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Cada vez mais
os veterinários estão testemunhando uma demanda
crescente da clientela por informações a respeito
da performance dos atletas caninos. As expectativas vêm
como resultado dos avanços científicos na
medicina esportiva humana. Se um dono de pet está
apenas interessado em companhia, um stress mínimo
será exercido sobre o corpo do animal. Conforme a
demanda atlética do dono aumenta, há um aumento
proporcional nas exigências físicas do cão.
Um certo nível de energia é necessário
para manter a homeostase e energia adicional é utilizada
durante a atividade física. Determinar um programa
nutricional começa pela definição do
tipo de atividade e o nível de atividade a que o
cão será submetido. Com as exigências
da atividade determinada, os componentes do regime alimentar
diário podem ser formulados. Além disso, a
suplementação pode ser utilizada para destinar
energia adicional necessária para as diferentes atividades.
Uma abordagem profissional e bem informada sobre a alimentação
pode aumentar a performance e minimiza problemas que podem
resultar em um desempenho fraco.
Tipo e Nível de
Atividade
O corpo necessita de energia
para mander a homeostase e de energia extra durante as atividades
físicas. A necessidade de energia de manutenção
(MER, maintenance energy requirement) é definida
como a energia por um cão adulto moderadamente ativo
em um ambiente termicamente neutro (MER = 30 kcal /# para
um cão com mais de 20 kg).
Quando o corpo age em um
nível maior que sua rotina diária normal,
há um gasto maior de energia. Atividades físicas
podem ser divididas em duas categorias:
· atividades de força
e potência
· atividades de resistência
Atividades de força
e potência são de curta duração
(inferior a dois minutos) e são executadas em intensidades
máxima ou supra máxima. Algumas atividades
são intermediárias, executadas em diferentes
intensidades por dois a quatro minutos.
Atividades de resistência
normalmente duram mais de quatro minutos e são executadas
em intensidades inferiores a 90% da potência aeróbica
máxima (VO2 max). É estimado que um cão
que cace por uma hora utilize 1,1 x MER, durante um dia
inteiro de caça utilize 1,4 a 1,5 x MER e um cão
de trenó puxando por um dia utiliza 2 a 4 x MER.
O corpo utiliza três
sistemas para obter energia para o corpo. O tipo de atividade
define qual dos sistemas será usado. A fonte de energia
mais imediata vem do sistema enzimático, que dá
energia para até 20 segundos iniciais da atividade.
Esse sistema usa ATP intracelular, Fosfato de Creatina (CF,
Creatine Phosphate) e a reação ADP/myokinase
para fornecer energia para atividade corporal aumentada.
Uma trilha de energia glisolítica
produz energia dos cinco a 20 segundos até dois minutos.
A energia vem da quebra anaeróbica da glicose. É
uma forma mais complicada de produção de energia
envolvendo múltiplos degraus e enzimas.
A terceira fonte de energia
é do metabolismo oxidativo. Começa aproximadamente
dois minutos após o início do exercício
físico. É o sistema energético mais
complicado. Pode usar vários substratos e é
o sistema energético mais eficiente. Atividades de
força e potência utilizam pesadamente os sistemas
da enzima e da energia glicolítica, e atividades
de resistência dependem sobretudo dos sistemas de
energia oxidativa.
Componentes Nutricionais
As três fontes de energia
usadas pelo corpo são os carboidratos, proteínas
e gorduras.
Carboidratos digestíveis
são os açúcares e os amidos. Celulose
e pectina são carboidratos que são fibras
chamadas minimamente digestíveis. Os açúcares
simples, chamados monossacarídeos, são a glicose,
a frutose e a galactose. Esses carboidratos estão
na forma mais reduzida e não precisam ser quebrados
para serem absorvidos pelo intestino. Os dissacarídeos
são a sacarose, a maltose e a lactose, e são
compostos por dois açúcares simples. Os amidos
são carboidratos complexos, polissacarídeos,
que são longas cadeias compostas por açúcares
simples. Dissacarídeios e polissacarídeos
precisam ser quebradas enzimaticamente para serem absorvidos
pelo itestino.Os carboidratos tem uma produção
energética de 3,5 kcal/g.
A proteína são
fonte tanto de energia como de aminoácidos. Fontes
de proteína animal de alta qualidade proporcionam
digestibilidade superior, equilíbrio de aminoácidos
e palatabilidade. A atividade física aumenta a necessidade
de proteína do cão. Excesso de exercícios
exigem demais do corpo, que pode resultar em ruptura de
tecido e ocasionalmente lesão de tecidos. Esses tecidos
devem ser remodelados e reparados, o que podem resultar
em uma demanda maior de proteínas. Essa demanda pode
ser obtida pelo aumento da ingestão de proteínas,
que podem também ser usadas como fonte de energia
com produção energética de 3,5 kcal/g.
A gordura é usada
pelo corpo para obter energia e pode ser usada como fonte
metabólica de água. Gorduras são altamente
digestíveis, muito palatáveis e são
um ingrediente nutricional de alta densidade energética.
