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Obesidade

Problemas na balança

por Adriana Mori

Muitos motivos podem provocar o aumento do peso de seu cão, mas a conclusão é uma só: excesso de peso compromete a qualidade de vida e deve ser encarado como um problema

Atenção para alimentação, exercícios e equilíbrio hormonal: em um desses três fatores pode estar a motivo do excesso de peso do seu pet. Se encontrar as costelas do seu cão se tornou uma missão impossível, você não tem mais um cachorro robusto: ele está gordo. "Gordo? Imagine... Ele não come muito, se exercita, isso é coisa da raça". Não se iluda com esse tipo de desculpa. Por mais que ele aparente estar saudável, há uma série de problemas ligados à obesidade.

Gordo ou robusto?

O animal é considerado gordo quando está 10% acima de seu peso ideal. Já o obeso aponta excesso de 20% em relação a seu peso ideal. Isso é muito ruim, pois a obesidade atrapalha a vida do cão: a movimentação fica dificultada e a fisiologia, prejudicada. Além disso, há outros sinais que demonstram que há algo errado na silhueta do pet:


- redução de atividade
- cansa facilmente
- perde rapidamente o fôlego
- caminha com mais dificuldade
- apresenta acúmulo de gordura nas costas, ao redor do pescoço e nos ombros

A obesidade está ligada a problemas como ataques cardíacos, câncer, problemas nos pulmões, fígado, ovários, diabetes, gases intestinais, problemas na glândula anal, além de terem muito mais chances de morrerem em cirurgias, de terem hipertensão, desenvolverem problemas na coluna, nas articulações e ainda de pele, como eczemas. E muitas vezes a culpa é do dono.

Muitos casos de obesidade são resultado de uma equação que envolve um cão guloso, vida sedentária, excesso de alimentação e um dono que apela para os petiscos para conseguir as coisas do cão. Se o consumo calórico for maior que o gasto, acontece um desequilíbrio energético, em que o corpo pende para o lado que a balança pender. Se ele come muito e gasta pouco, parece lógico que o cão engorde.

Existem também os casos em que a obesidade tem origem fisiológica, quando o excesso de peso está ligado a desequilíbrio hormonal. Nesse caso, apenas o veterinário poderá prescrever um tratamento para reequilibriar o organismo. Há vários hormônios cujo desequilíbrio pode levar ao aumento de peso. O hipotireoidismo, por exemplo, pode causar desequilíbrio ovariano do tipo 2, por excesso de produção do estrogênio, o hormônio que regula a produção de gordura. Além disso, há o hipoadrenocorticismo, causado por insuficiência da glândula supra-renal, que também pode provocar o aumento de peso do pet.

Cuidados específicos

    • Algumas raças e situações específicas exigem atenção redobrada quando se fala de obesidade:
    • O COCKER SPANIEL INGLÊS e o LABRADOR costumam ser gulosos e muitas pessoas os têm em apartamento, onde fica difícil para o cão se exercitar e queimar calorias.
    • O BEAGLE e o BULL TERRIER também são gulosos e precisam de atividade, senão além de obesos, tendem à destrutividade.
    • Os de CORPO ALONGADO, como o dachshund e o basset hound, devem evitar sempre excesso de peso, pois têm a coluna mais frágil.
    • Excesso de peso faz com que os de raças GRANDES E PESADAS, como o rottweiler, o são bernardo e o mastiff inglês, se movimentem e se exercitem menos. Muito consumo e pouco gasto podem resultar em problemas nas articulações, o que aumenta a chance do animal sofrer traumatismos.
    • Cães DISPLÁSICOS em geral devem evitar a todo custo o peso em excesso, pois a sobrecarga na articulação pode agravar o problema.
    • É mais fácil para os IDOSOS se tornarem obesos, pois com o avanço da idade, diminui a atividade, aumenta o desequilíbrio energético (consumo calórico se torna muito menor que o gasto) e os desequilíbrios hormonais.

Regime nele!

Se o cão está com excesso de peso, o primeiro passo é levá-lo ao veterinário para que ele seja avaliado. O veterinário é o único profissional apto para prescrever uma dieta associada a atividade física. Para evitar problemas, a melhor medida é o bom senso.

    • Quanto mais cedo for detectada a obesidade, mais fácil será tratar o animal
    • Na hora dos exercícios, não sobrecarregue o cão. O aumento da atividade deve ser lento e gradual
    • Caminhar com seu cão não tem contra-indicações. Saia para passear sempre que possível e não esqueça da coleira e da guia. Se possível, evite vias muito movimentadas, pois o passeio pode se tornar uma tortura para o pet.
    • Brincar de correr e de pegar objetos atirados pode ser também uma boa dica. Aqui vale também o bom senso: não submeta seu cão a sobrecarga de exercícios.
    • Não deixe a comida à disposição o dia todo. Divida em refeições menores durante o dia
    • Deixe a ração disponível por cerca de quinze minutos a cada refeição. Se ele não comer, retire.
    • Siga as instruções das embalagens da ração. Se perceber que o cão está engordando, consulte o veterinário antes de diminuir a quantidade de ração
    • Não ofereça alimentação fora da dieta do animal. Eventualmente, você pode oferecer petiscos, mas sem exageros.
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