
Há anos, os fãs do seriado
Frasier, exibido pelo canal a cabo Sony Entertainment
Television, têm se encantado com o simpático Eddie Crane,
o cão de estimação do pai do personagem principal. “Muitos
inclusive acabaram acreditando que era possível ter um
Jack Russell Terrier em um apartamento, quando o que conheciam
da raça era apenas o gracioso Eddie”,
diz Mathilde Decagney, que há sete anos treina o Jack
Russell Terrier Moose, de nove anos, intérprete de Eddie
e que também arrancou lágrimas na pele e pêlos de Skip,
do filme Meu Cão
Skip.

Segundo
Mathilde, a raça do cão não foi levada em conta pelos
produtores da sitcom, que queriam um cão do tamanho e
com a personalidade de Moose. “Ele
era o cão certo para o papel. Tinha de ter atitudes oportunas,
espertas e alertas, tinha de importunar ao máximo Frasier
e ser ao mesmo tempo desafiador, teimoso e divertido.
É a cara de Moose”,
diverte-se a treinadora.
Ledo
engano!
Por
causa de Eddie/Moose, muitas pessoas acharam que o Jack
Russell terrier fosse o cão ideal para apartamento, já
que Frasier tinha um que convivia bem em espaço restrito.
Pura ilusão. “As
pessoas não se informaram, pois se tivessem lido a respeito
da raça, saberiam que são ávidos caçadores de ratos e
outras criaturas pequenas, muito ativos e independentes.
Para mim, é mais fácil administrar um dogue alemão em
um apartamento que um jack Russell”,
diz Mathilde.
As
origens do Jack Russell terrier remontam do século XIX,
quando o reverendo Jack Russell andava pela margem de
um rio em Devon, na Inglaterra. Foi aí que ele encontrou
um terrier, que chamou de Trump, e o levou para casa.
O reverendo era um aficionado por caça e achava que o
temperamento do fox terrier estava por demais abrandado
por ter virado um cão de estimação e procurava uma nova
raça que o substituísse. Logo, Russell percebeu que Trump
era um cão de trabalho tenaz e incansável, com temperamento
difícil, um verdadeiro terrier de caça.
Pela
preservação da raça
Além
de exercer magnificamente seu trabalho nas caçadas a raposas,
Trump ainda voltava para casa e ia perseguir os ratos
do celeiro da casa dos Russell. O reverendo estava feliz:
era aquela a sua raça e a partir de Trump, realizou um
trabalho que envolveu as fêmeas com características físicas
e de temperamento esperadas e Trump, dando origem à raça
que leva seu nome.
A
criação da raça manteve-se tão restrita ao trabalho que
poucos Jack Russell têm pedigree e efetivamente são raros
os que participam de exposições de conformação física.
Para os aficionados da raça, esporte mesmo são as corridas,
que envolvem apenas cães da raça.
Cão
esportista
Anualmente,
o Jack Russell Terrier Club of América (JRTCA) organiza
no estado de Maryland um grande encontro de fãs da raça.
O clube foi fundado em 1976 pela criadora e juíza Elsa
Crawford, cujo objetivo do clube era, inicialmente, proteger
o Jack Russell como raça de trabalho, preservando as características
de temperamento do cão. Dessa forma, as ninhadas devem
esperar até um ano de idade para obter seu registro, quando
o cão apresenta confiança como cria de qualidade, sem
problemas de saúde ou temperamento. Nesse ínterim, os
responsáveis pelo clube observam, em todo o país, a evolução
dos cães conforme passam os meses.

Os
encontros promovidos pelo JRTCA envolvem jogos e muita
diversão, tanto para donos como para cães. As atividades
são informais e é nessas ocasiões que os proprietários
aproveitam para fazer com que seus cães trabalhem em um
campo aberto, sob orientação dos mais experientes. Uma
das grande atrações do dia são as competições de ação,
que simulam situações que o cão enfrentaria caso estivesse
caçando.
“Há
a prova de Ground, em que os cães devem entrar em buracos
e tocas atrás de presas, coisa que outros cães definitivamente
não fariam”,
comenta o criador e treinador Mark Bjorkland. A prova
é contra o relógio e o cão deve ir até onde a caça está.
Outra
modalidade apreciada é a corrida de isca mecânica, em
que os Jack Russell são mantidos em uma caixa até que
a isca comece a correr; após alguns segundos os cães são
liberados também e correm atrás da isca, saltando obstáculos,
até a linha de chegada. Trata-se de um percurso de 60
metros simulando a caça a raposa. “Jade treina desde os
quatro meses e até hoje, aos quatro anos de idade, ela
fica excitada com essa prova”, conta seu dono, Rick Hensing.
A concentração dos cães na isca é impressionante, tanto
que antes da prova é recomendável deixar o cão relaxando,
para que essa obstinação não seja too much. “Sua
composição física, musculosa e bem proporcionada, confere
a habilidade de transpor os obstáculos facilmente, mas
o que os impulsiona mesmo é o instinto de caçador. Eles
odeiam a isca, querem pegá-la para matar mesmo. Acho que
é o melhor exercício para um Jack Russell”,
comenta Hensing.

Para
manter as qualidades do cão inata, o
JRTCA, até hoje, é filiado ao clube da raça na
Inglaterra, cujo trabalho é semelhante ao feito pelo JRTCA
nos Estados Unidos. O britânico Greg Mousley, há 27 anos
criador e juiz de provas de campo com Jack Russell, diz
que na Grã Bretanha é difícil ver cães da raça em ambiente
urbano. “Aqui a maioria dos cães é utilizada no campo
e acho que é assim que deve ser. Quem tem o direito de
mudar o que foi preservado e delegado por quem veio antes?”,
questiona. Entre essas características que devem ser preservadas,
segundo Mousley, está o mau comportamento dos cães caso
o dono lhe vire as costas e a paixão pela caça. Além disso,
para Mousley, o cão deve ser forte, compacto e robusto,
com pêlo liso ou duro e ter o corpo com pelo menos 51%
de branco.
Jack
Russell Terrier hoje
“O
Jack Russell de hoje é um cão muito parecido com aquele
que o reverendo encontrou às margens do Rio Devon”,
diz a criadora Sheila Adler. “Eles
continuam sendo ótimos companheiros e cães com instinto
de caça fantástico”.
Os criadores conseguiram uma façanha: manter o cão com
seus instintos intactos, sem a influência de questões
estéticas.
Os
criadores fazem questão de ressaltar, no entanto: não
é um cão para qualquer pessoa. São cães que estão constantemente
desafiando seu dono. Além disso, apesar do porte pequeno
e compacto, não são bons cães para apartamento, pois precisam
de uma carga de exercício constante e diária. “O
ideal é que o dono tenha uma grande propriedade cercada”,
aconselha Sheila Adler.
Mas
em compensação, o cão tem a oferecer uma série de atributos:
caráter, lealdade, coragem, alegria, afeição, determinação
e tenacidade. “Deus sabe o que fez quando deu ao Jack
Russell esse porte reduzido. Sua intensidade num cão de
40 quilos seria inimaginável”, comenta a criadora.
FONTE: Animal Planet
