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Ao
contrário do que muita gente imagina, os cães
não enxergam preto e branco. Eles, na verdade, têm
dificuldade para distinguir cores e são relativamente
míopes. Ou seja, a visão deles a distância
é imprecisa. Também apresentam dificuldade
para enxergar no escuro. Nessas condições,
reconhecem as pessoas pelo cheiro ou pelo som da voz. Os
felinos, ao contrário, possuem uma camada refletiva
no globo ocular que otimiza a pouca luminosidade, dando-lhes
uma visão bem mais acurada. Também é
impossível avaliar problemas de refração
nos olhos (miopia, hipermetropia e astigmatismo) dos animais.
Tais exames exigem a resposta do paciente e, pelo que se
sabe, só o doutor Doolittle conseguia conversar com
os bichos.
É exatamente pela
dificuldade de comunicação e de percepção
que os problemas de visão nos animais acabam quase
sempre sendo detectados tardiamente. Embora algumas doenças
ocorram de forma gradual, geralmente os animais são
levados ao veterinário quando elas já estão
em fase adiantada.
O principal problema dos
animais idosos é catarata, que se não for
diagnosticada a tempo, pode levar o animal cegueira. O tratamento
é sempre cirúrgico, quando se faz o implante
de uma lente em substituição ao cristalino
danificado. Embora seja relativamente simples, no Brasil
ainda são poucos os veterinários que fazem
essa cirurgia.
Outra doença que aparece
com freqüência em animais de idade é o
glaucoma - o aumento da pressão intra-ocular, ocasionado
por alterações de circulação.
O glaucoma provoca atrofia na retina, e a perda da visão
é bem rápida. Como se trata de uma doença
de difícil visualização externa, quando
o animal é levado ao veterinário, muitas vezes
já está quase cego. O tratamento é
feito por meio de medicamentos para restabelecer a pressão
no globo ocular e evitar a dor, ou cirurgicamente. A não
ser que o glaucoma seja tratado na fase inicial, o que é
muito difícil, o cachorro não volta a enxergar.
Um animal que perdeu totalmente
a visão não deve ser sacrificado ou afastado
do convívio familiar. Desde que viva num ambiente
que conhece bem, onde é capaz de localizar portas
e móveis, consegue reconhecer as pessoas e os lugares
em que está pelo olfato e pela audição,
ele é capaz de se movimentar e ter uma qualidade
de vida razoável.
Quem cuida do animal, deve
sempre observar seus olhos, principalmente depois dos 7
anos, quando os problemas de visão são mais
comuns. Melhor ainda se a família toda ajudar. Assim
fica mais fácil perceber os sinais da perda da visão
e corrigí-los.
Os sinais mais comuns
so os seguintes:
- se o animal bate em objetos
e obstáculos no caminho;
- se a luz incomoda;
- se tem secreções
ou excesso de lágrimas;
- se o olho está vermelho
ou meio fechado;
- se há mancha branca
na pupila (início de catarata);
- se a córnea está
opaca (início de inflamação);
- se tem alguma alteração
do formato do olho;
- se a pupila está
dilatada;
- se os pêlos ao redor
dos olhos estão incomodando.
As inflamações
da córnea independem da idade do cão. Têm
a ver com a predisposição racial. As raças
de focinho chato, que têm os olhos saltados e muitas
pregas de pele, como o pequinês e o sharpei, ou que
têm muitos pêlos sobre os olhos, como o poodle,
são mais predispostas a esses problemas. As pregas
e os pêlos sobre os olhos o tempo todo acaba irritando
a córnea. É preciso ficar atento e retirar
o excesso de pêlos sempre que necessário ou
operar as pregas de pele.
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Osvaldo Pasqualin é médico veterinário
e atende em São Paulo na Av. Conselheiro Rodrigues
Alves, 635, tel.: (0xx11) 571-2072
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