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Como ser um campeão mini

tradução: Adriana Mori

© agilitynet

Chegar ao topo do esporte não é fácil. Precisa mais do que um bom cão e um bom condutor para fazer com que o percurso fique fácil. O que os dez finalistas da categoria mini do Olympia Dog Show têm que o resto não tem? O que faz de um competidor um vencedor? Para descobrir, Mary Ann Nester foi à final Pedigree Smackos Mini Agility Stakes, realizada no Olympia International Show Jumping Championships e falou com condutores, juiz e patrocinadores. A final do Olympia é uma das mais esperadas do agility e os que se saíram bem não o fizeram apenas porque gostam de ganhar, mas também porque eles adoram enfrentar a pressão.

Todos no agility reconhecem que ser um finalista no Olympia significa que você chegou lá. Seja honesto: até onde você iria para por suas mãos nesse distintivo de excelência? Competir na final significa que os condutores de mini viajaram a Inglaterra de cabo a rabo para submeterem seus cães em provas qualificatórias. Se eles se classificam, depois lutam por um lugar entre os dez mais nas semi-finais em Birmingham. A pressão por uma performance vencedora aumenta a cada estágio do processo de qualifying e a capacidade do condutor de lidar com o stress será testada cada vez que a dupla se colocar na linha de partida.

Nas finais do Olympia, eles terão apenas uma chance de fazer certo. Não são apenas amigos e família assistindo, mas o mundo. Esse pensamento por si só faz com que as pessoas tremam como gelatina.

Os olhos do mundo

Não ouse dizer a nenhum dos finalistas que ele está lá para entreter as multidões. Eles estão lá pelo prêmio máximo e têm de apresentar as melhores performances e os tempos mais rápidos a cada ano. Isso faz com que os ingressos sejam vendidos e as cadeiras estejam sempre cheias. Verifique a programação do evento e você verá que há mais e mais páginas dedicadas ao agility. A cobertura da mídia cresce. A Pedigree European Agility Cup atrai competidores e visitantes de muitos países. Quem não ficaria nervoso com toda essa atenção?

Hora do show

E o que acontece quando há pressão? Pânico! Todos ficam nervosas – mesmo os competidores de ponta. O que distingue um competidor de sucesso do resto é sua habilidade de reconhecer um ataque de pânico e controlá-la. O excesso de nervosismo pode realmente comprometer a performance no dia D. A maioria dos condutores de mini com os quais falei no Olympia confessou que começam a ficar nervosos no momento que abrem os olhos na manhã da final. Alguns têm ataques de nervos assim que se posicionam na linha de partida. Não há nacionalidade para o stress e a ansiedade. Lars Bang, que esteve no Olympia representando a Dinamarca na European Cup, brincou que ele começou a ficar nervoso no momento que postou sua inscrição. Ele conduzia um poodle miniatura e se o cão fosse como alguns poodles que tive no passado, eu não me surpreenderia se ele tremesse um pouco. Se você quer vencer, precisa aprender a dominar seus nervos.

O quanto importante é vencer?

Muitos dos finalistas confessaram que eles são viciados na possibilidade de uma boa vitória. Esse fluxo de adrenalina é um bom sentimento e não há nada como um pouco de sucesso para fazer com que você sonhe com muito mais. Por que outro motivo você estaria treinando no frio e na chuva se você poderia estar enrolado em um cobertor na frente da TV, com um chocolate quente na mão? Mary Ray competiu no Olympia vinte vezes e demonstrou confiança em seus cães. O treinamento e a habilidade podem ser um fator determinante na fórmula do sucesso. Ela atingiu o topo e se manteve lá. Mas ser um vencedor pode também trazer pressão adicional. Se você começa a antecipar seu nome sendo chamado ao pódio, como se sente quando isso não acontece? Além disso, competidores veteranos que já tiveram sucesso e passam por um tempo de ausência de competições podem ficar com a condução blasé.

Transformando o negativo em positivo

Vencedores têm de ser bons perdedores. Haveria apenas um vencedor e eu perguntei aos mini finalistas como eles lidariam com o desapontamento. Eles tiveram sua chance de triunfar, mas… Sharon Brewster perdeu Crufts quando seu cão não sentou na mesa. O poodle de Jayne Bray defecou na pista de Crufts antes da última cerca, perfeita até então. Keith Leslie teve de repensar  seu treinamento quando seu cão quebrou a perna. Muitos xingam – mas não alto o suficiente para o juiz ouvir. Mas todos assumem a culpa, nenhum culpa o cachorro. Eles reconhecem que pensar o que aconteceu de errado, por que e como evitar que aconteça no futuro é muito mais produtivo. Os melhores condutores sabem que a falha os mantém em contato com o mundo real e os fazem aprender mais a respeito de seus cães.

O vencedor

Lisa Bailey ficou mais em contato com o mundo real que a maioria. Ela teve uma boa dose de decepção. A maioria de suas eliminações aconteceram no último salto. Parecia que a pista seria zerada e a torcida já estava de pé para aplaudir. Eles soltaram um grande suspiro e rapidamente se sentaram quando Lisa passou o salto antes de seu cão que continua com Lisa e não vê o salto final. Em um dos fracassos, ouvi Lisa dizer que não se dá bem em finais. Em outro momento menos dramático, ela disse que riu para não chorar de nervoso... Lisa está sempre rindo, mas ela riu mais do que o normal na noite de sexta e veja o que lhe aconteceu: topo do pódio.

Obrigada e parabéns

Obrigada aos mini-finalistas que dedicaram um pouco de seu tempo para conversar comigo em Olympia. Vocês foram geniais. A resposta certa à pergunta “quantos dentes têm um cão” é 42. Eu sei que muitos passaram o dia contando depois que fiz essa pergunta. Apenas Nicola Williams sabia a pergunta, mas ela é enfermeira veterinária. Bom, essa pergunta lhes deu algo a mais do que pensar do que roer as unhas ou fumar enquanto esperavam o percurso ser montado para o reconhecimento.

Mas não são apenas os condutores que têm de controlar os nervos. Dave Ray parece estar em todos os lugares, mas deu um jeito de estar sempre por perto para conversar comigo. Ele é, definitivamente, um homem que sabe como trabalhar sob pressão e eu raramente vi alguém parecer tão calmo em face do perigo – dez condutores de mini em alta voltagem. Obrigada a Dave por manter a Pedigree no agility. Kathrin Tasker estava maravilhosa e ficava calma tanto competindo com seus cães como no meio da arena julgando zonas de contato. Liz e Allan Pollock da Premier continuavam calmos sabendo que bons preparativos garantem sucesso. Eles trouxeram equipamentos suficientes para montar muitos percursos e diversas guirlanda. Você sabe que é Natal quando há uma guirlanda na rampa.

Parabéns a todos por terem feito do dia um sucesso. Obrigada pelo acesso aos bastidores e pela conversa. Vocês são todos campeões.

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