Home
O Agility
Entrevistas
Internacionais
The Journal
Treinamento
Raças
Saúde
Videos
Nós, Agiliteiros
Direito dos Animais
Galeria de Eventos
Crônicas e Contos
Indicações
Links
Jogos
Chat
Quem somos
Fale Conosco
 
Parceiros
 
Compare produtos, lojas e preços
Digite produto ou marca
 
 
.
www.flickr.com
This is a Flickr badge showing public photos from MIBSASHA tagged with sasha. Make your own badge here.
FREESTYLE
Quer dançar comigo?
Por Adriana Mori

Que tal tirar seu melhor amigo para dançar? É essa a proposta do Freestyle, um esporte em que a ritmo e sintonia entre homem e cão é o que mais conta. Para quem olha de fora, pode parecer apenas pessoas dançando com seus cães, mas os praticantes garantem ser uma forma divertida de treinar e aumentar a ligação com seus cães.


Carolyn & Rookie

"Já tinha ouvido falar no Freestyle e me interessei muito, pois antes de ser treinadora de cães eu era dançarina e coreógrafa. Fiz parte de um grupo convidado pelos organizadores de uma competição de obediência para fazer uma demonstração com nossos cães de foi um sucesso!", lembra Joan Tennille, adestradora e presidente da Canine Freestyle Federation, praticante o esporte há 12 anos. "Fomos então chamados para fazer outras demonstrações e ministrar seminários por todo o país. Depois de alguns anos, criamos uma associação de forma a aglutinar pessoas interessadas sob uma entidade com regras, exibições e competições próprias", diz.

"Comecei com um border collie, um bloodhound e golden retrievers. Hoje podemos encontrar nas pistas muitas raças diferentes e até mesmo cães sem raça definida", diz Joan.


Pam Martin & Pilot

O esporte tem o apoio do American Kennel Club (AKC), mas se mantém independente, pois a entidade cinófila só aceita em seus eventos cães de raça com pedigree. "Nós acreditamos que o Freestyle seja um esporte para todos os cães, independente da raça", declara Patie Ventre, presidente da World Canine Freestyle Organization, a maior entidade do esporte no mundo, que conta hoje com 900 associados em 14 países diferentes.

O esporte foi criado no começo da década de 90, simultaneamente em dois países: na Inglaterra, com a adestradora Mary Ray e no Canadá, com Del Culpis, que criou as regras e o formato das competições seguidas pelas entidades americanas. "Quando estive na Inglaterra, li um artigo a respeito desse novo esporte e achei muito interessante. Na época, eu era diretora de divulgação de um grande evento canino de obediência, a Obedience Classic Original, e solicitei ao patrocinador um espaço, durante o evento, para uma demonstração de Freestyle", lembra. Foram convidados então adestradores para participar dessa demonstração e foi um sucesso. "O patrocinador então começou a bancar a equipe, fomos fazendo demonstrações em todo o país até que montamos a World Canine Freestyle Organization", conta Patie.

Prazer para dono e cão

Primeiro os cães aprendem os passos e movimentos básicos do esporte, como voltas para a esquerda, direita e piruetas completas. "Depois todos esses elementos são combinados em rotinas. Levamos cerca de seis meses para juntar esses passos e montar uma coreografia completa", comenta Joan. Antes de mais nada, é necessário escolher a música sobre a qual vai se trabalhar, que pode ir desde música clássica até rock'n'roll.

"É tudo uma questão de juntar os movimentos em uma coreografia compatível com o ritmo da música. Tudo no Freestyle é questão de coordenação: o condutor com o cão, os movimentos e a sua adequação ao tipo de música. Os cães têm tanta noção dessa compatibilidade que se eles acharem que a música escolhida não combina com os passos, não vão nem se mexer", comenta Patie.

Uma vez escolhida a música, sua estrutura vai ajudar a montar a coreografia. "O importante é que o cão e o condutor estejam entrosados, fluam e se mesclem conforme a música", diz Joan.
"Fica muito claro que o Freestyle é um reflexo da relação com o cão e ao mesmo tempo com a música", diz Joan. "A essência do freestyle é em uma coreografia, criar uma imagem de que o condutor e o cão são um só. É um exemplo de controle total e de parceria entre homem e cão. É emocionante tanto para nós como para o público, tem horas em que olhamos para a audiência e eles ficam visivelmente emocionados, vivo ouvindo que o freestyle parece um balé", comenta.


"O trabalho em grupo envolvido é incrível. Temos de trabalhar juntos em qualquer esporte canino, seja agility, obediência ou freestyle, só que no freestyle, um momento em que faltei com a informação ao meu cão, a rotina toda está comprometida. No agility, isso pode significar alguns segundos perdidos, no freestyle isso pode significar o fim da chance da dupla se sair bem na competição", diz Joan.

Para começar a treinar

"As aulas de freestyle são únicas, pois os instrutores ensinam coisas bem diferentes, como performance artística, montar coreografias, escolha de músicas e aspectos técnicos, entre outros tópicos. Normalmente as aulas duram duas horas e o cão não trabalha todo o tempo", diz, Joan, que há dez anos é instrutora do esporte.

