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Eles
também querer festejar! |
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Comemorar o primeiro aniversário,
comprar o vestido para o baile de debutante, bancar a festa de formatura.
Qualquer sacrifício e gasto valem a pena quando o assunto é
realizar o sonho dos filhos. Mas tem gente que faz todo esse esforço
para o cachorro. De telegrama fonado para o pet aos panetones encomendados
no Natal, os mimos em prol do mascote de quatro patas se sofisticaram
e cada vez mais se parecem com os presentes trocados entre os humanos.
Com a diferença, é claro, de que o bicho não faz
a menor idéia do que aquele evento significa. Mas vai dizer isso
aos donos... Quem não se surpreendeu
com a festa de arromba que a socialite Vera Loyola promoveu, há
cinco anos, para comemorar o aniversário de sua filha mais nova
- como gostava de chamar sua cadela pequinês, a Pepezinha? Desde
aquela época, no mundinho cão, ninguém tem mais vergonha
de contar tudo o que faz e gasta com seu filhote. Fazer recepções
para os cãezinhos virou moda no Brasil. Para high society canina,
então, a prática é quase uma rotina. Maria Helena
Pozzebon - ex-colunista social e atual professora de boas maneiras em
Porto Alegre - é um exemplo emblemático. Há dois
anos, ela desembolsa perto de 400 reais cada vez que resolve promover
as reuniõezinhas dos amigos de Bethoven, um São Bernardo
de quase dois anos de idade. Do nascimento do cachorro até hoje,
ela lembra de duas festas que mais demonstraram seu grau de dedicação
ao animal: uma de aniversário e outra de formatura. Isso mesmo.
Formatura! A colação de
grau aconteceu em dezembro de 2002 e, além do São Bernardo,
estavam presentes seus doze coleguinhas de classe. Todos freqüentaram
a mesma sala no curso de comportamento canino. "Eles mereceram, passaram
de ano", justifica a dona. Maria Helena fez questão de que
a formatura acontecesse na sua casa, no nobre Condomínio Santa
Teresa, na capital gaúcha. O treinador encarnou o paraninfo da
turma e cada cachorro recebeu um diploma. "O momento mais marcante
da festa foi a hora do telegrama fonado", diz. A empresa contratada
por ela soou um tocante verso, que derramou lágrimas das mães
dos formandos. Só faltou a classe latir em coro Loucura? Isso não foi
nada perto dos palhaços contratados para animar os cãezinhos
na festa de aniversário de Bethoven. Na ocasião, Maria Helena
liberou a piscina da casa para os pets, mas alguns donos privaram seus
animaizinhos da diversão com medo de desmanchar o penteado. "Os
poodles, coitadinhos, ficariam horrorosos", lembra a professora de
etiqueta. Quando perguntada se o São
Bernardo entendia seus gestos de amor, Maria Helena disparou: "Acho
que sim. Mas o instrutor falou para a gente não esperar deles um
agradecimento como o dos humanos, né?". Como no mundo humano
das celebridades, no universo canino também tem o cão arroz-de-festa.
Flapy da Baviera, um cãozinho da raça dachshund - aquele
em formato de salsicha - é sem dúvida o freqüentador
mais assíduo dos eventos no Rio Grande do Sul. Seu guarda roupa perde para
o de qualquer mauricinho. Vai de roupas e acessórios esportivos
até os trajes a rigor. Seu dono, o engenheiro Ricardo Oliveira,
38 anos, jura que o adorável filhote tem vocação
para a fama. "Quando o Flapy vê uma câmera, ele já
pára e faz uma pose". No dia 13 de dezembro, Ricardo
alugou o pátio e o salão de festas da Igreja de São
Francisco - "o protetor dos animais", lembra o engenheiro -
para comemorar o aniversário de três anos do filhote. Só
com os comes e bebes para 60 cãezinhos foram 200 reais. O evento
contou ainda com um desfile beneficente, em que cada cachorrinho percorria
uma passarela com um modelito diferente para o orgulho da platéia.
