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Todos
os nossos cães vivenciam perda de audição
em algum momento da vida. O cão que consegue ouvir
um alfinete caindo no chão do hall de entrada, mesmo
se estiver dormindo em um dos quartos do terceiro andar
pode não ser capaz de ouvir um "fica"
na linha de partida ou "deita" na mesa.
Sem contar esses casos de "surdez seletiva",
alguns cães realmente apresentam problemas de audição.
A audição depende
de vários fatores concomitantes. Os neurônios
que transmitem as mensagens de som ao cérebro devem
estar funcionando direito e a orelha do cão deve
ser capaz de capturar esses sons, só para começar.
O primeiro tipo de perda
de audição se deve à perda de pigmento
(melanina) nas células capilares sensitivas que transformam
sons em transmissões neurológicas (uma leve
simplificação). Sem o pigmento apropriado,
nenhum som é transmitido. Casos de surdez relacionados
a pigmentação são genéticos.
Veterinariamente falando, a maioria é autossômica
recessiva por herança, ou seja, tanto machos como
fêmeas podem ser afetados e ambos os pais contribuem
para o problema. Danos neurológicos também
podem ser resultantes da idade.
Então quem tem o maior
risco tanto de falta de pigmento ou pigmentos não-usuais?
Cães brancos, com genes piebald (branco malhado)
ou merle correm grandes riscos. Se o cão tiver olhos
azuis, o risco aumenta. Mesmo assim, nem todos os cães
brancos, piebald ou merle são surdos, nem mesmo aqueles
com olhos azuis. Ainda é possível que o cão
tenha audição normal em um ouvido mas seja
surdo de outro. O ponto crucial aqui é se o pigmento
reduzido chega a afetar essas células especiais da
parte interna do ouvido.
O segundo tipo de surdez
decorre de problemas de transmissão. Os sons não
chegam aos neurônios por diversos motivos: mudanças
do envelhecimento, infecções na orelha, ototoxicidade
provocada, por exemplo, por medicamentos e, claro, conviver
com alto nível de ruído (cães cujos
donos pertencem a bandas de rock logo vêm à
mente, mas também penso em cães que latem
histericamente, sem parar, nas provas de Agility. Para pensar!).
Então você suspeita
que o Totó está simplesmente ignorando você
ou precisa de mais treinos, mas ele pode na verdade não
escutar você. E daí? Simples testes de audição,
como derrubar chaves pelas costas do cão podem ajudar
a identificar cães totalmente surdos, mas para ter
certeza você precisa fazer um teste BAER (Brainstem
Auditory Evoked Response ou Resposta auditiva evocada pelo
haste que liga a parte inferior do cérebro à
coluna vertebral), que pode ser feito na maioria das faculdades
de veterinárias, a partir de cinco semanas. Pequenos
eletrodos são acoplados à pele do cão,
que utiliza um fone de ouvido para ouvir cliques auditivos.
Os eletrodos detectam se o cérebro está recebendo
os sinais. Cada orelha é testada separadamente então
você fica sabendo se seu cão é normal,
surdo de um ouvido ou surdo dos dois. Normalmente o cão
não precisa ser sedado para ser submetido ao teste.
Quem deve ser testado? A
maioria dos mais respeitáveis criadores das raças
mais afligidas pela surdez sempre testam matrizes, reprodutores
e todos os filhotes. Muitas das raças favoritas para
o Agility estão na lista de raças nas quais
a surdez é mais comum. Dálmatas lideram com
20% dos exemplares surdos de um ou mesmo dos dois ouvidos.
Border Collies, Shelties, Jack Russells, Cocker Spaniels
e Australian Cattle Dogs também estão no topo
da lista. Setters Ingleses, Dogues Alemães, Huskies
Siberianos e Bull Terriers brancos também correm
riscos, bem como muitas outras raças e mestiços.
Qualquer merle e piebald verdadeiros ou das raças
acima e que tenha predominância em branco pode precisar
do exame, especialmente se tiver olhos azuis. Antes de entrar
em pânico, cães com essas características
têm alto RISCO de surdez, mas nem todos são
surdos de um dos ouvidos ou de ambos. Conheço Dálmatas
de olhos azuis e Shelties merle que ouvem muito bem (a não
ser quando são chamados para tomar banho).
Cães com obstruções
devido a infecções nos ouvidos ou problemas
nas orelhas claramente precisam de atendimento médico,
já que alguns casos podem ser totalmente resolvidos
com os cuidados apropriados.
O que você faz quando
tem certeza de que o Totó não o escuta?
A propósito, chorar NÃO ajuda em nada.
Se o problema for apenas um ouvido, muitos cães compensam
muito bem. Surdez total pode ser um problema, embora alguns
lidem bem com isso, outros podem ficar agressivos por serem
surpreendidos com freqüência ou terem problemas
nos treinos. Donos dedicados podem treinar seus cães
surdos com lanternas ou coleiras vibratórias (não
é a de choques!). Cães mais velhos que perdem
a audição normalmente se adaptam bem, uma
vez que você pode simplesmente introduzir sinais manuais.
Alguns criadores sacrificam filhotes surdos pois pode ser
difícil encontrar lares adequados para eles.
Se você está
fazendo Agility com um cão surdo de um ou de ambos
os ouvidos, você precisa ser muito claro com seu corpo
e sinais manuais. Seu cão conta com sua linguagem
corporal para saber o que fazer. Concentração
no treinamento é imperativa, já que não
poderá chamar o cão de um obstáculo
errado ou de uma pessoa ao lado da pista com comida. Por
outro lado, o cão não será incomodado
por pessoas sem noção que os chamam ou anúncios
inesperados no alto-falante.
Tomara que seu cão
possa ouvir bem e que você tenha muitas pistas de
sucesso apesar da surdez seletiva ocasional - lembrando
que meus dois filhos também pareciam surdos quando
os mandei para seus quartos ontem à noite!
Para mais informações
sobre surdez, visite www.dermapet.com/articles/hearing.html.
Há sites incríveis sobre cães surdos
e muitos conselhos de como conviver com eles. Antes de se
inscrever em provas, confira os regulamentos para ver se
cães surdos podem participar.
Deb
M. Eldredge é veterinária formada pela Cornell
University e desde a época da faculdade está
envolvida em prática de pequenos animais, além
de treinar e competir com seus próprios cães
em praticamente todos os esportes caninos. Deb atualmente
reside em New York, onde participa de provas de Agility
da USDAA, NADAC, AKC, UKC e CPE, tendo obtido títulos
para Pastores Belgas Tervueren, um Labrador, um Kuvasz e
um Pembroke Welsh Corgi.
Fonte: Revista
Agility Action no. 06 (junho/2004)
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