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Rio de Janeiro, 24 de março de
2005 (Protetores Voluntários) - A proliferação
de cães e gatos nas ruas, praças e parques da cidade é
a maior preocupação do novo secretário municipal
de Proteção e Defesa dos Animais, o ator Victor Fasano.
Ele quer controlar essa população esterilizando 80% dos
bichos. Para chegar a esse percentual, Fasano pretende ampliar o serviço
gratuito feito pela prefeitura. Animais domésticos também
serão esterilizados - se seus donos quiserem. Para dinamizar o
processo de castração, quer deslocar os postos já
existentes para bairros mais carentes e transformar os trailers da secretaria
em centros móveis. Funcionários do órgão vão
recolher cães e gatos nas ruas para esterilizá-los. Animais
domésticos também são atendidos pelos veterinários,
desde que levados até os postos.
Nomeado no fim de janeiro, o secretário
ainda está terminando de montar sua equipe e de fazer levantamento
do trabalho da antecessora, Maria Lúcia Frota Ele, entretanto,
elogia o programa de esterilização e quer triplicar o número
de centros, atualmente em cinco. "Vou fazer o máximo que eu
puder. Quanto mais esterilizar nos próximos quatro anos, menor
será o problema para o sucessor e também menor será
o sofrimento para os animais", argumenta.
Victor Fasano diz que a meta se baseia
em critérios internacionais. Sua prioridade será castrar
animais em locais carentes e critica a localização de um
posto em bairro de classe média, como Copacabana. O secretário
tem outros projetos, como a ocupação da Fazenda Modelo,
em Guaratiba, para abrigar os bichos recolhidos pela prefeitura. O cuidado
com animais silvestres é outra preocupação. Assim
como faz em seu sítio em Ilha de Guaratiba, na Zona Oeste, ele
pretende devolver às florestas do Rio os ameaçados de extinção
Secretário faz manual para o
dono e segue trabalho de ator
Uma das prioridades do secretário de Proteção e Defesa
dos Animais será a educação ambiental. O objetivo
de Victor Fasano é que tanto donos de bichos quanto a população
passem a tratar melhor "a fauna". Para Victor, é grande
o número de animais obesos e de musculatura pouco desenvolvida.
Caminhar com os cachorros diariamente é conselho dado pelo secretário.
Ele inclui na lista de maus-tratos aos animais alimentá-los em
excesso ou nas horas erradas. Quem mantém grande número
de gatos ou cães em ambiente pequeno também é malfeitor,
para o secretário. Victor Fasano acredita que a melhor maneira
de se tratar um animal é não humanizá-lo e deixar
ele ser espontâneo O cuidado com a saúde dos bichos também
deve ser preocupação constante dos donos. Mesmo assumindo
o cargo, Victor Fasano garante que não deixará de trabalhar
como ator. "Combinei com o prefeito que não precisaria vir
todos os dias", alega. Ele conta que estará em novela em breve.
Polêmica nomeação
de cachorro marcou gestão anterior
A Secretaria Especial de Proteção e Defesa dos Animais foi
criada pelo prefeito Cesar Maia no início de seu mandato anterior,
em 2001. A pasta foi entregue à atriz Maria Lúcia Frota,
mulher do ex-vereador e ator Cláudio Cavalcanti (PFL). A medida
foi considerada jogada de marketing de Cesar para conquistar a simpatia
de donos de animais. A polêmica acabou sendo a tônica da administração
da atriz, que chegou a nomear um pastor alemão da Guarda Municipal
como assessor. No início de janeiro, Maria Lúcia foi exonerada
do cargo. A pasta chegou a ser oferecida a Cláudio Cavalcanti,
que não aceitou. A escolha de Fasano foi oficializada dia 25 do
mês passado. O orçamento da secretaria para este ano é
de R$ 6 milhões. Victor Fasano espera fazer parcerias com outros
órgãos municipais e com a iniciativa privada para ampliar
sua capacidade de investimentos. O gabinete do secretário fica
no Palácio da Cidade, em Botafogo.
5 minutos com Victor Fasano: "Escravizamos
os animais"
Protetores Voluntários: O senhor vai continuar a
esterilização de animais?
Victor Fasano: Eu acho que foi a melhor coisa que poderiam
ter feito. Vou ampliar o programa. Você não pode manter os
animais na rua sem controle. Por isso que eu acho que a esterilização
tem que continuar em massa. Quando eu chegar a 80% dos animais esterilizados
na cidade, vou conseguir controlar o crescimento dessa população.
Protetores Voluntários:
Como atingir o índice?
Victor Fasano: Tenho projeto de criar centro de triagem,
onde os animais são deixados, castrados, tratados e esterilizados.
Depois, levados para outro centro, na Fazenda Modelo, onde seriam enviados
já com saúde, onde poderiam ser adotados. Já estariam
tratados, alimentados e vivendo em condições muito boas.
Cinco centros é pouco para o Rio. Vou fazer o máximo que
eu puder.
Protetores Voluntários:
Os pombos também estão fora de controle?
Victor Fasano: Dar anticoncepcional não funciona.
O problema é o excesso de comida que as pessoas dão. Eles
se alimentam dos restos que encontram. Se vivessem só disso, se
auto-regulariam. Existiria população estável e não
transmitiriam raiva. Se você alimentar o animal, está agindo
contra.
Protetores Voluntários:
O que fazer com o pitbull?
Victor Fasano: Não se pode exterminar uma raça.
O pitbull só está sendo mal usado. A culpa é do dono.
Existem pitbulls mansos. Ele tem constituição mais forte
do que outros cachorros. Foi criado para briga. Mas a posição
de castrar todos é muito ríspida. É preciso educar
os donos para os donos educarem os cachorros A focinheira é importante.
Ela não machuca, não faz mal nenhum. É bom até
para a pessoa que anda na rua não se sentir ameaçada.
Protetores Voluntários:
A população precisa tratar melhor os animais?
Victor Fasano: Nós, de certa forma, escravizamos
os animais. Temos que libertar os animais.
Visite o site dos Protetores Voluntários: http://www.protetoresvoluntarios.com.br

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