Time Veterinário 2003
Fita vermelha e mais fita vermelha

Neste ano, mais uma vez, Peter van Dongen foi convidado a participar do Time Britânico que foi enviado ao Campeonato Mundial de Agility. Esta foi a terceira vez que a Grã Bretanha foi capaz de mandar um time para o exterior, após o relaxamento das regras referentes às viagens internacionais com cães da Grã Bretanha. Este artigo não é sobre o circuito atual de jumping e agility, mas particularmente sobre o que é levar treze cães e seus condutores para a França e voltar.
©agilitynet

 

 

Este ano nós iriamos viajar para Lievin, uma pequena cidade próxima a Lille, no norte da França. Meu trabalho, porém, começou muito antes. De fato, ele começou antes das seletivas em Coventry, em julho. Eu tinha relacionado as informações sobre o que os competidores precisariam levar no dia das seletivas, assim eu poderia conferir os documentos de todos os cães.

No dia da prova, Alison Grimes foi boa o suficiente para me dar a tão necessária ajuda para conferir aproximadamente 60 registros. Cada um dos cães deveria ter vários documentos - todos tiveram que ser conferidos cuidadosamente - para evitar que algum cão classificado não estivesse apto para viajar em setembro.

Eu fiz uma grande tabela com muitas colunas, linhas e células para serem assinaladas. Existia uma série de pequenas coisas que precisavam ser organizadas, necessárias para muitos dos cães serem admitidos, mas que não representavam grandes problemas. Todos os cães, mesmo os não classificados, foram medidos cuidadosamente e suas medidas serem registradas no Livro de Registro Oficial do Kennel Club. Tudo estava feito.


Após Steve Croxford, o técnico do time, ter tomado sua decisão sobre os cães que estariam no time da Grã Bretanha, esses cães tiveram que ser medidos novamente, para definir o tamanho das caixas que seriam usadas no trem para a França. Assim eu terminei meu dia.

Logo depois, comecei a enviar outras informações, sobre o que exatamente era necessário agora para cada um dos membros do time: treze ao todo. Alguns deles necessitavam de mais vacinas, alguns estavam OK. Alguns necessitavam também de outros documentos.

Eu coloquei dois grandes cartazes, com todos os documentos relacionados. Foram feitas listas com tamanho das caixas, altura e peso dos cães, etc. Eu contatei a Pfizer, que fabrica o Stronghold, para ver se eles, mais uma vez, aceitariam patrocinar o time, fornecendo Stronghold grátis para cada membro. Eles aceitaram ! Stronghold é usado para prevenir a cardiopatia, uma doença importante que os cães podem contrair na França e nós não queriamos dar nenhuma chance para ela !

Eu também contatei o veterinário oficial francês (oui, na França !) que estaria presente no campeonato, para ver se ele poderia me enviar com antecedência pelo correio, o documento oficial PETS-2 . Esse documento deveria ser prenchido e carimbado pelo veterinário francês, depois dos cães receberem tratamento contra vermes e carrapatos, como parte do Pet Travel Scheme (Plano de Viagem dos Cães). Ele fez isso e eu comecei a prencher parcialmente um formulário, com todos os detalhes necessários. Com tudo adiantado, eu estava pronto para a sessão prática no sábado antes da viagem.


Está na mala


Alguns dias antes da sessão prática, eu comecei a montar minha maleta. Isso significou invadir a maioria dos armários e estantes na minha clínica, até que eu tivesse exatamente o que achava necessário, em circunstâncias extremas, durante a viagem ao exterior. Isso incluiu bandagens, injeções e seringas, cremes e comprimidos, kits de sutura e muito, muito mais. Também incluí carimbos e almofadas, formulários em branco de todo tipo, um leitor de microchip - nos últimos dois anos nós descobrimos que os leitores usados no exterior nem sempre lêem nossos microchips facilmente - e pastas de documentos.

Eu também peguei as drogas necessárias para o tratamento de carrapatos e vermes na França, para que o veterinário francês não precisasse fornecê-los. Esses medicamentos, Drontal Plus e Frontline, foram cedidos, pelo Allington Veterinary Centre, para todos os cães.

Na sessão de treinos do sábado, conferi de novo os microchips de todos os cães, para ter certeza que eles estavam funcionando bem e sendo lidos corretamente. Não houve nenhum problema. Eu também distribui a todos a última minuta dos documentos, incluindo atestados de saúde de veterinários particulares, que às vezes são requisitados pelas companhias de viagem. Nós estávamos prontos para a grande jornada.

Na quarta-feira, 24 de setembro, saímos para a França. Fomos de trem para Dover. A viagem ocorreu sem o mínimo problema e sem nenhuma conferência dos documentos. Os cães estavam todos alegres e contentes em suas caixas de transporte, como eles costumam estar nas viagens de carro. Chegamos ao hotel no começo da tarde.

