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Características
de temperamento
O
Border Collie é um cão muito ativo com um
potencial físico e mental muito forte. Precisa ter
um dono que compreenda bem suas necessidades, senão
pode ser um desastre. Em sua infância e adolescência,
o Border Collie precisa muito da confiança e proteção
de seu dono, assim ele poderá se tornar o grande
cão que esperamos. Não indico o Border Collie
para ser um cão de companhia simplesmente. Para mim,
ele é completamente inapto para essa função,
tem necessidade de satisfazer seu corpo e espírito
como cão de trabalho.
Pontos
a favor no treinamento para o agility
- Alta
capacidade de aprendizagem;
- Sua constituição
física - juntamente com os pastores belgas e australiano
- o faz um cão potencialmente interessante para
a prática do agility;
- Capaz
de desenvolver alta velocidade;
- Se desenvolve
bem em retas e não tem grandes problemas com curva.

Mistral
Pontos
contra no treinamento para o agility
- Seu desejo
intenso de trabalhar pode ser um problema para pessoas
que não se dediquem a outras atividades físicas
além do agility. Não é um problema
do cão, mas sim do dono;
- Para se
ter uma boa dupla, antes de mais nada é necessário
um bom dono;
- Seu excesso
de nervosismo pode fazer com que se transforme em um cão
difícil de administrar.
Opinião
Para mim,
o Border Collie merece nota 8. O Border Collie não
é o único cão para o Agility. Muito
diferente disso, pelas experiências de Isabelle DeConnink
e Karine Buoli, tenho a impressão de que para esse
esporte, levando em conta o desempenho em provas e treinos,
que os pastores belgas e o pastor australiano são
muito mais indicados. Na França, a maioria dos cães
de alto nível podem ser Border Collies, mas temos
percebido que eles não são intocáveis
em nenhum quesito, especialmente em velocidade. Apesar de
serem bons companheiros, são inaptos para exercer
apenas essa função. A função
companhia (estar em casa apenas para receber carinho e um
pouco de brincadeiras) deprecia totalmente a natureza do
Border Collie.

Patrick e Mistral em Santos - Brasil
* O
francês Patrick Servais é um dos grandes campeões
da história do Agility francês e mundial. Vencedor
e finalista de várias provas importantes na França
(Championnat de France, Masters France, Grand Prix de France
e Trophee dês Champions) por diversas ocasiões,
Patrick coleciona ainda títulos importantes em nível
mundial, como um vice campeonato e uma quarta colocação
na competição individual do Mundial da FCI,
além de um campeonato mundial e uma terceira colocação
na competição por equipes.
Um pouco
mais sobre o Border Collie
Einstein
do mundo canino, o Border Collie é um cão
de porte médio, pelagem semi-longa, bastante atlético
e ativo. Para o campeão de agility Patrick Servais,
a raça tem um potencial físico e mental muito
forte, que faz com que o cão precise de um dono que
compreenda bem suas necessidades, senão pode ser
um desastre. O Border é sobretudo um cão de
trabalho. Sua principal característica, segundo a
qual vem sendo selecionado há séculos, é
a grande habilidade com os rebanhos. Com tanta vitalidade
e vontade de executar tarefas, não é raro
ver Borders que, na falta de um rebanho, acaba pastoreando
patos, crianças ou qualquer coisa que se mexa.
Border Collies
estão o tempo todo procurando algum problema para
resolver, ou algum trabalho para executar. Além disso,
são ótimos em compreender situações
e tentar resolvê-las, mas sua inteligência e
habilidade para isso pode se tornar um problema para o dono,
pois da mesma forma que aprende o que o dono quer, aprende
da mesma forma coisas desagradáveis.
Embora precisem
de exercício físico, é preciso tomar
cuidado pois os Borders costumam ignorar sinais de cansaço
para continuarem trabalhando, às vezes exagerando
na dose. O fato de serem inteligentes não significa
necessariamente que sejam obedientes ou que possam ficar
sem adestramento. E nessa hora, usar de força bruta
e métodos duros com um Border Collie pode fazer com
que fique distante e desinteressado. A melhor forma é
ser constante, moderado e usar técnicas motivacionais
e positivas para um bom resultado.
Para Patrick
Servais, não é indicado ter um Border Collie
simplesmente como pet. Segundo ele, o Border é inapto
para essa função, tem necessidade de satisfazer
seu corpo e espírito como cão de trabalho.
Um Border sem atividade tende a se tornar um cão
de difícil convivência, porque não param
nunca, estão sempre querendo que seus donos arrumem
algum trabalho para realizarem, que pode ser jogar bolinha,
brincar de pegar pelo jardim ou pastorear as crianças.
E isso não é por uma ou duas horas: a raça
foi desenvolvida para trabalhar na lida por até 18
horas diárias. Pouco solicitados e sem um trabalho
para fazer, podem se tornar destrutivos, hiperativos e até
neuróticos.
Curiosidades:
· Na Inglaterra, país de origem da raça,
calcula-se que 98% de todas as fazendas utilize cães
para o trabalho com o rebanho, e grande parte deles são
Border Collies.
· Uma das característica mais marcantes do
Border no trabalho é o "power eye', ou a força
do olhar. É aquela encarada fixa que ajuda o cão
a controlar rebanhos com muita eficiência, diferente
de outras raças, que "beliscam" o calcanhar
das reses para controlá-las.
Ranking
da Inteligência*: 1º lugar
* Fonte: The Intelligence of Dogs, de Stanley Coren. 1995,
New York: Bantam Books
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É
difícil dizer o quanto um Border Collie é
especial. Eu convivo diariamente com 3 animais desta raça.
O mais velho deles um Border Tricolor chamado Nick, este
em especial parece muito mais um ser humano do que um pet.
Suas expressões, seu olhar hipnotizante, sua compreensão
do que está acontecendo ao seu redor, percepção
do meu estado de espírito e sua lealdade, fizeram
com que eu me apaixonasse por ele e pela raça !!!
Me lembro certa vez que estava
treinando um percurso de agility na ABRAFA, quando meu Border
se acidentou !!! Ele trombou com o salto eu acho e caiu
de mau jeito, machucando uma de suas patas, de imediato
eu não percebi e falei o nome do próximo obstáculo,
no caso a gangorra. Qual não foi minha surpresa quando
me viro para ele e vejo aquele cãozinho, ainda muito
jovem na época, fazendo um esforço tremendo
e caminhando com apenas 3 patas no chão para a gangorra
?!?!?! É obvio que corri e tirei ele da pista (já
no meio da gangorra). Sabe, eu sei que mesmo naquele estado,
ele teria terminado aquele percurso, não por prazer,
não por orgulho e nem por persistência, mas
por mim.
Esta é apenas uma
das muitas coisas que o Nick já fez por mim, por
esta e por muitas outras, creio que não é
exagero meu dizer que ter um cão e ter um Border
Collie, são experiências diferentes, mesmo
que as duas sejam fascinantes!!!
Marcelo Celso Miccheleti
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