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No mundo dos
cães de performance, o stress tensão e seus efeitos no aprendizado
e comportamento são assuntos-chave que não podem ser ignorados.
Por causa disso nós, como donos, devemos nos preocupar com
seu bem-estar, que pode ser definido como a ausência de
stress. Desde que nós assumimos que nossos cães e são bem
desde que não sintam dor, sinais de stress e desconforto
podem ser difíceis de serem reconhecidos. Audrey Ferrel
compartilha conosco o material que ela preparou para uma
palestra.
Por
Audrey Ferrel
De
acordo com Karen Global, veterinária comportamentalista,
distúrbios relacionados à ansiedade são provavelmente o
tipo mais comum em cães. Além disso, acho que nós, enquanto
simples donos de cães, não temos informações suficientes
a respeito do problema do stress e, então, não estamos ajudando
nossos companheiros caninos a atingir seu potencial completo.
O
objetivo não é atribuir características humanas a nossos
cães. Skinner disse simplesmente, “é impossível saber o
que um animal ou outra pessoa estão pensando”. Então, tudo
que temos para presumir são sinais físicos visíveis do que
nós chamamos '”stress” e como o cão lida com esses sintomas.
Segundo a ciência atual, ainda não se pode afirmar que o
animal está “pensando”.
Meu
objetivo é apresentar uma lista de sinais e causas de stress
no cão. Discutirei os efeitos do stress sobre o comportamento
e explorar uma série de formas para tratar e prevenir o
aparecimento de stress, melhorando assim o desempenho de
nossos atletas e companheiros caninos.
Sinais
de stress
Com
base em observações anteriores de cães em provas de agility,
eu me aventuro a dizer que certamente mais da metade dos
competidores costuma exibir vários sinais de stress. Os
casos mais sérios envolvem cães que deixam a pista sem seus
condutores. Muitos deles pensaram que seus cães estavam
“apenas sendo maus”, mas na verdade, o cão reagiu como reagiria
a qualquer estímulo negativo: fugir da pressão e procurar
algo mais positivo para fazer.
Reconhecer
os sinais de stress é o primeiro passo para entender o comportamento
do cão. Muito freqüentemente, podemos encontrar cães em
aulas ou parques totalmente estressados, sem o conhecimento
dos donos. Embora não seja possível determinar exatamente
o que o cão está pensando, dá para medir os efeitos desses
agentes estressantes externos prestando atenção à resposta
do cão a eles. Em um ambiente de laboratório, nós
poderíamos ir muito além e analisar os batimentos, pressão
sanguínea, níveis de hormônio, ondas cerebrais, mas isso
está fora do nosso âmbito.
Alguns
dos sinais de stress são: respiração ofegante, bocejos,
arranhar, lamber, olhar fixamente para nada, pupilas dilatadas,
piscar excessivamente, evitar contato visual, rabo dobrado,
baixo e abanando lentamente, agitação, salivação, apatia,
excesso de latidos, diarréia, cheirar, ataques súbitos de
caspa, queda de pêlos, tensão muscular, hipersensibilidade,
reatividade aumentada, “viajar” em pista, inquietude geral
ou evitar o condutor. A maioria desses sinais pode ser vista
em qualquer prova.
Stress,
ansiedade e excitação podem aumentar temperatura do corpo
de uma pessoa provocando a necessidade de se ativar os mecanismos
de resfriamento. O resultado é o suor. Os cães também são
suscetíveis a este fenômeno, mas eles suam através das almofadas
das patas e boca. Por isso, observe marcas de patas molhadas
no chão.
Outra
grande janela das emoções é o rabo. Um rabo dobrado pode
significar desconforto mental, enquanto o abanar lento pode
ser traduzido como insegurança, incerteza ou indecisão.
Lamber é um sinal complexo que pode às vezes ser interpretado
como um sinal de tensão. Alguns cães estressados podem lamber
o ar sem estar “mirando” para uma pessoa ou coisa. Este
cachorro pode lamber seus lábios ou até começar a lamber
seu próprio corpo (Coren, 2000).
