Que
tal tirar seu melhor amigo para dançar? É
essa a proposta do Freestyle, um esporte em que a ritmo
e sintonia entre homem e cão é o que mais
conta. Para quem olha de fora, pode parecer apenas pessoas
dançando com seus cães, mas os praticantes
garantem ser uma forma divertida de treinar e aumentar
a ligação com seus cães.

Carolyn
& Rookie
"Já
tinha ouvido falar no Freestyle e me interessei muito, pois
antes de ser treinadora de cães eu era dançarina
e coreógrafa. Fiz parte de um grupo convidado pelos
organizadores de uma competição de obediência
para fazer uma demonstração com nossos cães
de foi um sucesso!",
lembra Joan Tennille, adestradora e presidente da Canine
Freestyle Federation, praticante o esporte há 12
anos. "Fomos então chamados para fazer
outras demonstrações e ministrar seminários
por todo o país. Depois de alguns anos, criamos uma
associação de forma a aglutinar pessoas interessadas
sob uma entidade com regras, exibições e competições
próprias", diz.
"Comecei
com um border collie, um bloodhound e golden retrievers.
Hoje podemos encontrar nas pistas muitas raças diferentes
e até mesmo cães sem raça definida",
diz Joan.

Pam
Martin & Pilot
O esporte
tem o apoio do American Kennel Club (AKC), mas se mantém
independente, pois a entidade cinófila só
aceita em seus eventos cães de raça com pedigree.
"Nós acreditamos que o Freestyle seja
um esporte para todos os cães, independente da raça",
declara Patie Ventre, presidente da World Canine Freestyle
Organization, a maior entidade do esporte no mundo, que
conta hoje com 900 associados em 14 países diferentes.
O esporte
foi criado no começo da década de 90, simultaneamente
em dois países: na Inglaterra, com a adestradora
Mary Ray e no Canadá, com Del Culpis, que criou as
regras e o formato das competições seguidas
pelas entidades americanas. "Quando estive na
Inglaterra, li um artigo a respeito desse novo esporte e
achei muito interessante. Na época, eu era diretora
de divulgação de um grande evento canino de
obediência, a Obedience Classic Original, e solicitei
ao patrocinador um espaço, durante o evento, para
uma demonstração de Freestyle",
lembra. Foram convidados então adestradores para
participar dessa demonstração e foi um sucesso.
"O patrocinador então começou a
bancar a equipe, fomos fazendo demonstrações
em todo o país até que montamos a World Canine
Freestyle Organization", conta Patie.

Prazer
para dono e cão
Primeiro
os cães aprendem os passos e movimentos básicos
do esporte, como voltas para a esquerda, direita e piruetas
completas. "Depois todos esses elementos são
combinados em rotinas. Levamos cerca de seis meses para
juntar esses passos e montar uma coreografia completa",
comenta Joan. Antes de mais nada, é necessário
escolher a música sobre a qual vai se trabalhar,
que pode ir desde música clássica até
rock'n'roll.

"É
tudo uma questão de juntar os movimentos em uma coreografia
compatível com o ritmo da música. Tudo no
Freestyle é questão de coordenação:
o condutor com o cão, os movimentos e a sua adequação
ao tipo de música. Os cães têm tanta
noção dessa compatibilidade que se eles acharem
que a música escolhida não combina com os
passos, não vão nem se mexer",
comenta Patie.

Uma
vez escolhida a música, sua estrutura vai ajudar
a montar a coreografia. "O importante é
que o cão e o condutor estejam entrosados, fluam
e se mesclem conforme a música", diz
Joan.
"Fica muito claro que o Freestyle é um
reflexo da relação com o cão e ao mesmo
tempo com a música", diz Joan. "A
essência do freestyle é em uma coreografia,
criar uma imagem de que o condutor e o cão são
um só. É um exemplo de controle total e de
parceria entre homem e cão. É emocionante
tanto para nós como para o público, tem horas
em que olhamos para a audiência e eles ficam visivelmente
emocionados, vivo ouvindo que o freestyle parece um balé",
comenta.

"O trabalho em grupo envolvido é incrível.
Temos de trabalhar juntos em qualquer esporte canino, seja
agility, obediência ou freestyle, só que no
freestyle, um momento em que faltei com a informação
ao meu cão, a rotina toda está comprometida.
No agility, isso pode significar alguns segundos perdidos,
no freestyle isso pode significar o fim da chance da dupla
se sair bem na competição", diz
Joan.

Para
começar a treinar
"As
aulas de freestyle são
únicas, pois os instrutores ensinam coisas bem diferentes,
como performance artística, montar coreografias,
escolha de músicas e aspectos técnicos, entre
outros tópicos. Normalmente as aulas duram duas horas
e o cão não trabalha todo o tempo",
diz, Joan, que há dez anos é instrutora do
esporte.
Apesar de
ter fundado a World Canine Freestyle Organization, Patie
Ventre só veio a praticar o esporte em 1999. "Eu
mesma treino minha Border Collie Dancer desde filhote e
hoje competimos no nível intermediário. Por
seis anos fiquei apenas na organização dos
eventos e demonstrações, mas participava de
tudo de tal forma que começaram a me perguntar quando
eu praticaria Freestyle. Quando ganhei minha cadela, achei
que podia juntar o prazer de estar com um cão, com
algo que realmente me atraía e, se soubesse que era
tão bom, teria arranjado tempo antes para treinar",
diz Patie.