Apesar de ter fundado a World Canine Freestyle Organization, Patie Ventre só veio a praticar o esporte em 1999. "Eu mesma treino minha Border Collie Dancer desde filhote e hoje competimos no nível intermediário. Por seis anos fiquei apenas na organização dos eventos e demonstrações, mas participava de tudo de tal forma que começaram a me perguntar quando eu praticaria Freestyle. Quando ganhei minha cadela, achei que podia juntar o prazer de estar com um cão, com algo que realmente me atraía e, se soubesse que era tão bom, teria arranjado tempo antes para treinar", diz Patie.

Sabendo os movimentos, dá para treinar em qualquer lugar. "Quando estou em casa e quero treinar um pouco, vou para o quintal com Dancer, coloco a música e saio dançando com ela. Também treino na sala de estar e de jantar, e até mesmo na cozinha. É um esporte que não requer nenhum equipamento extravagante, dá para treinar em qualquer canto da casa! Freestyle é basicamente estar feliz e se divertir com seu cão", diz Patie. E a diversão não é só dela. "Dancer cria mais da metade de nossas rotinas, inventa movimentos, fica feliz só de ouvir músicas. É a coisa que ela mais adora no mundo. Para mim, é um anti-estressante poderoso. Uma hora de freestyle acaba com um dia inteiro de stress: se eu puder dançar por dez minutos com Dancer, eu rio, danço, me divirto. E pelo que sei o freestyle contagia todos os cães, pois nunca vi um que não gostasse de praticar esse esporte", elogia Patie.

Bom para o espírito, bom para a saúde

Apesar de não envolver nenhum tipo de esforço físico extremo, o Freestyle requer muito da capacidade mental do cão. "Assim, se a pessoa estiver nesse esporte com seu cão, porque gosta desse tipo de trabalho, é ótimo, mas se o objetivo for apenas ganhar títulos competições, deveria evitar este e outros esportes caninos", recomenda a veterinária americana Myrna Milani, especialista em comportamento animal.

Para ela, a expectativa colocada por determinados donos pode provocar stress. "Se praticado de forma saudável, em que o cão bem condicionado e com estrutura física adequada pode suportar o esforço físico e mental, pode melhorar a convivência, pois dessa forma o esporte tende a ser uma atividade prazerosa e agradável para o cão, que reconhece no dono uma pessoa que está envolvida com sua alegria", destaca a comportamentalista.

A receita é simples: o relacionamento melhora se o cão estiver feliz praticando o esporte. "Forçar um cão não muito afeito a obediência a praticar Freestyle pode causar stress que normalmente se manifesta por problemas clínicos ou psicológicos como distúrbios variados de temperamento, ansiedade, diarréia, coprofagia e lamber partes do corpo, especificamente patas, até ferir", enumera Myrna. Para ela, o esporte deve ser encarado como brincadeira. "Pode até ser encarado de forma competitiva, mas a idéia é que independente do resultado esteja sendo uma celebração da parceria entre duas espécies diferentes", diz Myrna.

As diferenças entre as entidades

As principais entidades de freestyle dos Estados Unidos (país onde se concentra o maior número de praticantes do mundo) têm algumas diferenças quanto a regras e divisão de categorias:

CFF

· Quatro níveis diferentes. O competidor pode escolher em qual deles se sente mais à vontade. Cada nível têm passos que devem constar da rotina:

Níveis 1 (com guia) e 2: Mudanças de direção, uso do espaço para mostrar o cão, criatividade e beleza de movimentos. Tempo de execução: 90 a 150 segundos

Nível 3: Movimentos laterais. Tempo de execução: 150 a 180 segundos

Nível 4: Conduzir a distância. Tempo de execução: 120 a 210 seguntos

· Não pode usar fantasias, nem no cão e nem no condutor

· As duplas são julgadas segundo cinco critérios: treino, trabalho em equipe, coreografia, adequação à música e apresentação. Há dois juízes em pista, que atribuem pontuação aos quesitos.

WCFO

· Possui três categorias e as duplas devem se submeter a exames de proficiência para mudar de nível. Além disso, conforme os resultados nas competições, são conferidos títulos de campeonato para o cão;

· Cão e condutor podem se customizar de acordo com a música escolhida, mas é ponto facultativo;

· As duplas são julgadas segundo cinco critérios: raça (os juízes devem conhecer as características de cada raça e saber que tipo de rotina estaria na capacidade de cada cão), obediência, música, coreografia e apresentação. Cada dupla é julgada por três juízes.

Para todas as entidades
· É proibido:

- Tocar o cão, desde que não seja propositado;

- Entrar em pista com petiscos ou brinquedos na mão;

- Falar com o cão em voz alta. "Os diálogos podem acontecer, desde que não seja ouvido pelos juízes", diz Joan;

- Abandonar a pista no meio da performance;

- O cão latir exageradamente durante a execução da coreografia;

- Tratar o cão de forma indelicada.

Para saber mais:

The World Canine Freestyle Orgazination
www.worldcaninefreestyle.org

Canine Freestyle Federation
www.canine-freestyle.org

Musical Dog Sport
www.musicaldogsport.org

Fotos desta matéria
http://www.musicaldogsport.org/pictures.htm

© Agiliteiros.com- 2001-2009 . Todos os direitos reservados