Outro
sinal importante de stress, do qual sou dolorosamente consciente,
é evitar o dono. Evitar o contato visual torna-se um problema
real quando tentamos chamar a atenção do cão ou comunicar
com ele. Um cão estressado terá dificuldade de concentração
no condutor e na tarefa a ser cumprida. Essa falta de enfoque
pode causar uma resposta atrasada, que pode significar a
diferença entre uma pista zerada e a eliminação. No agility,
esse cachorro será mais lento e deverá terminar o percurso
em um tempo bem maior que a média. Se o cão está evitando
o condutor e o contato visual com ele, essa lentidão é inevitável.
A quebra do contato visual é um sinal de submissão e talvez
medo e ansiedade, nesse caso.
Alguns
cachorros ficam super ligados quando sob pressão de performance.
Suas pupilas ficam dilatadas e parecem estar fora de órbita.
Isso pode ser um exemplo do caso do animal excitável contra
o animal inibido de Pavlov. Scott e
Fuller exploraram essa teoria e identificaram o cão
passivo e o que tenta fugir. Dentro dessa classe, eles
encontraram uma enorme variação. O cão excitável pode latir
e uivar constantemente ou correr descontroladamente, o que
leva a desempenho inconsistente e perda de controle. Por
outro lado, o cão inibido vai se fechar, fugir, cheirar
a pista por stress ou encontrar outra forma de evitar a
pressão. Ambos os tipos, demonstrando seu stress de modos
diferentes, são igualmente contraproducentes (Steinker,
2000). Isso resulta em um grande problema para o cão
de agility, em que a velocidade, precisão e timing
ditam o jogo.
Causas
e efeitos
Acredito que a causa primária subjacente do stress é falta
de socialização. Jean Donaldson define socialização como
“termo que significa habituar-se ou acostumar-se a
elementos ambientais através de exposição” (CC p
60). Sem a socialização adequada, um cão pode apresentar
todos os sinais de stress mencionados anteriormente quando
exposto a um novo ambiente. Não devemos, portanto, esperar
que um cão mal socializado apresente uma performance de
ponta em face de novos estímulos.
A
falta de socialização pode levar a várias desculpas que
expliquem o mau desempenho. Alguns dizem que o cachorro
é “irreconciliável”' ou “mole”. Isso significa que o cão
não esquece, se recupera ou supere experiências desagradáveis
(Jones 2001). Outra desculpa pode ser descrita como um cão
com respostas super-ativas. Embora isso possa ser verdade
até certo ponto, ainda é produto de falta de socialização.
Outro
comentário comum é 'Por que meu cão não age como ele age
em casa?”. Respondo da seguinte forma: quando tudo no ambiente
da prova, inclusive o condutor, for muito diferente do ambiente
amigável da pista de treinos, há uma súbita queda na performance.
Essa quebra se deve ao stress, causado pela falta de socialização
a esses estímulos. Esse nível de estímulo provavelmente
não foi experimentado antes do início dos treinos. Bons
indicadores de um processo inacabado de treinamento/socialização
são todos os sinais de stress acima mencionados.
Enquanto
falta de socialização pode ser a causa primária do stress,
não é a única. Outras causas podem incluir:
-
Estilo de treinamento ou treinamentos pobres
-
Pressão do condutor
-
Fadiga
-
Genética
O
treinamento pobre é relacionado à falta de socialização,
muito do qual realizado sem conhecimento pelo treinador.
Desde que os cães são objetos inocentes de leis de aprendizado,
e desde que o comportamento está sob o controle de suas
conseqüências, podemos manipular essas conseqüências para
controlar o comportamento no treino. Por exemplo,
nós inadvertidamente treinamos nossos cães para se comportarem
de um certo modo sob as seguintes circunstâncias: partida,
pista, aulas de obediência, etc. Nós somos bastante
proficientes em, sem querer, condicionar classicamente um
cão que vai competir.
O stress pode ser atribuído a outro problema de treinamento,
que é falta de feedback do condutor. Isso diminui a motivação
e estimula um comportamento que leva mais à extinção do
que à fluidez (Duford, 2001). Maus treinadores esperam freqüentemente
demais de seus cães em pouco tempo, exigindo que eles tenham
bom desempenho sob pressão prematuramente. Desde que
o treinamento não é permitido em pista, o comportamento
não é reforçado, o que significa falta de feedback do condutor.