Tudo em cima!

Até onde diz respeito ao meu trabalho no time, eu estava agora apto a me concentrar mais em fazer a filmagem e dar uma ajuda geral a todos que precisassem de um veterinário. Durante os dias seguintes, porém, eu estava sempre a postos para lidar com qualquer problema que os cães pudessem ter, mas somente uma vez foi necessário usar minha maleta médica. Foi para tratar a pata dianteira de um cão, onde uma picada de inseto causou irritação. Um par de injeções e uma pequena bandagem depois, o cão estava mais confortável e um dia depois estava tudo bem. Por razões que só são conhecidas pelas pessoas diretamente envolvidas no tratamento deste caso, eu agora sou conhecido como "O veterinário nu".

Meu maior trabalho foi programar o tratamento contra vermes e carrapatos, um dia antes de voltarmos para o Reino Unido. Este tratamento deveria ser feito na manhã do domingo da competição, de acordo com o Pet Travel Scheme, que exigia sua aplicação exatamente 24 e 48 horas antes do embarque, para a viagem de volta.

Eu já tinha falado com o veterinário francês, para combinar com ele o horário que estaríamos no posto veterinário, munido de comprimidos de Drontal Plus e tubos de Frontline sufucientes. Os formulários tinham sido parcialmente preenchidos, como mencionei acima. Sarah Ashmead tinha levado um pouco de Brie, para fazer com que os cães engolissem os comprimidos com mais facilidade. Eu levei em torno de 30 minutos para que todos os cães fossem tratados e todos os documentos fossem completados. Armado com esses importantes documentos, eu agora estava certo de que tudo estava completamente em ordem para a viagem de volta. Então, eu pude relaxar o resto do dia e me concentrar em filmar o nono percurso inglês do Agility Individual.

Não está acabado até que a gorda senhora cante...


No dia da viagem de volta para o Reino Unido, eu mais uma vez conferi e reconferi todos os documentos, antes de deixarmos o hotel. Tudo estava em ordem e nós fomos para Calais. Em Calais nós tivemos todos os documentos conferidos pelos oficiais franceses, que também conferiram os chips dos cães. De novo eu gastei um pouco de tempo, mas tudo estava em ordem e isso significava que nós podiamos embarcar no trem.

Meu trabalho não acabaria até que tivéssemos todos os documentos, agora oficialmente carimbados na França, conferidos no lado Britânico - ou pelo menos era isso que deveria acontecer ! Como no último ano, apesar de nós termos uma grande etiqueta colada no vagão, dizendo que nós tinhamos 13 cães a bordo, nós não tivemos que apresentar nada !

Um minuto depois nós estavamos na M20, onde, finalmente, relaxei, ao saber que todos os cães voltaram ao Reino Unido sem nenhum problema. Não me ocorreu que alguns condutores ingleses estivessem preocupados com isso, já que eles estavam, na maioria das vezes, meio dormindo, depois de seis dias muito exaustivos. Meu trabalho estava terminado até o próximo ano - só faltava copiar os vídeos da semana, e tinha bastante tempo para isso.

Eu farei isso de novo no próximo ano ?


Pode apostar ! Não aguento esperar pela Itália em 2004. Será em Montichiari, perto de Verona, no norte da Itália. Se eu for convidado, "I'll be back !"

Sobre o Autor...

Peter van Dongen graduou-se em veterinária pela Utrecht Veterinary School, Holanda, em março de 1990. Trabalhou em uma clínica em Louth, Lincolnshire, Reino Unido, por três anos, mudando-se depois para Borough Green, Kent. Ao mesmo tempo ele se dedicou somente a pequenos animais. Desde dezembro de 1996 ele exerceu seu ramo em Allington, Maidstone, Kent.

Em maio de 1995, Peter começou no agility (após anos pensando nisto!) com seu Jack Russel Cross "Basil" (uma fêmea !), então com cinco anos. Depois que ele se qualificar em muitas finais, incluindo o Crufts e Olympia, Basil venceu o invejado título Crufts 2001 no agility individual mini.

Peter passou no exame para instrutor do British Agility Club, em outubro de 1999, e desde então cuida do British Agility Club Judging Workshop.

Ele escreve regularmente para várias revistas e web sites de Agility e tem sido o Veterinário Oficial do Time Britânico para o Campeonato Mundial de Agility, nos últimos três anos.

Peter e sua esposa Carry vivem em Borough Green com seus dois cães e dois gatos. Seu pequeno Jack Russel X, Sky, está começando a treinar agility e espera seguir os passos de Basil.

http://195.184.239.210/health/wc2003_teamvetreport_petervandongen.html