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Em uma prova do Campeonato Brasileiro,
existem sempre os condutores que ficam mais nervosos, ansiosos,
roem as unhas, se descabelam. Esse não é,
certamente, o caso de Mike. Conhecido pela calma e pela
excelente condução, há quem pense que
ele passa muito de seu tempo treinando seus cães,
as pastoras de Shetland Patty e Crystal e a schipperke Angel.
"Na verdade, não treino. De vez em quando
vou ao Parque do Ibirapuera aos sábados de manhã
e só", revela. Além disso, devido
a sua vida profissional atribulada - é consultor
de sistemas -, nem sempre pode participar das provas. "Aí,
temos uma particularidade que é só nossa:
como a Patty adora fazer Agility, para não decepcioná-la,
quando não posso ir, quem a conduz é a Jane,
minha esposa. Portanto, somos uma "tripla de agility",
conta. Ou melhor, quarteto, já que a filha do casal,
Jéssica, também não perde uma prova
em que seus pais estejam participando.
Brincadeira de
cachorro
A história
de Mike, Patty e o agility começou no final de 1997.
"Antes, sabia que existia, pois de alguma forma a Jane
tomou conhecimento do esporte e comentou comigo, mas contato
mesmo, foi quando a Patty teve suas primeiras aulas de obediência
e o treinador tinha em seu campo alguns saltos e na brincadeira,
ela aprendeu na hora o comando de saltar", lembra Mike.
Além disso, havia também outros obstáculos
para adestramento de pastores alemães, que começaram
a ser transpostos por brincadeira.
"De tanto
que Patty parecia gostar, acabamos nos envolvendo mais e
mais com o esporte. Ela se diverte e eu me divirto vendo-a
se divertir", conta. E os concorrentes das categorias
Mini e Midi que se preparem! Patty já é uma
velha conhecida de quem acompanhas as competições
de agility. "Estou preparando a Crystal e a Angel
deve começar a ser treinada em breve", avisa
Mike. Crystal já faz todos os obstáculos ("mas
ainda falta o conceito de seqüência completa
em pista", diz Mike). Já Angel, apesar de ter
apenas oito meses, já conhece o túnel rígido,
a passarela e saltos.
Agility como forma
de comunicação
"No começo,
quem gostava de agility mesmo era a Jane, mas ela ficava
muito nervosa em pista durante a competição
e eu acabei assumindo a condução da Patty",
diz.
"A experiência
foi e ainda é incrível", opina Mike.
Muito desse encanto, segundo ele, se deve à comunicação
e o entendimento que se consegue com o cão. "Está
sempre evoluindo. É simplesmente sensacional poder
se comunicar e se fazer entender. Acredito que esse sentimento
deva ser recíproco, ou seja, os cães também
devem adorar se comunicar com seus donos", diz.
Prazer e Amizade
A filosofia de Mike
em relação ao agility pode ser resumida em
três preceitos básicos:
1) Diversão
para o condutor, em companhia dos amigos.
2) Diversão
para os cães, um esporte que deve ser praticado enquanto
os cães sentirem prazer em fazer um percurso de Agility.
3) Agility vale a
pena enquanto aumenta a relação de amizade
entre homem e cão.
Dessa forma, a prática
do esporte acaba se tornando uma válvula de escape.
"Agility é atualmente o meu hobby. É
nele que busco um pouco de exercício, onde procuro
entender um pouco mais do jeito de ser de nossos amigos
caninos. É nas atividades do Agility que troco idéias
com outras pessoas que adoram cães. É através
dele que socializo meus cães para que possam viver
em sociedade", enumera.
E como hobby, o esporte
não é objeto de maiores pretensões...
Ainda! "Não vivo apenas do agility (por enquanto!!)
e não é minha ambição ser campeão
nacional ou internacional (ainda!!)", comenta.
Apesar de ser capaz de alçar vôos bem maiores,
seu maior comprometimento está consigo mesmo. Seu
"por enquanto" é claro: agility vale a
pena pelo prazer e pelas amizades.

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