Resultado: o cão aprende depressa que em um ambiente de
prova não há conseqüências para seus comportamentos e o
nível de stress aumenta como resultado da confusão. O desempenho
piora imediatamente ou no decorrer de uma série de provas.
A
fadiga deve também ser evitada, já que é outra causa de
stress. É importante parar de treinar enquanto o cão
ainda está apreciando o comportamento e a taxa de resposta
é alta. (Donaldson, 1998)
A
pressão social é ainda outra influência no comportamento
do cão. Nossos cães estão condicionados classicamente
para entender o que nossa complicada linguagem corporal
quer dizer. Nossa expressão corporal e atitude têm
um efeito colossal no nível de stress do cão. De repente
transformamos essa expressão em gritos, tensão e coisas
feias enquanto sob nossa própria pressão, os efeitos nos
cães são dolorosamente óbvios (Duford 2001). Devemos
consertar nosso próprio comportamento antes de tentar mudar
o do cão.
O
estilo de treinamento é uma provável causa de stress aumentado
em cães. Em um estudo sobre testes de treinamento por Scott
e Fuller, os resultados indicaram que a expressão da habilidade
de qualquer um é altamente dependente do método de treinamento
utilizado (1965). Suzanne Clothier define isso bem: “…qualquer
método que incorpora medo, confusão ou agressão do condutor
não conduz ao aprendizado, curiosidade, prazer, confiança
e cooperação” (1996).
Em
um estudo pioneiro em genética e comportamento social dos
cães, os pesquisadores descobriram que diferentes grupos
de raças respondiam à pressão do treinamento de formas diferentes. Foi
encontrada também uma ligação entre comportamento emocional
– ou estressado – e hereditariedade. Além disso, diferentes
comportamentos emocionais foram descobertos para formar
uma parte proeminente do comportamento característico de
raças e indivíduos. (Scott & Fuller, 1965).
Sobre
a autora
Audrey Ferrel tem treinado animais desde criança. Ela
cresceu entre cavalos e cães e começou a ensinar montaria
e equitação muito jovem, no United States Pony Club.
Audrey
se formou em Biologia pela Virginia Tech em 1997. “Ainda
na faculdade, consegui um emprego para treinar cães detectores
pela Galaxy Scientific Corporation. Isso marcou o início
de minha carreira como treinadora de cães e desde então
tenho me especializado na arte do treinamento reinforcement.
Ela então se viu mergulhada em sua paixão, o mundo do comportamento
animal.
Seus
estudos em comportamento incluem seminários múltiplos e
workshops, bem como graduação em Psicologia na University
of South Carolina. Em 1998 ela se tornou um membro profissional
da Association of Pet Dog Trainers (APDT), uma organização
que promove a continuidade da formação dos treinadores com
técnicas de treinamento humanitário e positivo. 1998 marca
também o começo de BBDT em Beaufort, South Carolina. Durante
sua permanência, ela atendeu muitos problemas de comportamento
encaminhados por veterinários inclusive muitos tipos de
agressão, casos de ansiedade, problemas de treinamento em
casa e vários outros assuntos gerais envolvendo comportamento.
Ela trabalhou também com Cloma Calm em cooperação com vários
veterinários locais.
“Na
maioria dos dias da semana e alguns fins de semana, vocês
podem me encontrar prestando atendimento telefônico e por
e-mail, sessões particulares ou em grupo, ou viajando por
todo o Lowcountry vendo cachorros de todas as formas e tamanhos”.
“Salsa
é meu cão de demonstração e com o qual compito agility.
Ela ganhou seu certificado de Canine Good Citizen (CGC),
Therapy Dog International (TDI) como também títulos de agility
como Master Agility Dog (MAD), Agility Excellent (AX), Open
Agility Jumpers (OAJ) e Novice Agility (NAC, NADAC). Ela
também se classificou para o Steeplechase, Grand Prix e
DAM Team para 2001 (USDAA). Se você estiver nos Estados
Unidos, veja-a no Animal Planet Super Star Challenge, que
irá ao ar ainda esse ano!

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