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Piometra: nenhuma cadela está a salvo

Fatal se não tratada a tempo, a piometra não escolhe idade, raça ou porte

por Adriana Mori

Um belo dia, aquela cadela tão alegre fica quietinha, no canto dela, lambendo a vulva mesmo não estando no cio, sentindo frio mesmo quando está quente. Pode não ser nada, mas cuidado: alguns desses sintomas podem ser um sinal de que algo não vai bem com ela. O problema pode estar no útero e recebe o nome de Piometra.

A cadela, por algum distúrbio hormonal (desequilíbrio da taxa de hormônios, pode ser provocado por diversos fatores, entre eles uso de medicamentos abortivos ou inibidores do cio), começa a produzir progesterona (hormônio sexual feminino) em alta quantidade. Esse excesso leva a uma alteração das células da mucosa uterina e consequentemente, acúmulo de grande quantidade de líquido dentro do útero. Segundo a veterinária Sílvia Crusco, especialista em reprodução animal, normalmente a piometra acomete a cadela no diesto (período de 60 dias após o cio).

"Esse líquido acaba se contaminando, determinando a piometra", explica a veterinária Neísa Lourenço, de Juiz de Fora (MG). "Por causa do acúmulo, a infecção normalmente não responde bem ao tratamento com antibióticos, já que o líquido presente continuaria "alimentando" a infecção. Além disso, o emprego de antibióticos locais é de pouca valia, pois o formato do útero das cadelas (em "Y") impediria que a lavagem chegasse a todo o útero", explica.

"Além disso, muitas vezes, temos a piometra fechada, onde uma parte mais densa da vagina (o cevix) se encontra fechada, impedindo assim a introdução de uma sonda para lavagem. Em alguns casos, o quadro pode ser mais complicado pela ausência do corrimento (o que facilitaria ao proprietário detectar o problema) e retenção do material purulento. Esse material retido dentro do útero aumenta a gravidade do quadro", diz.

"É uma doença silenciosa e só conseguimos diagnosticá-la quando a cadela apresenta sinais clínicos, e se ela não for operada a tempo, dificilmente sobrevive", observa a dra. Sílvia Crusco. "Isso acontece porque a infecção que antes era uterina acaba se generalizando por todo o organismo. Temos aí uma sobrecarga renal, o que torna a cirurgia tardia mais arriscada", confirma a dra. Neísa. Segundo ela, por meio do raio X é possível fazer apenas um diagnóstico presuntivo, que deve ser sempre analisado juntamente com o quadro clínico e com o hemograma, pois há um aumento considerável e característico no número de leucócitos (células de defesa). "A ultrassonografia talvez seja o melhor método para confirmação da suspeita clínica", explica.

Sintomas

Nem sempre é fácil identificar os sintomas da piometra. Se a piometra se manifestar de forma "aberta", é possível perceber um corrimento purulento, grosso, mal cheiroso, e muitas vezes com sangue. Já se for fechada, não teremos o corrimento e só veremos os sintomas da fase posterior, já de intoxicação orgânica pela infecção uterina. Nessa fase, o animal apresenta:

  • aumento no volume e no número de vezes em que a cadela urina

  • aumento no consumo de água

  • apatia

  • febre, vômito e cólicas

  • aumento abdominal

 

Castrar para previnir

Apesar da maioria dos casos se manifestar em cadelas a partir dos cinco anos de idade, a piometra pode atingir animais mais jovens. Além disso, por atingir mais cadelas que nunca tiveram cria, há uma mentalidade errônea que induz as pessoas a cruzar suas cadelas para evitar a doença. Acasalar a fêmea a fim de prevenir a infecção não é um método garantido. "A única prevenção eficaz é realmente a castração. Aliás com ela, pela retirada do útero eliminamos de vez o risco da piometra e diminui também o risco de tumores de mama", diz a doutora Neísa.

O tratamento para a doença é a cirurgia para retirada do útero e ovários. "Já presenciei cura de piometra com homeopatia, mas como muitas vezes não temos como arriscar um tratamento, muitos veterinários homeopatas acabam indicando a cirurgia", conta.

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