Tem uma produção energética de 8,5
kcal/f. Elas também são essenciais para a
absorção das vitaminas solúveis em
gordura, A, D, E e K. A gordura é também fonte
de água metabólica. O metabolismo da gordura
produz 107 g de água por 100 g de gordura. A proteína
produz 40 g de água por 100 g de proteína
e o carboidrato produz 55 g de água / 100 g de carboidratos.
Ácido gorduroso em proporções adequadas
pode também ajudar a reduzir a produção
de mediadores inflamatórios na pele, plasma e neutrófilos
dos cães. As razões dos ácidos gordurosos
Omega 6 e Omega 3 entre 5:1 e 10:1 são otimizados.
Vitaminas e minerais são
também muito importantes para o atleta canino. Algumas
vitaminas importantes são A, D, E, K e as vitaminas
do complexo B, especialmente a tiamina, niacina e cianocobolamina
(B1, B3 e B12). A vitamina A tem um papel importante na
saúde dos ligamentos e tendões. A vitamina
D é importante para a manutenção do
equilíbrio do cálcio e fósforo. A vitamina
E é um anti-oxidante muito importante. Serve para
manter a estabilidade da membrana celular, que é
muito importante para cães que usam seu olfato, como
os cães de aponte, cães farejadores e cães
de busca e salvamento. A vitamina K é importante
para manter boas condições sanguíneas
no cão atleta. A tiamina ajuda a minimizar os efeitos
do stress relacionados à competição
e performance. A niacina ajuda no metabolismo do carboidrato,
e é necessária para a produção
dos glóbulos vermelhos do sangue. A cianocobolamina
é essencial na síntese das proteínas
e formação dos glóbulos vermelhos do
sangue e a hemoglobina. A maioria das necessidades vitamínicas
podem ser satisfeitas com uma dieta normal de alta qualidade,
mas em certas situações a suplementação
pode ser benéfica para a performance.
Determinação do Programa Nutricional
Os atletas de velocidade
usam os sistemas de um enzima e de energia glicolítica.
A duração suficiente para precisar da energia
do sistema de energia oxidativa. Sua dieta de base deve
incluir uma alta porcentagem de carboidratos e proteínas.
Algumas dessas dietas estão à disposição
no mercado ou ainda pode-se adicionar fontes de carboidratos
à tradicional dieta de alto nível de proteínas.
Se a competição envolver muitas disparadas
repetitivas ou atividades em que o corpo vá, em algum
ponto, começar a usar a energia do sistema oxidativo.
Nesses casos, uma dieta melhor incluiria um equilíbrio
de carboidratos, proteínas e gorduras. O aumento
da quantidade de gordura ofereceria energia para as atividades
posteriores.
Atletas de resistência
são bem mais dependentes dos sistemas de energia
oxidativa. Esses atletas se beneficiariam de uma porcentagem
maior de gordura em sua dieta. Algumas rações
industriais são elaboradas para esse fim ou ainda
um suplemento à base de gordura pode ser adicionado
a sua dieta normal. Quando o corpo está queimando
gordura para sua fonte de energia, atrasa a depleção
de glicogênio muscular. Essa ação então
atrasa os efeitos do cansaço. Também foi provado
que a queima de gordura metabolicamente gera menos calor
do que queimar proteína. Minimizar o aumento da temperatura
corporal seria benéfica a cães trabalhando
resistência. Isso é especialmente verdadeiro
para cães trabalhando em locais mais quentes.
*** Uma nota importante
é que leva de quatro a seis semanas para o corpo
se condicionar para se beneficiar de alterações
alimentares. Isso é particularmente verdadeiro no
aumento de gordura. Por exemplo, o cão de caça
deve começar a adicionar suplementos de gordura pelo
menos de quatro a seis semanas antes do começo da
temporada de caça. Ainda, para se beneficiar da mudança
de dieta no começo da temporada de caça, um
programa de condicionamento ou treinamento deve começar
ao mesmo tempo do início da mudança da dieta
para acostumar os sistemas corporais ao suplemento.***
Suplementar a dieta com vitaminas e minerais pode melhorar
a performance. A hora de suplementar é o fator chave
na hora de influenciar a performance. Carboidratos e açucares
simples, proteínas adequadas, combinadas com as devidas
vitaminas e minerais podem ser ministrados em momentos chaves
da atividade para aumentar a performance.
Resumo
O veterinário deve
discutir as expectativas do proprietário e determinar
exatamente quais demandas estão sendo colocadas sobre
o cão. Determinadas as atividades, um programa nutricional
adequado pode ser definido para proporcionar a quantidade
e o tipo de energia necessários para maximizar a
performance.
*
Robert L. Gillette é veterinário especializado
em medicina veterinária esportiva
Tradução:
Adriana Mori
Link em Inglês:
http://www.sportsvet.com/Art3.html
© 1999, Robert L. Gillette.

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