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Alimentando o atleta canino para performance otimizada
Por Robert L. Gillette

Cada vez mais os veterinários estão testemunhando uma demanda crescente da clientela por informações a respeito da performance dos atletas caninos. As expectativas vêm como resultado dos avanços científicos na medicina esportiva humana. Se um dono de pet está apenas interessado em companhia, um stress mínimo será exercido sobre o corpo do animal. Conforme a demanda atlética do dono aumenta, há um aumento proporcional nas exigências físicas do cão. Um certo nível de energia é necessário para manter a homeostase e energia adicional é utilizada durante a atividade física. Determinar um programa nutricional começa pela definição do tipo de atividade e o nível de atividade a que o cão será submetido. Com as exigências da atividade determinada, os componentes do regime alimentar diário podem ser formulados. Além disso, a suplementação pode ser utilizada para destinar energia adicional necessária para as diferentes atividades. Uma abordagem profissional e bem informada sobre a alimentação pode aumentar a performance e minimiza problemas que podem resultar em um desempenho fraco.

Tipo e Nível de Atividade

O corpo necessita de energia para mander a homeostase e de energia extra durante as atividades físicas. A necessidade de energia de manutenção (MER, maintenance energy requirement) é definida como a energia por um cão adulto moderadamente ativo em um ambiente termicamente neutro (MER = 30 kcal /# para um cão com mais de 20 kg).

Quando o corpo age em um nível maior que sua rotina diária normal, há um gasto maior de energia. Atividades físicas podem ser divididas em duas categorias:

· atividades de força e potência

· atividades de resistência

Atividades de força e potência são de curta duração (inferior a dois minutos) e são executadas em intensidades máxima ou supra máxima. Algumas atividades são intermediárias, executadas em diferentes intensidades por dois a quatro minutos.

Atividades de resistência normalmente duram mais de quatro minutos e são executadas em intensidades inferiores a 90% da potência aeróbica máxima (VO2 max). É estimado que um cão que cace por uma hora utilize 1,1 x MER, durante um dia inteiro de caça utilize 1,4 a 1,5 x MER e um cão de trenó puxando por um dia utiliza 2 a 4 x MER.

O corpo utiliza três sistemas para obter energia para o corpo. O tipo de atividade define qual dos sistemas será usado. A fonte de energia mais imediata vem do sistema enzimático, que dá energia para até 20 segundos iniciais da atividade. Esse sistema usa ATP intracelular, Fosfato de Creatina (CF, Creatine Phosphate) e a reação ADP/myokinase para fornecer energia para atividade corporal aumentada.

Uma trilha de energia glisolítica produz energia dos cinco a 20 segundos até dois minutos. A energia vem da quebra anaeróbica da glicose. É uma forma mais complicada de produção de energia envolvendo múltiplos degraus e enzimas.

A terceira fonte de energia é do metabolismo oxidativo. Começa aproximadamente dois minutos após o início do exercício físico. É o sistema energético mais complicado. Pode usar vários substratos e é o sistema energético mais eficiente. Atividades de força e potência utilizam pesadamente os sistemas da enzima e da energia glicolítica, e atividades de resistência dependem sobretudo dos sistemas de energia oxidativa.

Componentes Nutricionais

As três fontes de energia usadas pelo corpo são os carboidratos, proteínas e gorduras.

Carboidratos digestíveis são os açúcares e os amidos. Celulose e pectina são carboidratos que são fibras chamadas minimamente digestíveis. Os açúcares simples, chamados monossacarídeos, são a glicose, a frutose e a galactose. Esses carboidratos estão na forma mais reduzida e não precisam ser quebrados para serem absorvidos pelo intestino. Os dissacarídeos são a sacarose, a maltose e a lactose, e são compostos por dois açúcares simples. Os amidos são carboidratos complexos, polissacarídeos, que são longas cadeias compostas por açúcares simples. Dissacarídeios e polissacarídeos precisam ser quebradas enzimaticamente para serem absorvidos pelo itestino.Os carboidratos tem uma produção energética de 3,5 kcal/g.

A proteína são fonte tanto de energia como de aminoácidos. Fontes de proteína animal de alta qualidade proporcionam digestibilidade superior, equilíbrio de aminoácidos e palatabilidade. A atividade física aumenta a necessidade de proteína do cão. Excesso de exercícios exigem demais do corpo, que pode resultar em ruptura de tecido e ocasionalmente lesão de tecidos. Esses tecidos devem ser remodelados e reparados, o que podem resultar em uma demanda maior de proteínas. Essa demanda pode ser obtida pelo aumento da ingestão de proteínas, que podem também ser usadas como fonte de energia com produção energética de 3,5 kcal/g.

