais me interessa no relacionamento condutor-cão é
a explosão. Eu adoro ir à maior velocidade possível com
condução muito próxima do cão, correr com ela, motivá-la
ao extremo e é assim que conduzo nas provas. Mira faz
muito bem seu trabalho e eu tento fazer bem o meu.
Há quanto tempo você faz parte
da equipe francesa?
Foi
minha terceira seleção. Fui pré-selecionado para Dortmund
em 1999, Helsinque em 2000 e Porto em 2001.
Como foi seu primeiro mundial?
Guardo
ótimas lembranças. Foi minha primeira grande competição
internacional e foi extraordinário: os torcedores, o ambiente,
as pessoas e principalmente nosso resultado. A equipe
francesa foi muito bem. Pessoalmente, tive a chance de
me envergonhar de pequenas coisas - que já corrigi - no
que diz respeito a gestão de momentos importantes. Eu
fui o primeiro a entrar na primeira prova (jumping) e
a pressão vem por mais que você esteja preparado. Aí você
passa em último no dia seguinte e isso foi bem complicado
para mim, não soube administrar a situação. Se não fui
campeão individual mini naquela ocasião, a culpa foi toda
minha. Tive uma chance real de ganhar, mas não soube aproveitá-la.
Faltou um pouco de experiência.
Sua
preparação física tem um papel importante?
Parei
de fumar, fiz squash por um ano junto com meu amigo Olivier
Adyns, também da equipe francesa, mas infelizmente ele
se machucou e tivemos que parar. Tenho necessidade de
praticar um esporte vivo, físico, rápido, para ajudar
no meu desempenho em pista. Reparei que com Mira, mesmo
ela não sendo o cão mais veloz do mundo, é necessário
que eu esteja em sintonia com ela e fazê-la ter uma boa
arrancada por trás normalmente faz a diferença. Ela adora
isso e também gosta muito de mim, ela quer participar
da brincadeira a fundo e ela dá o máximo de si. Eu sou
físico em minha condução porque eu amo isso, eu adoro
estar perto da minha cadela, adoro correr.
Você pratica outros esportes caninos
com Mira?
Não
tenho muita chance. De vez em quando a levo para pastorear
ovelhas, apesar dos meus compromissos profissionais um
pouco apertados. Mira é uma cadela de trabalho no sentido
lato da palavra.
Você pretende conduzir um border
collie ainda?
Boa
pergunta. Eu descobri o border collie com Lagune, o cão
de minha namorada, Nathalie. É um cão que, quando precisa
ir, vai; quando precisar de calma, fica calmo. É uma raça
que me agrada muito e, mais tarde, acho que vou aceitar
esse desafio.
Sua namorada é agiliteira também?
Sim,
ela até foi pré-selecionada com Lagune e todos os anos
participa de finais nacionais. É um cão excelente que
precisa ser conduzido a 110% para ganhar e tendo em vista
a concorrência em sua categoria, Nathalie precisa de um
pouco mais de trabalho físico, mas ela tem um relacionamento
com seu cão, que todo condutor gostaria de ter. Ela conduz
suavemente, sem movimentos bruscos, conciso, de forma
muito feminina e funciona bem. Comigo, certamente não
é mais rápido, mas ele tem mais arrancadas. Nathalie me
abriu os olhos sobre a forma de gerenciar a rotina com
o cão e nesse sentido devo muito a ela.
Administrar
o stress é primordial?
Percebi
que é hiperprimordial, visto que foi esse meu problema
no Campeonato Mundial em Dortmund. Eu entrei na pista
com o coração a milhão e perdi muitos de meus recursos.
Mira sentiu isso enormemente e isso a colocou também sob
pressão. Nesses casos, estamos no fio da navalha e pode
tanto dar tudo certo como não. O grande progresso que
tivemos nos últimos anos, é saber trabalhar todos os elementos,
graças à experiência e confiança.
Gilles
Thiriet disse que a capacidade mental conta em 70% em
sua escolha dos pré-selecionados. O que você acha?
Ele
tem razão, pois bons cães nós temos. Podemos rivalizar
sem problemas com os cães dos outros países tanto em velocidade
como em técnica. No entanto, a preparação mental é o pequeno
diferencial da equipe da França. Gilles nos coloca sob
pressão à sua maneira. Nunca estamos bons, somos medianos
e precisamos sempre fazer melhor e acho que é dessa forma
que estamos progredindo.