Home
O Agility
Entrevistas
Internacionais
The Journal
Treinamento
Raças
Saúde
Videos
Nós, Agiliteiros
Direito dos Animais
Galeria de Eventos
Crônicas e Contos
Indicações
Links
Jogos
Chat
Quem somos
Fale Conosco
 
Parceiros
 
Compare produtos, lojas e preços
Digite produto ou marca
 
 
.
.
www.flickr.com
This is a Flickr badge showing public photos from MIBSASHA tagged with sasha. Make your own badge here.

Totó, tá me ouvindo?
Por Deb Eldredge, D.V.M.

Todos os nossos cães vivenciam perda de audição em algum momento da vida. O cão que consegue ouvir um alfinete caindo no chão do hall de entrada, mesmo se estiver dormindo em um dos quartos do terceiro andar pode não ser capaz de ouvir um "fica" na linha de partida ou "deita" na mesa. Sem contar esses casos de "surdez seletiva", alguns cães realmente apresentam problemas de audição.

A audição depende de vários fatores concomitantes. Os neurônios que transmitem as mensagens de som ao cérebro devem estar funcionando direito e a orelha do cão deve ser capaz de capturar esses sons, só para começar.

O primeiro tipo de perda de audição se deve à perda de pigmento (melanina) nas células capilares sensitivas que transformam sons em transmissões neurológicas (uma leve simplificação). Sem o pigmento apropriado, nenhum som é transmitido. Casos de surdez relacionados a pigmentação são genéticos. Veterinariamente falando, a maioria é autossômica recessiva por herança, ou seja, tanto machos como fêmeas podem ser afetados e ambos os pais contribuem para o problema. Danos neurológicos também podem ser resultantes da idade.

Então quem tem o maior risco tanto de falta de pigmento ou pigmentos não-usuais? Cães brancos, com genes piebald (branco malhado) ou merle correm grandes riscos. Se o cão tiver olhos azuis, o risco aumenta. Mesmo assim, nem todos os cães brancos, piebald ou merle são surdos, nem mesmo aqueles com olhos azuis. Ainda é possível que o cão tenha audição normal em um ouvido mas seja surdo de outro. O ponto crucial aqui é se o pigmento reduzido chega a afetar essas células especiais da parte interna do ouvido.

O segundo tipo de surdez decorre de problemas de transmissão. Os sons não chegam aos neurônios por diversos motivos: mudanças do envelhecimento, infecções na orelha, ototoxicidade provocada, por exemplo, por medicamentos e, claro, conviver com alto nível de ruído (cães cujos donos pertencem a bandas de rock logo vêm à mente, mas também penso em cães que latem histericamente, sem parar, nas provas de Agility. Para pensar!).

Então você suspeita que o Totó está simplesmente ignorando você ou precisa de mais treinos, mas ele pode na verdade não escutar você. E daí? Simples testes de audição, como derrubar chaves pelas costas do cão podem ajudar a identificar cães totalmente surdos, mas para ter certeza você precisa fazer um teste BAER (Brainstem Auditory Evoked Response ou Resposta auditiva evocada pelo haste que liga a parte inferior do cérebro à coluna vertebral), que pode ser feito na maioria das faculdades de veterinárias, a partir de cinco semanas. Pequenos eletrodos são acoplados à pele do cão, que utiliza um fone de ouvido para ouvir cliques auditivos. Os eletrodos detectam se o cérebro está recebendo os sinais. Cada orelha é testada separadamente então você fica sabendo se seu cão é normal, surdo de um ouvido ou surdo dos dois. Normalmente o cão não precisa ser sedado para ser submetido ao teste.

Quem deve ser testado? A maioria dos mais respeitáveis criadores das raças mais afligidas pela surdez sempre testam matrizes, reprodutores e todos os filhotes. Muitas das raças favoritas para o Agility estão na lista de raças nas quais a surdez é mais comum. Dálmatas lideram com 20% dos exemplares surdos de um ou mesmo dos dois ouvidos. Border Collies, Shelties, Jack Russells, Cocker Spaniels e Australian Cattle Dogs também estão no topo da lista. Setters Ingleses, Dogues Alemães, Huskies Siberianos e Bull Terriers brancos também correm riscos, bem como muitas outras raças e mestiços. Qualquer merle e piebald verdadeiros ou das raças acima e que tenha predominância em branco pode precisar do exame, especialmente se tiver olhos azuis. Antes de entrar em pânico, cães com essas características têm alto RISCO de surdez, mas nem todos são surdos de um dos ouvidos ou de ambos. Conheço Dálmatas de olhos azuis e Shelties merle que ouvem muito bem (a não ser quando são chamados para tomar banho).

Cães com obstruções devido a infecções nos ouvidos ou problemas nas orelhas claramente precisam de atendimento médico, já que alguns casos podem ser totalmente resolvidos com os cuidados apropriados.

O que você faz quando tem certeza de que o Totó não o escuta? A propósito, chorar NÃO ajuda em nada. Se o problema for apenas um ouvido, muitos cães compensam muito bem. Surdez total pode ser um problema, embora alguns lidem bem com isso, outros podem ficar agressivos por serem surpreendidos com freqüência ou terem problemas nos treinos. Donos dedicados podem treinar seus cães surdos com lanternas ou coleiras vibratórias (não é a de choques!). Cães mais velhos que perdem a audição normalmente se adaptam bem, uma vez que você pode simplesmente introduzir sinais manuais. Alguns criadores sacrificam filhotes surdos pois pode ser difícil encontrar lares adequados para eles.

Se você está fazendo Agility com um cão surdo de um ou de ambos os ouvidos, você precisa ser muito claro com seu corpo e sinais manuais. Seu cão conta com sua linguagem corporal para saber o que fazer. Concentração no treinamento é imperativa, já que não poderá chamar o cão de um obstáculo errado ou de uma pessoa ao lado da pista com comida. Por outro lado, o cão não será incomodado por pessoas sem noção que os chamam ou anúncios inesperados no alto-falante.

Tomara que seu cão possa ouvir bem e que você tenha muitas pistas de sucesso apesar da surdez seletiva ocasional - lembrando que meus dois filhos também pareciam surdos quando os mandei para seus quartos ontem à noite!

Para mais informações sobre surdez, visite www.dermapet.com/articles/hearing.html. Há sites incríveis sobre cães surdos e muitos conselhos de como conviver com eles. Antes de se inscrever em provas, confira os regulamentos para ver se cães surdos podem participar.

Deb M. Eldredge é veterinária formada pela Cornell University e desde a época da faculdade está envolvida em prática de pequenos animais, além de treinar e competir com seus próprios cães em praticamente todos os esportes caninos. Deb atualmente reside em New York, onde participa de provas de Agility da USDAA, NADAC, AKC, UKC e CPE, tendo obtido títulos para Pastores Belgas Tervueren, um Labrador, um Kuvasz e um Pembroke Welsh Corgi.

Fonte: Revista Agility Action no. 06 (junho/2004)
Copyright © 2004 Agility Action Magazine
Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução parcial ou total deste texto sem autorização prévia.


© Agiliteiros.com- 2001-2008 . Todos os direitos reservados