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BORDER COLLIE
Por Patrick Servais*

ALTURA
53 cm nos machos, fêmeas ligeiramente menores.

PESO
14 a 20 quilos

ORIGEM
Grã Bretanha

CATEGORIA:
Standard

APTIDÃO
Pastoreio

 

 

Características de temperamento

O Border Collie é um cão muito ativo com um potencial físico e mental muito forte. Precisa ter um dono que compreenda bem suas necessidades, senão pode ser um desastre. Em sua infância e adolescência, o Border Collie precisa muito da confiança e proteção de seu dono, assim ele poderá se tornar o grande cão que esperamos. Não indico o Border Collie para ser um cão de companhia simplesmente. Para mim, ele é completamente inapto para essa função, tem necessidade de satisfazer seu corpo e espírito como cão de trabalho.

Pontos a favor no treinamento para o agility

  • Alta capacidade de aprendizagem;
  • Sua constituição física - juntamente com os pastores belgas e australiano - o faz um cão potencialmente interessante para a prática do agility;
  • Capaz de desenvolver alta velocidade;
  • Se desenvolve bem em retas e não tem grandes problemas com curva.


Mistral

 

Pontos contra no treinamento para o agility

  • Seu desejo intenso de trabalhar pode ser um problema para pessoas que não se dediquem a outras atividades físicas além do agility. Não é um problema do cão, mas sim do dono;
  • Para se ter uma boa dupla, antes de mais nada é necessário um bom dono;
  • Seu excesso de nervosismo pode fazer com que se transforme em um cão difícil de administrar.

Opinião

Para mim, o Border Collie merece nota 8. O Border Collie não é o único cão para o Agility. Muito diferente disso, pelas experiências de Isabelle DeConnink e Karine Buoli, tenho a impressão de que para esse esporte, levando em conta o desempenho em provas e treinos, que os pastores belgas e o pastor australiano são muito mais indicados. Na França, a maioria dos cães de alto nível podem ser Border Collies, mas temos percebido que eles não são intocáveis em nenhum quesito, especialmente em velocidade. Apesar de serem bons companheiros, são inaptos para exercer apenas essa função. A função companhia (estar em casa apenas para receber carinho e um pouco de brincadeiras) deprecia totalmente a natureza do Border Collie.


Patrick e Mistral em Santos - Brasil

* O francês Patrick Servais é um dos grandes campeões da história do Agility francês e mundial. Vencedor e finalista de várias provas importantes na França (Championnat de France, Masters France, Grand Prix de France e Trophee dês Champions) por diversas ocasiões, Patrick coleciona ainda títulos importantes em nível mundial, como um vice campeonato e uma quarta colocação na competição individual do Mundial da FCI, além de um campeonato mundial e uma terceira colocação na competição por equipes.

Um pouco mais sobre o Border Collie

Einstein do mundo canino, o Border Collie é um cão de porte médio, pelagem semi-longa, bastante atlético e ativo. Para o campeão de agility Patrick Servais, a raça tem um potencial físico e mental muito forte, que faz com que o cão precise de um dono que compreenda bem suas necessidades, senão pode ser um desastre. O Border é sobretudo um cão de trabalho. Sua principal característica, segundo a qual vem sendo selecionado há séculos, é a grande habilidade com os rebanhos. Com tanta vitalidade e vontade de executar tarefas, não é raro ver Borders que, na falta de um rebanho, acaba pastoreando patos, crianças ou qualquer coisa que se mexa.

Border Collies estão o tempo todo procurando algum problema para resolver, ou algum trabalho para executar. Além disso, são ótimos em compreender situações e tentar resolvê-las, mas sua inteligência e habilidade para isso pode se tornar um problema para o dono, pois da mesma forma que aprende o que o dono quer, aprende da mesma forma coisas desagradáveis.

Embora precisem de exercício físico, é preciso tomar cuidado pois os Borders costumam ignorar sinais de cansaço para continuarem trabalhando, às vezes exagerando na dose. O fato de serem inteligentes não significa necessariamente que sejam obedientes ou que possam ficar sem adestramento. E nessa hora, usar de força bruta e métodos duros com um Border Collie pode fazer com que fique distante e desinteressado. A melhor forma é ser constante, moderado e usar técnicas motivacionais e positivas para um bom resultado.

Para Patrick Servais, não é indicado ter um Border Collie simplesmente como pet. Segundo ele, o Border é inapto para essa função, tem necessidade de satisfazer seu corpo e espírito como cão de trabalho. Um Border sem atividade tende a se tornar um cão de difícil convivência, porque não param nunca, estão sempre querendo que seus donos arrumem algum trabalho para realizarem, que pode ser jogar bolinha, brincar de pegar pelo jardim ou pastorear as crianças. E isso não é por uma ou duas horas: a raça foi desenvolvida para trabalhar na lida por até 18 horas diárias. Pouco solicitados e sem um trabalho para fazer, podem se tornar destrutivos, hiperativos e até neuróticos.

Curiosidades:

· Na Inglaterra, país de origem da raça, calcula-se que 98% de todas as fazendas utilize cães para o trabalho com o rebanho, e grande parte deles são Border Collies.

· Uma das característica mais marcantes do Border no trabalho é o "power eye', ou a força do olhar. É aquela encarada fixa que ajuda o cão a controlar rebanhos com muita eficiência, diferente de outras raças, que "beliscam" o calcanhar das reses para controlá-las.

Ranking da Inteligência*: 1º lugar
* Fonte: The Intelligence of Dogs, de Stanley Coren. 1995, New York: Bantam Books

 

OPINIÃO DOS DONOS

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É difícil dizer o quanto um Border Collie é especial. Eu convivo diariamente com 3 animais desta raça. O mais velho deles um Border Tricolor chamado Nick, este em especial parece muito mais um ser humano do que um pet. Suas expressões, seu olhar hipnotizante, sua compreensão do que está acontecendo ao seu redor, percepção do meu estado de espírito e sua lealdade, fizeram com que eu me apaixonasse por ele e pela raça !!!

Me lembro certa vez que estava treinando um percurso de agility na ABRAFA, quando meu Border se acidentou !!! Ele trombou com o salto eu acho e caiu de mau jeito, machucando uma de suas patas, de imediato eu não percebi e falei o nome do próximo obstáculo, no caso a gangorra. Qual não foi minha surpresa quando me viro para ele e vejo aquele cãozinho, ainda muito jovem na época, fazendo um esforço tremendo e caminhando com apenas 3 patas no chão para a gangorra ?!?!?! É obvio que corri e tirei ele da pista (já no meio da gangorra). Sabe, eu sei que mesmo naquele estado, ele teria terminado aquele percurso, não por prazer, não por orgulho e nem por persistência, mas por mim.

Esta é apenas uma das muitas coisas que o Nick já fez por mim, por esta e por muitas outras, creio que não é exagero meu dizer que ter um cão e ter um Border Collie, são experiências diferentes, mesmo que as duas sejam fascinantes!!!

Marcelo Celso Miccheleti

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