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Sylvain Jacquemin
Preparo físico, técnico e mental: as receitas de um campeão
 texto e foto © agility-france
Tradução: Adriana Mori

 

Enquanto se fala no domínio dos pastores de shetland na categoria Midi, uma raça com menos pompa vem se destacando nas provas em toda a Europa, em especial na França: trata-se do Pastor dos Pirineus, uma raça antiga no continente bastante empregada no pastoreio em regiões montanhosas. Se a escolha do filhote é essencial para o sucesso do condutor de agility, Sylvain Jacquemin deu muita sorte ao levar Mira para casa: seu interesse pelo agility surgiu quando levou sua pet para aulas de obediência.

Aos cinco anos de idade, a cadela tem um currículo de dar inveja. Além dos vários títulos conquistados na França, logo em sua estréia em Mundiais, Sylvain e Mira, na época com dois anos de idade, encantaram Dortmund e ajudaram a França a conquistar o pódio na categoria mini por times. No ano seguinte, obtiveram a 4a. colocação por times em Helsinki e em Porto 2001, a dupla mostrou que não se dá bem apenas em trabalho de equipe e conquistou a vice colocação na categoria mini individual, com meio segundo de diferença para a campeã, a russa Elena Klokova e seu poodle Diamond.

Como ter sucesso com um Pastor dos Pirineus?

É preciso trabalhar bastante, sobretudo porque o Pastor dos Pirineus é um excelente cão de trabalho que exige muita atenção, de ser bem canalizada. Levei bastante tempo para encontrar a forma correta de trabalhar.

Mira é seu primeiro cão de agility?

Sim. Comecei a fazer obediência com ela há três anos, sob orientação da criadora, que me advertiu que o Pastor dos Pirineus é um cão de temperamento forte. Fui muito bem orientado em um clube de educação canina, tinha muita confiança nas pessoas que me orientaram e depois progredimos muito, principalmente por Mira ser um cão excepcional.

Como você avalia sua condução?

O que mais me interessa no relacionamento condutor-cão é a explosão. Eu adoro ir à maior velocidade possível com condução muito próxima do cão, correr com ela, motivá-la ao extremo e é assim que conduzo nas provas. Mira faz muito bem seu trabalho e eu tento fazer bem o meu.

Há quanto tempo você faz parte da equipe francesa?

Foi minha terceira seleção. Fui pré-selecionado para Dortmund em 1999, Helsinque em 2000 e Porto em 2001.

Como foi seu primeiro mundial?

Guardo ótimas lembranças. Foi minha primeira grande competição internacional e foi extraordinário: os torcedores, o ambiente, as pessoas  e principalmente nosso resultado. A equipe francesa foi muito bem. Pessoalmente, tive a chance de me envergonhar de pequenas coisas - que já corrigi - no que diz respeito a gestão de momentos importantes. Eu fui o primeiro a entrar na primeira prova (jumping) e a pressão vem por mais que você esteja preparado. Aí você passa em último no dia seguinte e isso foi bem complicado para mim, não soube administrar a situação. Se não fui campeão individual mini naquela ocasião, a culpa foi toda minha. Tive uma chance real de ganhar, mas não soube aproveitá-la. Faltou um pouco de experiência.

Sua preparação física tem um papel importante?

Parei de fumar, fiz squash por um ano junto com meu amigo Olivier Adyns, também da equipe francesa, mas infelizmente ele se machucou e tivemos que parar. Tenho necessidade de praticar um esporte vivo, físico, rápido, para ajudar no meu desempenho em pista. Reparei que com Mira, mesmo ela não sendo o cão mais veloz do mundo, é necessário que eu esteja em sintonia com ela e fazê-la ter uma boa arrancada por trás normalmente faz a diferença. Ela adora isso e também gosta muito de mim, ela quer participar da brincadeira a fundo e ela dá o máximo de si. Eu sou físico em minha condução porque eu amo isso, eu adoro estar perto da minha cadela, adoro correr.

Você pratica outros esportes caninos com Mira?

Não tenho muita chance. De vez em quando a levo para pastorear ovelhas, apesar dos meus compromissos profissionais um pouco apertados. Mira é uma cadela de trabalho no sentido lato da palavra.

Você pretende conduzir um border collie ainda?

Boa pergunta. Eu descobri o border collie com Lagune, o cão de minha namorada, Nathalie. É um cão que, quando precisa ir, vai; quando precisar de calma, fica calmo. É uma raça que me agrada muito e, mais tarde, acho que vou aceitar esse desafio.

Sua namorada é agiliteira também?

Sim, ela até foi pré-selecionada com Lagune e todos os anos participa de finais nacionais. É um cão excelente que precisa ser conduzido a 110% para ganhar e tendo em vista a concorrência em sua categoria, Nathalie precisa de um pouco mais de trabalho físico, mas ela tem um relacionamento com seu cão, que todo condutor gostaria de ter. Ela conduz suavemente, sem movimentos bruscos, conciso, de forma muito feminina e funciona bem. Comigo, certamente não é mais rápido, mas ele tem mais arrancadas. Nathalie me abriu os olhos sobre a forma de gerenciar a rotina com o cão e nesse sentido devo muito a ela.

Administrar o stress é primordial?

Percebi que é hiperprimordial, visto que foi esse meu problema no Campeonato Mundial em Dortmund. Eu entrei na pista com o coração a milhão e perdi muitos de meus recursos. Mira sentiu isso enormemente e isso a colocou também sob pressão. Nesses casos, estamos no fio da navalha e pode tanto dar tudo certo como não. O grande progresso que tivemos nos últimos anos, é saber trabalhar todos os elementos, graças à experiência e confiança.

Gilles Thiriet disse que a capacidade mental conta em 70% em sua escolha dos pré-selecionados. O que você acha?

Ele tem razão, pois bons cães nós temos. Podemos rivalizar sem problemas com os cães dos outros países tanto em velocidade como em técnica. No entanto, a preparação mental é o pequeno diferencial da equipe da França. Gilles nos coloca sob pressão à sua maneira. Nunca estamos bons, somos medianos e precisamos sempre fazer melhor e acho que é dessa forma que estamos progredindo.

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