Prestes
a decolar
No nascimento, o filhote ainda não atingiu o desenvolvimento
de seu sistema nervoso central: ele é incapaz de se
movimentar ou de se aquecer e passa 90% de seu tempo dormindo.
Seus olhos e seus condutos auditivos se abrem entre o 10o
e o 15o dia, o que não significa que antes disso o
filhote seja autista. Em plena fase vegetativa, ele percebe
certos sons e halos luminosos, seu tato proporciona sensações
precisas e ele já possui o paladar. Durante esse período,
ele adquire novas capacidades sensoriais e motoras. Sua inteligência
não existe além da bagagem genética que
se exprimirá mais ou menos de acordo com seu meio ambiente
e estímulos recebidos.
Cabeça
bem feita
Se o papel da mãe é fundamental quanto à
hierarquização e aquisição de
códigos e rituais sociais especificamente caninos,
o do dono, ajudando o cão a se situar no seio da
matilha humana e a integrar novas regras de vida em sociedade,
não é menos. Até a puberdade, o filhote
é bem maleável. Bem motivado, ele é
capaz de integrar um volume impressionante de aprendizado.
É uma fase decisiva para seu futuro caráter
de adulto e sua capacidade de compreensão. Logo,
é necessário aproveitar esse período
para "fazer corretamente sua cabeça"
e permitir que suas capacidades mentais próprias
desabrochem progressivamente.
Eu sou
um cão
Os primeiros aprendizados começam no período
de transição (do 10o - 15o até 20o
- 25o dia), de acordo com as interações com
a matilha familiar. O cão já se identifica
como cão (impregnação). Ele não
passa mais do que 65 a 70% de seu tempo dormindo, começa
a explorar seu ambiente entre as mamadas e a se comunicar
por vocalização desordenada com seus irmãos
e irmãs. Mas é durante a fase de socialização
(até o fim do quarto mês) que ele aprende as
bases da comunicação e da vida em matilha,
graças ao papel educador da mãe e das brincadeiras
com seus irmãos. Eles adquirem, notadamente, auto-controle
e noção de hierarquia, fundamentais para um
bom equilíbrio psicológico.
Uma questão
genética
Sempre ouvimos dizer: "os pastores alemães
são obedientes" ou ainda "os dobermanns
são agressivos". Ainda que generalizantes,
essas afirmações não são de
todo inverossímeis. As raças caninas foram
criadas conforme certos critérios morfológicos,
mas também com base comportamentalista. Assim, um
cão de defesa destinado à guarda deve ser
naturalmente cauteloso enquanto um cão d'água
tende a amar, instintivamente, o elemento líquido.
Um Terrier é normalmente mais invocado que um Cavalier
King Charles, destinado desde o início à companhia,
sendo quase sempre doces e pacíficos. Alguns comportamentos
parecem estar escritos nos genes, com mais ou menos vigor.
Bom cão
de caça de raça
No domínio da inteligência, os preconceitos
são numerosos. Por exemplo, como os cães de
caça não se destinam às mesmas atividades,
é difícil comparar suas capacidades. Cada
um se desenvolve mais particularmente uma parte de suas
possibilidades cognitivas em função de suas
destinações. Por outro lado, certas raças
têm reputação de serem mais inteligentes
que outras, como os Poodles. Os cães de caça
na pista da presa freqüentemente são impressionantes
e a coragem dos São Bernardos impõem sempre
respeito.Certamente existem indivíduos mais inteligentes
que outros, mas em relação a raças,
temos de levar em conta aptidões naturais diferentes.
A
força da idade
Na meia idade, antes de ser verdadeiramente idoso, o cão
está no melhor de suas capacidades. Ele conhece muitas
coisas e integrou muitas aquisições e noções
graças à experiência. Ele se sente seguro
no seio de um grupo de congêneres e seu dono tem freqüentemente
a impressão que seu cão o compreende e aproveita
perfeitamente tudo que se passa ao redor dele. Essa impressão
não é infundada, o cão conhece perfeitamente
seu ambiente. Se ele for estimulado, ele ainda é
capaz de aprender e assim será até o final.
Estimulando seu cérebro, nós o ajudamos a
amenizar os efeitos nefastos do envelhecimento sobre as
capacidades mentais.
*
O Dr. Thierry Béddosa é veterinário,
professor de Etologia e Zootecnia na Maison Alfort, unidade
de medicina esportiva e de criação e presidente
da Associação dos Comportamentalistas Franceses.
©
Revista Atout Chien, edição 202, Dezembro
de 2002.
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