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Um
belo dia, aquela cadela tão alegre fica quietinha, no canto
dela, lambendo a vulva mesmo não estando no cio, sentindo
frio mesmo quando está quente. Pode não ser nada, mas cuidado:
alguns desses sintomas podem ser um sinal de que algo não
vai bem com ela. O problema pode estar no útero e recebe
o nome de Piometra.
A cadela,
por algum distúrbio hormonal (desequilíbrio da taxa de hormônios,
pode ser provocado por diversos fatores, entre eles uso
de medicamentos abortivos ou inibidores do cio), começa
a produzir progesterona (hormônio sexual feminino) em alta
quantidade. Esse excesso leva a uma alteração das células
da mucosa uterina e consequentemente, acúmulo de grande
quantidade de líquido dentro do útero. Segundo a veterinária
Sílvia Crusco, especialista em reprodução animal, normalmente
a piometra acomete a cadela no diesto (período de 60 dias
após o cio).
"Esse
líquido acaba se contaminando, determinando a piometra",
explica a veterinária Neísa Lourenço, de Juiz de Fora (MG).
"Por causa do acúmulo, a infecção normalmente não responde
bem ao tratamento com antibióticos, já que o líquido presente
continuaria "alimentando" a infecção. Além disso,
o emprego de antibióticos locais é de pouca valia, pois
o formato do útero das cadelas (em "Y") impediria
que a lavagem chegasse a todo o útero", explica.
"Além
disso, muitas vezes, temos a piometra fechada, onde uma
parte mais densa da vagina (o cevix) se encontra fechada,
impedindo assim a introdução de uma sonda para lavagem.
Em alguns casos, o quadro pode ser mais complicado pela
ausência do corrimento (o que facilitaria ao proprietário
detectar o problema) e retenção do material purulento. Esse
material retido dentro do útero aumenta a gravidade do quadro",
diz.
"É
uma doença silenciosa e só conseguimos diagnosticá-la quando
a cadela apresenta sinais clínicos, e se ela não for operada
a tempo, dificilmente sobrevive", observa a dra. Sílvia
Crusco. "Isso acontece porque a infecção que antes
era uterina acaba se generalizando por todo o organismo.
Temos aí uma sobrecarga renal, o que torna a cirurgia tardia
mais arriscada", confirma a dra. Neísa. Segundo ela,
por meio do raio X é possível fazer apenas um diagnóstico
presuntivo, que deve ser sempre analisado juntamente com
o quadro clínico e com o hemograma, pois há um aumento considerável
e característico no número de leucócitos (células de defesa).
"A ultrassonografia talvez seja o melhor método para
confirmação da suspeita clínica", explica.
Sintomas
Nem
sempre é fácil identificar os sintomas da piometra. Se a
piometra se manifestar de forma "aberta", é possível
perceber um corrimento purulento, grosso, mal cheiroso,
e muitas vezes com sangue. Já se for fechada, não teremos
o corrimento e só veremos os sintomas da fase posterior,
já de intoxicação orgânica pela infecção uterina. Nessa
fase, o animal apresenta:
Castrar
para previnir
Apesar
da maioria dos casos se manifestar em cadelas a partir dos
cinco anos de idade, a piometra pode atingir animais mais
jovens. Além disso, por atingir mais cadelas que nunca tiveram
cria, há uma mentalidade errônea que induz as pessoas a
cruzar suas cadelas para evitar a doença. Acasalar a fêmea
a fim de prevenir a infecção não é um método garantido.
"A única prevenção eficaz é realmente a castração.
Aliás com ela, pela retirada do útero eliminamos de vez
o risco da piometra e diminui também o risco de tumores
de mama", diz a doutora Neísa.
O
tratamento para a doença é a cirurgia para retirada do útero
e ovários. "Já presenciei cura de piometra com homeopatia,
mas como muitas vezes não temos como arriscar um tratamento,
muitos veterinários homeopatas acabam indicando a cirurgia",
conta.
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