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Vira-latas no Agility
Em homenagem à Lilica, Laura, Rhea, Olivia e especialmente ao
Duque, o grande vira-lata que um dia chegou ao Grau III.


Laura


Lilica


Duque


Olívia


Rhea

Na relação de cães que pontuaram no IV Campeonato Brasileiro de Agility, eles são apenas cinco. Com seu jeito único, muitas vezes traduzido numa tremenda falto de jeito, eles estão nos pódios, ombro a ombro com cães de berço, aproveitando o que de melhor a mistura genética lhes deu. Ser um SRD tem essa vantagem: não existem dois iguais!

Alguns viveram os dias de abandono nas ruas ou os terrores das carrocinhas. Outros tiveram a felicidade de nascer dentro de um lar ou foram adotados. Esses são os felizardos do agility.

Muitos não chegam a alcançar o desempenho dos cães de linhagem. Por suas próprias habilidades ou pela persistência dos seus donos, têm, nas pistas, a oportunidade de mostrar o seu valor. Mas essa oportunidade tem seus limites.

Desde a sua concepção como entretenimento, para o público de uma das maiores exposições do mundo - o Best in Show da Crufts, na Inglaterra - o agility permanece sob a lógica que o vincula às associações de criadores de cães de raça pura.

No Brasil, é permitido aos SRDs, da mesma forma que aos cães sem registro, competir em provas oficiais e alcançar os diversos graus, mas eles não podem se qualificar para representar o país no Mundial de Agility, organizado pela FCI.

Nos Estados Unidos, os all american, como são chamados os vira-latas de lá, são aceitos por quatro das cinco associações americanas de agility. Ao contrário da USDAA (United States Dog Agility Association), do NADAC (North American Dog Agility Council), do UKC (United Kennel Club) e da ASCA (Australian Shepherd Club of America), somente o AKC (American Kennel Club) não aceita os vira-latas nas suas provas de qualificação.

As associações americanas dedicadas exclusivamente à promoção do agility como uma atividade esportiva - NADAC e USDAA, não fazem restrições aos all americans, que podem participar de todas as competições e alcançar os títulos nas diversas categorias, desde que devidamente filiados. Assim, todos os anos, diversos all-americans são incluídos nas listas dos dez mais do agility da USDAA. E eles são, muitas vezes, um dos maiores grupos competindo nas provas dessa associação.

Na Europa, além de diversos campeonatos internacionais onde os mixbreeds competem igualmente com os cães de linhagem pura, realiza-se anualmente o IMCA - International Mixbreed Championship in Agility, que acontece juntamente com o Paragility, onde condutores com deficiências físicas tem oportunidade de apresentar seus cães. Todos os anos acontece também o campeonato da IFCS - International Federation of Cynological Sports, que tendo como objetivo maior buscar a inclusão do agility e outros esportes com cães nos Jogos Olímpicos, defende o princípio de que ninguém tem o direito de limitar a participação de cães nos esportes cinológicos, em razão da ausência de uma raça pura ou pela falta de registro.

Voltando ao Brasil, notamos que os vira-latas quase sempre são os cães de iniciação dos seus donos no agility. Porém, à medida que a dupla vai evoluindo, eles vão sendo substituídos por raças mais adaptadas, principalmente por border collies - sonho de consumo de quase todo condutor. Se isso por um lado se justifica pelo desejo de ser competitivo, por outro parece limitar as possibilidades do agility nacional.

O número de condutores regulares, nos últimos campeonatos brasileiro e paulista, fica em torno de 70. Destes, não chega a 20 o total daqueles que estão no agility há pelo menos cinco anos ou desde o seu surgimento aqui, no fim da década de 90. Ou seja, as duplas que não se encaixam nos padrões competitivos dos campeonatos oficiais que temos, ou acabam se desfazendo, com o descarte de um parceiro - o cão, logicamente - ou abandonam as pistas.

Como todo esporte, o agility competitivo é vibrante. Porém, ele pode ser também um hobby alegre e desafiante, com as duplas competindo para avaliar sua evolução e sua colocação, entre aqueles com iguais condições, sendo seus progressos reconhecidos e premiados. Esse é o segredo do agility americano e de alguns países europeus, com seus milhares de adeptos.

Por aqui predomina a idéia do agility competitivo, com a maioria dos condutores sonhando em um dia representar o Brasil num campeonato mundial. Assim vai crescendo a hegemonia de algumas poucas raças e vamos dizendo adeus aos vira-latas e também aos pastores, cockers, beagles, poodles, labradores, rottweilers, akitas, boxers, goldens, pitbulls, whippets, dálmatas, dogues alemães, pointers, yorkshires.

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