Sabendo os
movimentos, dá para treinar em qualquer lugar. "Quando
estou em casa e quero treinar um pouco, vou para o quintal
com Dancer, coloco a música e saio dançando
com ela. Também treino na sala de estar e de jantar,
e até mesmo na cozinha. É um esporte que não
requer nenhum equipamento extravagante, dá para treinar
em qualquer canto da casa! Freestyle é basicamente
estar feliz e se divertir com seu cão",
diz Patie. E a diversão não é só
dela. "Dancer cria mais da metade de nossas rotinas,
inventa movimentos, fica feliz só de ouvir músicas.
É a coisa que ela mais adora no mundo. Para mim,
é um anti-estressante poderoso. Uma hora de freestyle
acaba com um dia inteiro de stress: se eu puder dançar
por dez minutos com Dancer, eu rio, danço, me divirto.
E pelo que sei o freestyle contagia todos os cães,
pois nunca vi um que não gostasse de praticar esse
esporte", elogia Patie.
Bom
para o espírito, bom para a saúde
Apesar de
não envolver nenhum tipo de esforço físico
extremo, o Freestyle requer muito da capacidade mental do
cão. "Assim, se
a pessoa estiver nesse esporte com seu cão, porque
gosta desse tipo de trabalho, é ótimo, mas
se o objetivo for apenas ganhar títulos competições,
deveria evitar este e outros esportes caninos",
recomenda a veterinária americana Myrna Milani, especialista
em comportamento animal.
Para ela,
a expectativa colocada por determinados donos pode provocar
stress. "Se praticado de forma saudável,
em que o cão bem condicionado e com estrutura física
adequada pode suportar o esforço físico e
mental, pode melhorar a convivência, pois dessa forma
o esporte tende a ser uma atividade prazerosa e agradável
para o cão, que reconhece no dono uma pessoa que
está envolvida com sua alegria", destaca
a comportamentalista.
A receita
é simples: o relacionamento melhora se o cão
estiver feliz praticando o esporte. "Forçar
um cão não muito afeito a obediência
a praticar Freestyle pode causar stress que normalmente
se manifesta por problemas clínicos ou psicológicos
como distúrbios variados de temperamento, ansiedade,
diarréia, coprofagia e lamber partes do corpo, especificamente
patas, até ferir", enumera Myrna. Para
ela, o esporte deve ser encarado como brincadeira. "Pode
até ser encarado de forma competitiva, mas a idéia
é que independente do resultado esteja sendo uma
celebração da parceria entre duas espécies
diferentes", diz Myrna.
As
diferenças entre as entidades
As principais
entidades de freestyle dos Estados Unidos (país onde
se concentra o maior número de praticantes do mundo)
têm algumas diferenças quanto a regras e divisão
de categorias:
CFF
·
Quatro níveis diferentes. O competidor pode escolher
em qual deles se sente mais à vontade. Cada nível
têm passos que devem constar da rotina:
Níveis
1 (com guia) e 2: Mudanças de direção,
uso do espaço para mostrar o cão, criatividade
e beleza de movimentos. Tempo de execução:
90 a 150 segundos
Nível
3: Movimentos laterais. Tempo de execução:
150 a 180 segundos
Nível
4: Conduzir a distância. Tempo de execução:
120 a 210 seguntos
·
Não pode usar fantasias, nem no cão e nem
no condutor
·
As duplas são julgadas segundo cinco critérios:
treino, trabalho em equipe, coreografia, adequação
à música e apresentação. Há
dois juízes em pista, que atribuem pontuação
aos quesitos.
WCFO
·
Possui três categorias e as duplas devem se submeter
a exames de proficiência para mudar de nível.
Além disso, conforme os resultados nas competições,
são conferidos títulos de campeonato para
o cão;
·
Cão e condutor podem se customizar de acordo com
a música escolhida, mas é ponto facultativo;
·
As duplas são julgadas segundo cinco critérios:
raça (os juízes devem conhecer as características
de cada raça e saber que tipo de rotina estaria na
capacidade de cada cão), obediência, música,
coreografia e apresentação. Cada dupla é
julgada por três juízes.
Para todas
as entidades
· É proibido:
- Tocar o
cão, desde que não seja propositado;
- Entrar
em pista com petiscos ou brinquedos na mão;
- Falar com
o cão em voz alta. "Os diálogos
podem acontecer, desde que não seja ouvido pelos
juízes", diz Joan;
- Abandonar
a pista no meio da performance;
- O cão
latir exageradamente durante a execução da
coreografia;
- Tratar
o cão de forma indelicada.
Para saber
mais:
The World
Canine Freestyle Orgazination
www.worldcaninefreestyle.org
Canine
Freestyle Federation
www.canine-freestyle.org
Musical
Dog Sport
www.musicaldogsport.org
Fotos
desta matéria
http://www.musicaldogsport.org/pictures.htm

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