Tudo patrocinado por uma fabricante de roupas, a Xodós, grife de
São Paulo, que já vem vestindo Flapy em outras ocasiões. O lado beneficente da festa
foi o pedido, a cada convidado, de um quilo de alimento ou um quilo de
ração para serem distribuídos a entidades carentes
de ajuda a humanos e de ajuda a cachorros abandonados. Para a surpresa
de Ricardo, de cada dez quilos doados, sete eram para os asilos de animais
necessitados. Para não perder nenhum
momento da agitada vida social do mascote, Ricardo criou um site com direito
a clipping de jornais e revistas nos quais Flapy já foi notícia,
calendários e jogos personalizados, book com fotos, relação
de prêmios e outros mimos. Tem até um blog para o pequeno
Cofap contar o dia-a-dia de seu romance: "Visitei minha namorada
em Caxias do Sul, passamos bons momentos juntos. Estamos namorando, mas
só de pegar na patinha por enquanto", digitou o dono em nome
de seu melhor amigo. Os donos da cachorrada de
Porto Alegre gostam mesmo de uma boa balada. E quem ganha com isso são
os proprietários de pet shop. O maior deles, o Amigo Legal, tem
um buffet só para organizar batizados, casamentos, valsas para
debutantes e festas à fantasia. "As pessoas gostam tanto dos
bichinhos que os transformam em seus filhos", avalia o empresário
Marcelo Krug. Dono de uma farmácia
até 1998, ele descobriu por acaso sua vocação para
o mundo animal. Ao presenciar um serviço de banho e tosa mal feito,
resolveu montar um negócio vip para os bichos e atender as bizarrices
de seus donos. Da lojinha de 70 metros quadrados, aberta há quatro
anos, hoje administra duas filiais de 200 metros quadrados, um hotel para
pets e presta consultoria para empresários do interior do Estado. Numa das festas de casamento
promovidas por sua empresa, Marcelo convidou um Em São Paulo, Bete
Correia, dona da empresa Bete Pet, também fez dinheiro com esse
filão. Cobra 250 reais, por aula, para ensinar os lojistas a organizar
buffets e outros serviços para animais de estimação.
Segundo ela, os paulistas deixam cerca de 800 reais para promover uma
festa "top de linha". Isso inclui brinquedos, acomodações
para cada convidado e um profissional para animar a festa e tomar conta
dos pequenos. "Nem sempre os cães têm a mesma classe
que seus donos", afirma Bete. Quem quer fazer um agrado
desse tipo ao bichinho tem de preparar o bolso. Só com a alimentação
da festa para cerca de 20 "cãovidados" vai uns 500 reais,
segundo os cálculos da The Dog Bakery, a padaria para cachorro
que fica no bairro da Aclimação, em São Paulo. Lá
são vendidos bolos, chocolates, pão italiano, casadinhos
de ameixa e até panetone para homenagear os pets na época
natalina. A estilista Camila Murano
dispensou o serviço de buffet na hora de organizar o aniversário
de seus quatro cachorros, todos vira-latas, acolhidos nas ruas de São
Paulo. "Tenho de fazer festa para todos, senão algum deles
pode se sentir rejeitado", acredita. Como não sabe em que
dia os pequenos nasceram, comemora a data em que eles trocaram o chão
duro das calçadas pelo conforto de seu espaçoso apartamento
em Higienópolis, o elegante bairro paulistano. Segundo ela, na
festa do cãozinho Edu, o mascote agradeceu os presentes abanando
o rabinho para cada convidado. "Nessas horas, ele lembra do passado
sofrido na rua e pensa: quando eu teria uma festa assim?", dispara
a estilista. De fato, Edu é um felizardo.
Da água de sarjeta, evoluiu para a ração importada
light e ainda goza o privilégio de ser o cão que Camila
mais gosta. Sua preferência por Edu foi confessada sem querer enquanto
a estilista conversava com a reportagem da AOL. Ao perceber que revelara
seu segredo à repórter, Camila sussurrou: "Não
devia ter falado isso. Eles estavam aqui perto e podiam ter ouvido". Se os irmãos vira-latas
são tratados como reis no apartamento de Higienópolis, o
mesmo não acontece quando vão aos pet shops badalados, como
o Bad Dog, um dos mais tradicionais da capital paulista. "Os proprietários
tratam os cachorros muito bem, mas alguns clientes têm preconceito
pelo passado deles." A família de Camila também não
entende sua paixão pelas raças menos favorecidas. "Sempre
pego os cachorros da rua, trato deles e encontro alguém para adotá-los." Na opinião de quem
mais entende de agrados caninos, a socialite Vera Loyola, a atitude de
Camila está certíssima. "A tendência agora é
praticar o bem,fazer filantropia", informa Vera. Tanto é que
os convites para suas próximas festas caninas são vendidos,
e o dinheiro, doado às ONGs que cuidam de animais de rua. Nessas
recepções, a anfitriã é a pug Perepepê,
de 3 anos, que devolveu a alegria à mansão dos Loyolas depois
da morte de Pepezinha, em abril de 2002. No Brasil, lojas de acessórios
para animais, clínicas e hospitais veterinários movimentam
cerca 4 bilhões de reais por ano, de acordo com a Associação
dos Revendedores e Prestadores de Serviços para Uso Animal (Assofauna).
Segundo dados do setor, seis em cada dez famílias têm um
bicho de estimação. O ramo mais lucrativo é o de
rações para pequenos animais, que fatura algo em torno de
R$ 1,3 bilhão - um volume que quadruplicou entre 1995 e 2002. Há dois anos, o setor de produtos para pets ganhou uma feira exclusiva de profissionais da área, a Pet South América (www.petsa.com.br), em São Paulo. Em três dias do evento cerca de 18 mil pessoas visitam estandes representados por 160 empresas diferentes. Nada mal para o país que é o segundo maior do mundo em número de animais de estimação, com 28 milhões de cães e 12 milhões de gatos. Fonte: Revista AOL |
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