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Terceira idade
O que fazer quando seu amigo se transforma num velho amigo
Por Oswaldo Luis Pasqualin
texto: Adriana Mori
© Focinhos

Bico de papagaio em cães!?!

Definitivamente, ele não é mais o mesmo. Ele, que era tão alegre e ativo, animado e brincalhão, hoje está no canto, apático. Levanta-se com dificuldade, recusa-se muitas vezes a se movimentar e quando isso acontece, parece que sente dor. Ao contrário dos seres humanos, esses não são os sinais de que seu animal de estimação está com dor de cotovelo. Na verdade, a dor é um pouco mais em cima e pode comprometer seriamente sua vida.

Na terceira idade, o animal está mais sujeito a apresentar problemas na coluna e o bico de papagaio é um dos mais comuns, principalmente se o seu pet for um cão que tem a coluna mais comprida que o comprimento das pernas, como o dachshund, o basset hound, o lhasa apso, o shih tzu, o pequinês e o beagle, ou se ainda ele é um cão de trabalha muito solicitado, um atleta de agility muito malhado ou ainda um cão de tração. O que chamamos de bico de papagaio na verdade são os osteófitos ventrais das vértebras, que podem aparecer desde a coluna cervical até a lombar. Os osteófitos são lesões do perióstio, membrana que reveste o osso, provocadas por trações contínuas e repetitivas dos tendões e músculos.

O bico de papagaio pode aparecer em qualquer vértebra onde haja inserção de ligamento de tendões e músculos onde ocorra tração, mais comumente na parte ventral e extremidade das vértebras. Essas trações dos tecidos moles (tendões e ligamentos) ocorrem em situações especiais:

• Animais que anatonicamente apresentam uma solidificação maior da coluna, que são os animais de patas muito curtas em relação ao comprimento da coluna

• A coluna é mais horizontal (e não e vertical)

• As patas muito curtas provocarem um movimento sempre de impacto sobre a oscilação da coluna no movimento.

Sempre que um quadrúpede anda, uma vez que sua coluna é horizontal, faz movimento para cima e para baixo, de flexão e extensão, permanente, a cada passo. Se o animal tem pernas curtas, o movimento tem impacto maior pois a angulação da pata não promove amortecimento do choque. Se a perna for mais alta, o amortecimento é maior e não ocorre esse impacto de um movimento de extensão a cada passo. Já se for curta, o impacto pode provocar, a longo prazo, uma periostite (inflamação do perióstio da região). Trata-se de um LER - lesão por esforço repetitivo -, um microtrauma que machuca a membrana continuamente. Para se defender, ela se inflama e além de aumentar de volume, se calcifica, produzindo um osso com forma de esporão para se defender. É a esse esporão ósseo que se dá o nome de bico de papagaio.

O bico de papagaio é doloroso, pois é um osso saindo da vértebra para os tecidos moles, inflamando-os, como se a espora fosse realmente um bico cutucando a carne por dentro. À medida que os esporões vão crescendo, aos poucos eles podem ir se agrupando, juntando o bico de papagaio de uma vértebra com a outra, formando uma espondilite, que deixa a coluna vertebral rígida, não permitindo o movimento entre uma vértebra e outra e causando muita dor, pois provoca uma inflamação dos tecidos muito intensa.

O animal pode ser operado caso se localize em uma região da coluna de fácil acesso cirúrgico e sua remoção consiste apenas em descolar o esporão do osso onde nasceu. Já em certos locais, como dentro da cavidade torácica, o acesso cirúrgico não é possível. O diagnóstico definitivo se dá com ajuda de uma radiografia, que aponta exatamente o tipo de lesão que o animal apresenta. Pela lesão associada à observação e sintomas (físico e funcionais), o veterinário poderá tomar uma atitude, que pode ser a operação, caso o bico de papagaio possa ser removido, ou um tratamento médico e fisioterápico com calor e duchas, caso a lesão esteja localizada em local não operável.

Fique de olho!
Assim como o bico de papagaio, os processos inflamatórios crônicos doem mais no frio e seus sintomas ficam mais evidentes. Isso se deve ao fato do calor provocar vasodilatação, que diminui o processo inflamatório.

Kit para seu cão com problemas na coluna

• Diagnóstico precoce - permite manter o cão com boa qualidade de vida, seja por meio de operação ou tratamento veterinário;

• Antiinflamatórios - o veterinário poderá receitar o remédio adequado para cada situação;

• Controle de atividade - proporcione ao animal atividades atléticas bem dosadas para não haver exagero. Animais não podem fazer exercício acima de suas capacidades físicas. Caso o animal apresente predisposição, diminua a quantidade de exercícios. Essa medida reduz o aparecimento de problemas, mas não impede. Animais que apresentarem problemas de coluna, devem ter sua rotina de exercícios interrompida;

• Dieta - o peso não pode aumentar, pois ele é sustentado pela coluna. Mantenha o peso constante.


* Osvaldo Pasqualin é médico veterinário e atende em São Paulo na Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 635, tel.: (0xx11) 571-2072

http://www.uol.com.br/focinhos/terceira_idade/


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