
A
história do pastor de shetland Rhajar, de Brasília, é
parecida como a de muitos shelties do agility: a princípio,
foi treinado para participar de exposições de beleza.
“Mas ele deu muito azar, pois logo
em sua primeira exposição, foi atacado por outro cão o
que causou um enorme estrago em seu temperamento”,
acredita Paulo, seu condutor. Devido à seriedade dos ferimentos
e o risco de vida que o cão correu, Paulo e sua esposa
Cláudia decidiram aposentar Rhajar das pistas precocemente
e deixá-lo à vontade. “Porém ele se tornou desobediente
demais”, lembra.

Agility
por acaso
Em um passeio, o casal teve a oportunidade de ver uma
apresentação de agility com o Canil Social Dogs e ficaram
encantados com a possibilidade de Rhajar realizar todos
os obstáculos. “Porém, no nosso íntimos achávamos
que seria impossível que ele esquecesse o mundo fora da
pista e se concentrasse somente no seu condutor”,
lembra.
O
desafio de treinar Rhajar para o agility ficou a cargo
de Paulo. “Nessa época, a Cláudia estava com a Charmian
novinha e achou que a melhor pessoa para treinar o Rhajar
seria eu”, lembra.
Com
o início do treinamento, Paulo percebeu que sua tarefa
não era das mais fáceis. “Começamos os treinamentos
com Rhajar na guia. Todos os outros cães se soltaram antes
dele. Até a Charmian estava mais adiantada. Mas acho que
minha paciência de Jó não me deixava desanimar e eu queria
que ele fosse capaz de ficar sem a guia e me obedecer’,
conta. As aulas de obediência eram feitas paralelamente
ao agility e apesar do suor de Paulo, Rhajar não demonstrava
muito entusiasmo em obedecer.
Por
um tempo, devido a seu trabalho no período da noite, Paulo
teve de se ausentar do treinamento e quem conduzia seu
cão era Pablo, dono da Social Dogs. “A essa altura,
ele já tinha quase três anos e resolveu entrar na aborrecência
canina, uma fase bem difícil de encarar. Rhajar já fazia
os exercícios sem guia, mas parecia zombar de nós em algumas
oportunidades”,
recorda Paulo.
O
rebelde entra nos eixos
Rhajar
alternava momentos de atender bem a comandos com indiferença
as comandos. “Isso foi indo até que um dia aconteceu
uma calorosa discussão entre o Rhajar e o Pablo. O cachorro
chegou a partir para a agressão física, mas depois disso
ele resolveu assumir seu papel de cão e passou a obedecer
muito bem”, conta Paulo. Em 2000, Brasília sediou
pela primeira vez uma etapa do Brasileiro, que coincidiu
com a estréia da dupla em competições. “Foi uma
zebra geral, o Rhajar venceu a prova de agility na categoria
standard”, orgulha-se.
“Sei
que ele já chegou em seu limite, ele não tem mais para
onde melhorar, mas para nós, seus donos, que não acreditávamos
que ele seria capaz de abandonar sua revolta com outros
cães, o que ele é hoje é o máximo! Temos muito orgulho
em ser seus proprietários e o agility nos trouxe a oportunidade
de socializá-lo e de nos mostrar um novo caminho”,
emociona-se. Para Paulo, se o agility não tivesse aparecido
na vida de Rhajar, hoje ele teria em casa um cão rebelde
e muito estressado. “No entanto, hoje temos um campeão
não apenas no agility mas também em obediência, temperamento
e amizade”, orgulha-se.

Hoje,
o tranquilo Rhajar passeia livre com seus donos, graças
ao agility.
