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A
partir dos 10 anos de idade, é comum cães
e gatos apresentarem distúrbios de comportamento,
as chamadas neurastenias. Tais distúrbios atacam
animais anteriormente bem-comportados e podem ser a continuidade
dos problemas já existentes ou surgir na idade avançada.
Uma das mais freqüentes
manisfestações da velhice são os comportamentos
repetitivos. O latido é um deles. Às vezes
observamos um cão com a pelagem embranquecida latindo
a esmo, sem razão, com um latido monónoto,
rouco e lento. Isso nada mais é que uma forma de
chamar a atenção. Nesse caso, o dono pode
interromper o latido e acariciar o animal.
Outro movimento repetido
mecanicamente é aquele que o animal insiste em se
colocar numa posição, como se estivesse protegendo
o seu canto, sua comida, seu pano predileto.
Cães e gatos podem
se tornar mais ranzinzas e agressivos, e até atacar
pessoas que antes já não gostavam muito. Tudo
por conta de uma redução do limite de paciência.
Exatamente o que acontece com os humanos "velhinhos".
Outras vezes, ao invés
de rosnar ou atacar, o animal se retira, vai para um canto
e fica lá, quieto. Nos gatos, esse mau humor fica
mais evidente. Eles demonstram essa tolerância menor
com agressividade e afastamento, como se dissessem: "Não
quero conversa". Prova evidente dessas rabugices extremadas
é quando o gato passa a defecar fora da caixa de
areia.
A velhice também altera
a capacidade de resistência física - os animais
dormem mais tempo - e provoca alterações na
seletividade alimentar - eles deixam de ingerir alimentos
que estavam habituados, ou, ao contrário, escolhem
outro cardápio. O exagero é o animal comer
as próprias fezes. Isso é o que se chama de
aberração de comportamento. Outra aberração,
que se manifesta por tédio ou por falta do que fazer,
é o mascar ou lamber excessivamente uma parte do
corpo, chegando a sangrar.
Em animais de idade bem avançada
é comum a perda dos reflexos condicionados de reação
de estímulos ao meio ambiente - algo que ele fazia
antes, pára de fazer e vice-versa. Isso se justifica
devido à deterioração da capacidade
mental sobre o treinamento doméstico. Nesse caso,
o animal pode se tornar desobediente e destruidor, principalmente
quando fica sozinho em casa. Destruir objetos que se encontram
ao redor é um típico sintoma de ansiedade
e pode ser resolvido com um truque: deixar o rádio
ligado. A ansiedade também leva o animal a comer
demais, chegando à obesidade. Nessa idade, é
preciso ficar atento ao possível surgimento de lesões,
que podem causar dores.
RESGATES DE MEMÓRIA
Já
velho, o Guarani, meu vira-lata de 16 anos, começou
a assistir novela sentado - como uma pessoa - no sofá,
a dormir na cama e a detestar portas fechadas. Se fosse
contrariado, reclamava, latia e ficava andando de um lado
para o outro até que fizessem a vontade dele. Com
a comida, ficou fresco: antes, era acostumado com ração
e depois, se recebesse ração, virava o pote.
Só queria se fosse comida igual à nossa.
Renato Chagas, Curitiba, PR.
Depois que passou dos
11 anos de idade, a Michelle, minha chihuahua, ficou meio
porquinha. Chegava a me morder quando ia dar banho nela
e, quando levava bronca, ela "respondia" e comia
as próprias fezes. Ela se apegou a uma almofada e
a um cobertor a tal ponto que ninguém podia se proximar,
porque ela avançava mesmo. César
Hernandez, São Paulo, SP.
Bruma,
a nossa pastora alemã de 13 anos, depois que entrou
na velhice, tomou uma atitude radical em relação
à água. Passou a desviar até das poças
e nunca mais saiu de casa quando chove. Se ela quer fazer
cocô ou xixi e está chovendo, vai para a varanda,
que é coberta. Só para não se molhar.
Ana Maria, Guimarães, Mairinque, SP.
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Osvaldo Pasqualin é médico veterinário
e atende em São Paulo na Av. Conselheiro Rodrigues
Alves, 635, tel.: (0xx11) 571-2072
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