A gordura é usada pelo corpo para obter energia e pode ser usada como fonte metabólica de água. Gorduras são altamente digestíveis, muito palatáveis e são um ingrediente nutricional de alta densidade energética. Tem uma produção energética de 8,5 kcal/f. Elas também são essenciais para a absorção das vitaminas solúveis em gordura, A, D, E e K. A gordura é também fonte de água metabólica. O metabolismo da gordura produz 107 g de água por 100 g de gordura. A proteína produz 40 g de água por 100 g de proteína e o carboidrato produz 55 g de água / 100 g de carboidratos. Ácido gorduroso em proporções adequadas pode também ajudar a reduzir a produção de mediadores inflamatórios na pele, plasma e neutrófilos dos cães. As razões dos ácidos gordurosos Omega 6 e Omega 3 entre 5:1 e 10:1 são otimizados.

Vitaminas e minerais são também muito importantes para o atleta canino. Algumas vitaminas importantes são A, D, E, K e as vitaminas do complexo B, especialmente a tiamina, niacina e cianocobolamina (B1, B3 e B12). A vitamina A tem um papel importante na saúde dos ligamentos e tendões. A vitamina D é importante para a manutenção do equilíbrio do cálcio e fósforo. A vitamina E é um anti-oxidante muito importante. Serve para manter a estabilidade da membrana celular, que é muito importante para cães que usam seu olfato, como os cães de aponte, cães farejadores e cães de busca e salvamento. A vitamina K é importante para manter boas condições sanguíneas no cão atleta. A tiamina ajuda a minimizar os efeitos do stress relacionados à competição e performance. A niacina ajuda no metabolismo do carboidrato, e é necessária para a produção dos glóbulos vermelhos do sangue. A cianocobolamina é essencial na síntese das proteínas e formação dos glóbulos vermelhos do sangue e a hemoglobina. A maioria das necessidades vitamínicas podem ser satisfeitas com uma dieta normal de alta qualidade, mas em certas situações a suplementação pode ser benéfica para a performance.

Determinação do Programa Nutricional

Os atletas de velocidade usam os sistemas de um enzima e de energia glicolítica. A duração suficiente para precisar da energia do sistema de energia oxidativa. Sua dieta de base deve incluir uma alta porcentagem de carboidratos e proteínas. Algumas dessas dietas estão à disposição no mercado ou ainda pode-se adicionar fontes de carboidratos à tradicional dieta de alto nível de proteínas. Se a competição envolver muitas disparadas repetitivas ou atividades em que o corpo vá, em algum ponto, começar a usar a energia do sistema oxidativo. Nesses casos, uma dieta melhor incluiria um equilíbrio de carboidratos, proteínas e gorduras. O aumento da quantidade de gordura ofereceria energia para as atividades posteriores.

Atletas de resistência são bem mais dependentes dos sistemas de energia oxidativa. Esses atletas se beneficiariam de uma porcentagem maior de gordura em sua dieta. Algumas rações industriais são elaboradas para esse fim ou ainda um suplemento à base de gordura pode ser adicionado a sua dieta normal. Quando o corpo está queimando gordura para sua fonte de energia, atrasa a depleção de glicogênio muscular. Essa ação então atrasa os efeitos do cansaço. Também foi provado que a queima de gordura metabolicamente gera menos calor do que queimar proteína. Minimizar o aumento da temperatura corporal seria benéfica a cães trabalhando resistência. Isso é especialmente verdadeiro para cães trabalhando em locais mais quentes.

*** Uma nota importante é que leva de quatro a seis semanas para o corpo se condicionar para se beneficiar de alterações alimentares. Isso é particularmente verdadeiro no aumento de gordura. Por exemplo, o cão de caça deve começar a adicionar suplementos de gordura pelo menos de quatro a seis semanas antes do começo da temporada de caça. Ainda, para se beneficiar da mudança de dieta no começo da temporada de caça, um programa de condicionamento ou treinamento deve começar ao mesmo tempo do início da mudança da dieta para acostumar os sistemas corporais ao suplemento.***

Suplementar a dieta com vitaminas e minerais pode melhorar a performance. A hora de suplementar é o fator chave na hora de influenciar a performance. Carboidratos e açucares simples, proteínas adequadas, combinadas com as devidas vitaminas e minerais podem ser ministrados em momentos chaves da atividade para aumentar a performance.

Resumo

O veterinário deve discutir as expectativas do proprietário e determinar exatamente quais demandas estão sendo colocadas sobre o cão. Determinadas as atividades, um programa nutricional adequado pode ser definido para proporcionar a quantidade e o tipo de energia necessários para maximizar a performance.

* Robert L. Gillette é veterinário especializado em medicina veterinária esportiva

Tradução: Adriana Mori
Link em Inglês:
http://www.sportsvet.com/Art3.html
© 1999, Robert L. Gillette.


 

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