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Jack Russell Terrier

Um baixinho de personalidade

  Por Adriana Mori

Há anos, os fãs do seriado Frasier, exibido pelo canal a cabo Sony Entertainment Television, têm se encantado com o simpático Eddie Crane, o cão de estimação do pai do personagem principal. “Muitos inclusive acabaram acreditando que era possível ter um Jack Russell Terrier em um apartamento, quando o que conheciam da raça era apenas o gracioso Eddie”, diz Mathilde Decagney, que há sete anos treina o Jack Russell Terrier Moose, de nove anos, intérprete de Eddie e que também arrancou lágrimas na pele e pêlos de Skip, do filme Meu Cão Skip.

 

 

Segundo Mathilde, a raça do cão não foi levada em conta pelos produtores da sitcom, que queriam um cão do tamanho e com a personalidade de Moose. “Ele era o cão certo para o papel. Tinha de ter atitudes oportunas, espertas e alertas, tinha de importunar ao máximo Frasier e ser ao mesmo tempo desafiador, teimoso e divertido. É a cara de Moose”, diverte-se a treinadora.

 

Ledo engano!

 

Por causa de Eddie/Moose, muitas pessoas acharam que o Jack Russell terrier fosse o cão ideal para apartamento, já que Frasier tinha um que convivia bem em espaço restrito. Pura ilusão. “As pessoas não se informaram, pois se tivessem lido a respeito da raça, saberiam que são ávidos caçadores de ratos e outras criaturas pequenas, muito ativos e independentes. Para mim, é mais fácil administrar um dogue alemão em um apartamento que um jack Russell”, diz Mathilde.

 

As origens do Jack Russell terrier remontam do século XIX, quando o reverendo Jack Russell andava pela margem de um rio em Devon, na Inglaterra. Foi aí que ele encontrou um terrier, que chamou de Trump, e o levou para casa. O reverendo era um aficionado por caça e achava que o temperamento do fox terrier estava por demais abrandado por ter virado um cão de estimação e procurava uma nova raça que o substituísse. Logo, Russell percebeu que Trump era um cão de trabalho tenaz e incansável, com temperamento difícil, um verdadeiro terrier de caça.

 

Pela preservação da raça

 

Além de exercer magnificamente seu trabalho nas caçadas a raposas, Trump ainda voltava para casa e ia perseguir os ratos do celeiro da casa dos Russell. O reverendo estava feliz: era aquela a sua raça e a partir de Trump, realizou um trabalho que envolveu as fêmeas com características físicas e de temperamento esperadas e Trump, dando origem à raça que leva seu nome.

 

A criação da raça manteve-se tão restrita ao trabalho que poucos Jack Russell têm pedigree e efetivamente são raros os que participam de exposições de conformação física. Para os aficionados da raça, esporte mesmo são as corridas, que envolvem apenas cães da raça.

 

Cão esportista

 

Anualmente, o Jack Russell Terrier Club of América (JRTCA) organiza no estado de Maryland um grande encontro de fãs da raça. O clube foi fundado em 1976 pela criadora e juíza Elsa Crawford, cujo objetivo do clube era, inicialmente, proteger o Jack Russell como raça de trabalho, preservando as características de temperamento do cão. Dessa forma, as ninhadas devem esperar até um ano de idade para obter seu registro, quando o cão apresenta confiança como cria de qualidade, sem problemas de saúde ou temperamento. Nesse ínterim, os responsáveis pelo clube observam, em todo o país, a evolução dos cães conforme passam os meses.

 

 

 

Os encontros promovidos pelo JRTCA envolvem jogos e muita diversão, tanto para donos como para cães. As atividades são informais e é nessas ocasiões que os proprietários aproveitam para fazer com que seus cães trabalhem em um campo aberto, sob orientação dos mais experientes. Uma das grande atrações do dia são as competições de ação, que simulam situações que o cão enfrentaria caso estivesse caçando.

 

“Há a prova de Ground, em que os cães devem entrar em buracos e tocas atrás de presas, coisa que outros cães definitivamente não fariam”, comenta o criador e treinador Mark Bjorkland. A prova é contra o relógio e o cão deve ir até onde a caça está.

 

Outra modalidade apreciada é a corrida de isca mecânica, em que os Jack Russell são mantidos em uma caixa até que a isca comece a correr; após alguns segundos os cães são liberados também e correm atrás da isca, saltando obstáculos, até a linha de chegada. Trata-se de um percurso de 60 metros simulando a caça a raposa. “Jade treina desde os quatro meses e até hoje, aos quatro anos de idade, ela fica excitada com essa prova”, conta seu dono, Rick Hensing. A concentração dos cães na isca é impressionante, tanto que antes da prova é recomendável deixar o cão relaxando, para que essa obstinação não seja too much. “Sua composição física, musculosa e bem proporcionada, confere a habilidade de transpor os obstáculos facilmente, mas o que os impulsiona mesmo é o instinto de caçador. Eles odeiam a isca, querem pegá-la para matar mesmo. Acho que é o melhor exercício para um Jack Russell”, comenta Hensing.

 

 

 

Para manter as qualidades do cão inata, o  JRTCA, até hoje, é filiado ao clube da raça na Inglaterra, cujo trabalho é semelhante ao feito pelo JRTCA nos Estados Unidos. O britânico Greg Mousley, há 27 anos criador e juiz de provas de campo com Jack Russell, diz que na Grã Bretanha é difícil ver cães da raça em ambiente urbano. “Aqui a maioria dos cães é utilizada no campo e acho que é assim que deve ser. Quem tem o direito de mudar o que foi preservado e delegado por quem veio antes?”, questiona. Entre essas características que devem ser preservadas, segundo Mousley, está o mau comportamento dos cães caso o dono lhe vire as costas e a paixão pela caça. Além disso, para Mousley, o cão deve ser forte, compacto e robusto, com pêlo liso ou duro e ter o corpo com pelo menos 51% de branco.

 

Jack Russell Terrier hoje

 

“O Jack Russell de hoje é um cão muito parecido com aquele que o reverendo encontrou às margens do Rio Devon”, diz a criadora Sheila Adler. “Eles continuam sendo ótimos companheiros e cães com instinto de caça fantástico”. Os criadores conseguiram uma façanha: manter o cão com seus instintos intactos, sem a influência de questões estéticas. 

 

 

 

Os criadores fazem questão de ressaltar, no entanto: não é um cão para qualquer pessoa. São cães que estão constantemente desafiando seu dono. Além disso, apesar do porte pequeno e compacto, não são bons cães para apartamento, pois precisam de uma carga de exercício constante e diária. “O ideal é que o dono tenha uma grande propriedade cercada”, aconselha Sheila Adler.

 

Mas em compensação, o cão tem a oferecer uma série de atributos: caráter, lealdade, coragem, alegria, afeição, determinação e tenacidade. “Deus sabe o que fez quando deu ao Jack Russell esse porte reduzido. Sua intensidade num cão de 40 quilos seria inimaginável”, comenta a criadora.

 

FONTE: Animal Planet

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