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CÃES MINI NO AGILITY
Por Darlene Arden

Quem diz que os Mini não são cães de verdade nunca viu um desses pequeninos fazendo um percurso de Agility. Isso fica ainda mais evidente quando você vê o menor de todos, que pula 8", voando no percurso. Vejam as histórias de três super case Mini, incluindo o atual campeão de 8" no Campeonato Nacional do American Kennel Club (AKC).

O primeiro é a Affenpinscher, Ch. Boda Twixt 'N Tween of Avatar CD, NAJ, OA, conduzida por Barbara Swisher, de New Jersey. Barbara diz que é o mesmo que conduzir um cão grande, uma vez que a maioria dos obstáculos é ajustada para o tamanho do cão. "As exceções são os obstáculos de contato (rampa A, gangorra e passarela), que mantêm a mesma altura independente da altura do cão. Às vezes me parece injusto, pois os pequenos literalmente lutam para chegar ao alto da rampa A", destaca.

Janell Copas, do Texas, conduz Griffons de Bruxelas. Com duas ou três semanas de aulas na classe iniciante, esses pequeninos já ficam ansiosos na guia, mal podendo esperar para subir a rampa A. "São como crianças que acabaram de descer da montanha-russa e estão pedindo , 'Podemos ir de novo?'", diz Copas. Seu primeiro cão de Agility foi Adam, de 11 anos (atualmente aposentado), o único Griffon de Bruxelas que ganhou o Master Agility Championship do AKC, em 22 de julho de 2001, dono de um CDX e também com demonstrações de Freestyle no currículo. Copas também competiu no Agility com sua campeã de obediência, Dixie, dona de títulos MX e AXJ, que começou sua carreira aos oito anos e se aposentou aos dez. Copas atualmente compete com dois cães - Captain, que já tem o MX, MXJ e está perto de obter um MACH, e Frolic, estreando na classe Novice. Frolic conquistou quarto primeiros lugares em sua primeira prova.

Conduzir um cão Mini tem seus desafios. Swisher tem medo de pisar ou atropelar seu cãozinho. "Há também o problema de não ver onde ela está com o canto do olho, como é possível fazer com cães maiores", acrescenta. "Você simplesmente tem de acreditar que o cão está com você. Algumas ele está - e algumas não".

Aos 70 anos, Swisher já treinou um Pastor Belga mas não o conduziu porque ele era rápido demais. O treinamento é o mesmo, no entanto. Ela começa sempre com as barras dos saltos no chão e nunca ensina o slalom para cães com menos de um ano. "Como o crescimento do cão pequeno termina antes dos maiores, eles podem fazer algumas seqüências mais cedo, mas eu nunca aposto nisso", diz Swisher.

Copas acha que seus Griffons aprendem mais rápido quando jovens. Ela tem dois filhotes que, com 15 semanas, já são capazes de fazer um percurso curto, com dois saltos bem baixos, um pneu montado de forma a tocar o chão e um túnel. "Já consigo conduzi-los tanto pela direita como pela esquerda. Comecei a ensinar princípios de Agility por acidente, quando vi um deles fazendo um salto que estava no quintal. Peguei os dois e comecei a dar comandos, recompensando-os com petiscos. Eles eram tão espertos e dispostos que tudo parecia estar acontecendo muito facilmente".

Copas diz que um de seus Griffons, um pouco maior e mais rápido, era muito mais fácil de ser conduzido que um menor e mais lento. "Com os menores, temos de tomar o cuidado de não ficar muito à frente e longe deles", diz Copas. "É fácil de ser mais rápido que eles. Pode ser que você está tentando motivá-los a serem mais velozes, mas o que acontece é eles irem mais devagar ou perder o interesse se você for rápido demais".

Copas teve de aprender a correr com passos mais curtos e tentar acompanhar o ritmo dos pequenos durante a condução. "Se eu não fizesse isso, eu ficaria muito à frente, teria de diminuir a velocidade e esperar por eles, o que provocaria problemas de tempo no percurso". Durante as aulas, ela conduz cães maiores por diversão e acha diferente. "Acredito que precisaria de treino adicional para me adaptar".

A maior preocupação de Copas com seus cães é a segurança indo e voltando da pista, uma vez que pode haver muitas pessoas e cães na pré-pista, "alguns bem excitados antes e até depois de suas entradas, então prefiro me assegurar de que não haverá um confronto entre os cães em lugares como esses, muitas vezes bem apertados. Por outro lado, nunca tive problemas com acidentes em pista".

Embora os Minis não sejam exatamente frágeis, precisam de algumas adequações. Eles precisam ser cuidadosamente treinados em obstáculos mais baixos antes de se aventurar em altura regulamentar. Uma queda da passarela pode machucar qualquer cão, mas é uma queda maior para um cão menor. Além disso, não seria muito apropriado recompensar um bom desempenho balançando uma corda ou um brinquedo com um cãozinho pendurado na ponta: ele pode se machucar seriamente se balançado assim e seus dentes podem sair do alinhamento. É simples achar um jeito mais seguro de recompensar por trabalho bem feito.

"Um dos aspectos mais relevantes no treinamento desses cães para o Agility é o slalom", diz Swisher. Para ela, muitos deles não aprendem a fazer o slalom como poderiam. "Vejo condutores pisando de um lado para outro e até usando as mãos para encorajar seus cães de um lado para outro nas varas. Aí, o tempo passa e segundos valiosos são perdidos. Acho que isso acontece porque os condutores de cães Mini não têm maiores expectativas para seus cães e não crêem que sejam capazes da excelência no slalom, então não tomam o tempo necessário para ensinar direito. Eu sempre abordei o treinamento com meus Griffons para que sejam tão capazes de fazer as coisas como um Golden Retriever ou um Border Collie fariam, e eles têm provado que realmente podem".

