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Em função da displasia que se
desenvolve nessa faixa etária, as articulações podem
entrar em degeneração – clinicamente chamadas de artrose
ou osteoartrose. A formação das articulação se dá,
normalmente, até um ano de vida na maioria das raças,
por isso a radiografia oficial é feita a partir dos
doze meses de idade. “Depois
dessa idade, teoricamente a doença não teria mais
como aumentar. Fica naquele estado, o que pode acontecer
é o animal desenvolver a parte secundária”, diz o dr. Edgar.
De
olho na movimentação
O animal demonstra dor e em função dela começa
a mancar (claudicação). Dependendo da intensidade
da dor, pode se observar que alguns animais têm dificuldade
de locomoção, procuram ficar mais quietos, sem se
movimentar. “Proprietários
comentam que aquele tem menos atividade que os demais
cães da casa. Isso acontece porque ele sente dor e
para evitá-la, ele - que não é bobo - fica em repouso,
quietinho, deitado, pois se tentar se levantar sente
dor”, explica o dr. Edgar. Às vezes, dói tanto
que o cão não levanta nem para se alimentar. Outro
sinal é quando ele se movimenta rebolando. Quando
o animal caminha, a articulação estramela e é acompanhada
de um processo doloroso, que faz com que a passada
seja curta e rápida.
Se
o cão apresentar crepitação nas articulações, suspeite.
“Sabe
aquele roc-roc que a articulação faz ao ser movimentada?
Isso normalmente acontece porque os ossos que compõem
a articulação têm a cartilagem articular lesionada,
destruída de tal forma que osso cutuca com osso”,
explica.
Dependendo da intensidade da dor e do tempo que permanecerem
sem se movimentar, o animal também pode sofrer atrofia
muscular. “Dá
para perceber uma ou duas patas do animal claramente
atrofiadas quando o seguramos para fazer a radiografia”,
diz
o dr. Edgar. A atrofia se dá pela pouca utilização
do membro. “O
início de lesão ou de displasia fazem com que o animal
use o membro de forma menos intensa”, explica.
E ainda em decorrência da dor, o cachorro pode ficar
mal humorado – “afinal,
não é fácil sentir esse incômodo 24 horas por dia”,
ressalta
o veterinário – e podem chegar a morder o próprio
dono.
Como
conseqüência da displasia, os cães podem apresentar
ainda osteoartrose (processo degenerativo).
“Se
forçar a atividade física, o problema pode se agravar,
pois é um processo evolutivo progressivo, ou seja,
a tendência é sempre piorar”, alerta
o veterinário. Além disso, é freqüentemente reportada
com o conseqüência a displasia de cotovelo.
“Quando
o animal tem displasia coxofemural, ele tende a defender
os posteriores e joga seu peso para os anteriores”,
explica.
Aparências
que não enganam
Uma
articulação coxofemural normal apresenta a cabeça
do fêmur com aspecto esférico, que se encaixa em uma
estrutura côncava chamada cavidade acetabular. É nessa
cavidade que a
cabeça do femur se encaixa. É possível observar
extenso paralelismo entre os limites da cabeça do
fêmur e cavidade acetabular, dessa forma o ligamento
redondo (que liga o fêmur à cavidade acetabular) fica
muito sossegado, porque não está sendo estressado.
O
animal displásico apresenta deslocamento lateral da
cabeça do fêmur para fora da cavidade acetabular.
Dependendo do deslocamento, é fácil romper o ligamento
redondo. Quando deslocada para fora, a cabeça do fêmur
assume outra forma anatômica não mais esférica, podendo
se assemelhar a um cogumelo, completamente achatada,
e acaba trabalhando solta da cavidade acetabular.
O
diagnóstico da doença só é feito de forma definitiva
com radiografia. Clinicamente pode se ter uma idéia,
que só será confirmada com radiografia em posição
correta. Veja passo a passo os procedimentos tomados
para se fazer uma radiografia:
1.
O animal é anestesiado ou profundamente sedado.
“No
Provet, optamos pela anestesia”, diz
o dr. Edgar.
2.
Depois de anestesiado, o cão é colocado de
barriga para cima em uma calha que auxilia o posicionamento
correto.
3.
Com ajuda de um espessômetro, calcula-se o
poder de penetração do raio X.
4.
Verificando-se o posicionamento horizontal
da pelve, estender os membros e com auxílio de uma
régua, confirma-se a horizontalidade da pelve.
5.
Palpação dos joelhos, para orientar quem segura
os membros, do movimento medial (para dentro). Se
o cão for displásico, a cabeça do fêmur sai em cima.
A rotação deve ser feita de forma que a patela (rótula)
fique na frente da articulação.
6.
Essa é a posição ideal, que será confirmada
posteriormente pela qualidade da radiografia.
7.
A radiografia oficial deverá trazer a identificação
com RG do animal, data de nascimento e data em que
foi realizada a radiografia.
A
radiografia depende do bom posicionamento do animal.
A pelve em posição horizontal, asa da anca com simetria
e largura idênticas, canal pélvico simétrico e fêmures
paralelos entre si e com a coluna vertebral indicam
que a radiografia foi bem sucedida. A posição exigida,
com a rótula na frente da articulação (prova de que
o veterinário torceu, pois na radiografia toda a pelve
e articulações do joelho ou na pior das hipóteses,
a patela, devem estar bem visíveis) é incômoda e dolorida,
por isso o animal é anestesiado.
Uma
radiografia mal-feita pode fazer com que o cão displásico
seja incluído na vida reprodutiva. Erros de posicionamento
podem fazer com que a radiografia de um cão inapto
não pareça tão ruim como realmente é. Depois que a
radiografia é feita, ela é enviada para o CBRV (Colégio
Brasileiro de Radiologoia Veterinária) para avaliação
e emissão do laudo oficial. O CBRV é a única entidade
nacional que emite laudos oficiais para displasia
coxofemural.
Apto
ou não apto?
De
posse da radiografia, existem cinco classificações
para as articulações.
NORMAL:
Cabeça
do fêmur bem encaixada dentro da cavidade acetbaular.
Extenso paralelismo entre as linhas da cabeça do fêmur
e cavidade acetabular. Centro da cabeça do fêmur para
dentro da borda acetabular dorsal
QUASE
NORMAL:
O
espaço entre a cavidade e a cabeça aumenta, a cabeça
do fêmur
está sutilmente deslocada da cavidade acetabular
AINDA
PERMITIDO: A fresta aumenta, o ligamento
redondo passa a ser esticado e a
porção de encaixe diminui. A condição anatômica
da cabeça do fêmur se altera, perde aspecto esférico
e colo femural fica mais espesso e curto
MODERADA:
O espaço aumenta bruscamente.
A fresta é grande e a porção encaixada menor, o centro
da cabeça de fêmur fica bem para fora do limite do
teto da cavidade acetabular
SEVERA:
A
cabeça do fêmur perde totalmente o aspecto esférico
e está bem fora da cavidade acetabular.
“O
grande beneficiado por um controle efetivo de displasia
são os criadores. Tenho percebido que criadores que
radiografam seus cães e retiram os displásicos
da criação apresentam uma grande melhora na qualidade
do plantel”, aconselha.
Como cães displásicos podem ser filhos de pais normais,
o aconselhável seria manter na reprodução apenas os
cães com chapas normais.
Outras
recomendações dizem respeito às formas de prevenção.
“Os
filhotes deveriam permanecer leves até os dez meses
de idade, quando seus ossos estariam mais preparados
para suportar mais peso”, diz.
Além disso, o piso onde o cão vive pode piorar uma
condição de displasia que o cão já teria em função
da hereditariedade.
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