Swisher diz que o Affenpinscher não é dos mais fáceis de ser treinado para o Agility, mas depende de cada cão. "O meu tem só dois anos, pode ser que com a maturidade ele se torne mais confiável. No momento, faz parte do grupo "quando ele é bom, ele é muito bom, mas quando ele não é... Meu Deus!".

Copas nunca treinou outras raças para o Agility, mas tem tido sucesso no treinamento de Griffons de Bruxelas para Agility e Obediência. "No geral, eles são muito espertos e tem uns que se deixam conduzir melhor. Alguns são tímidos e retraídos, e pode ser difícil de superar. Acho que o progresso seja possível se o cão for, pelo menos, louco por petiscos. Também gosto de ver drive orientado a presas, pois se gostam de caçar e atacar um brinquedo, normalmente aprendem a buscar relativamente rápido. Acho que é um sinal de confiança e enquanto o Agility é um grande construtor de confiança, acho que também requer certa confiança de início".

Se você ainda tem dúvidas de que os Minis podem ser atletas de alto nível em embalagem econômica, prepare-se para mudar de idéia... Se tem alguém que sabe como conduzir cães mini no Agility, esse alguém é Robin Kletke, que venceu a divisão 8" no Campeonato Nacional de Agility da AKC com seu Papillon. "Optei por conduzir um cão de 8" porque nós dois éramos capazes", diz Kletke. "E Tigger foi o escolhido por ser pequeno, adorável e poder ficar sossegado no colo de minha esposa". Naquela época, eles conduziam Afghan Hounds na categoria 24" e ouviram falar que Papillons eram bons cães de Agility, mas não adotaram Tigger por ele ser um bom cão de Agility. "Foi só depois de um tempo conduzindo que percebemos o quanto ele era bom para o esporte".

Atualmente, Kletke conduz também um Border Collie com título MACH na categoria 20". "Acho mais fácil conduzir um Border Collie do que um cão de 8" rápido. A dificuldade com Tigger é que ele é quase tão rápido quanto um Border Collie, por ser tão pequeno consegue mudar de direção rapidamente" destaca. E para isso, o condutor tem de estar sempre preparado para chamá-lo de volta para o percurso. "O que também pode ser uma desvantagem, porque ele é pequeno, muito veloz e tem passadas maiores do que seu tamanho pode sugerir".

As dicas de treinamento de Kletke para cães pequenos e velozes incluem:

  • Não pisar neles. "Eles odeiam... Tive de aprender que Tigger realmente não me enxerga acima dos joelhos. Quando estamos trabalhando de perto e ele está indo para um obstáculo, ele não consegue ver meus braços ou ombros muito bem e se baseia muito na posição de minhas pernas e pés".
  • Seja paciente. "As rampas são muito mais difíceis para um cão de 2,5 kg e precisam abordar muito bem o obstáculo para ultrapassá-lo com velocidade. Além disso, não pressuponha que porque eles serem pequenos, não vão queimar a área de contato: Tigger pularia com sobra a parte amarela se lhe fosse permitido", alerta Kletke.

Ele entende porque algumas pessoas não vêem os pequenos como cães de verdade. "Tudo que vemos é uma pequena bola peluda, geralmente em velocidade menor em pista, parece mesmo um brinquedo de pelúcia! Porém, muitos condutores e treinadores reconhecem as qualidades de Tigger e não é raro me dizerem que tenho de reconhecer e conduzir como se fosse um cão grande. Na verdade, Tigger e outros cães Mini rápidos apresentam os mesmos riscos na condução que os cães grandes e como tal precisam ser conduzidos. Por serem cães de verdade, eles podem ter o mesmo drive, empolgação e se divertirem com o Agility tanto quanto qualquer outro cão", diz.

Se ainda assim haja quem pense que cães Mini não são cães de Agility de verdade, então como pode Tigger ser o segundo melhor cão entre todas as raças no ranking 2003 da AKC, que se baseia em pontuação por velocidade? "Acho que os resultados dos pequenos cães velozes fala por si só", comenta.

Kletke ainda está em estado de graça por ter vencido o Campeonato Nacional. "Eu não tinha me tocado do que estava prestes a participar até um pouco antes da prova. Estava assistindo o Animal Planet, quando nas chamadas para a transmissão do Campeonato apareci com Tigger, e aí caí na real. Só que eu fiz uma besteira no primeiro round e teríamos de iniciar o segundo logo, o que fez subir o nível de stress. Vencer dois rounds (challenge e final) seguidos para ganhar o campeonato era difícil, mas deixou tudo ainda mais interessante. Havia ótimas duplas competindo e me senti um sortudo por ser o campeão. Você nunca sabe o que vai acontecer no ano que vem, então vou aproveitar muito agora!"


Darlene Arden é escritora, palestrante e consultora, autora de The Angell Memorial Animal Hospital Book of Wellness and Preventive Care for Dogs, (Contemporary Books), escreveu centenas de artigos e colunas de todas as maiores publicações sobre cães e gatos.
Membro da Dog Writers' Association of America e atual diretora da Cat Writers' Association, ela já ganhou diversos prêmios, como o prêmio Maxwell da Dog Writers Association of America e o Media Award da Massachusetts Society for the Prevention of Cruelty to Animals/American Humane Education Society para artigos sobre veterinária e bem-estar animal.
Arden, uma autoridade internacionalmente reconhecida em cães Toy e seus cuidados, é também a autora de The Irrepressible Toy Dog (Howell Book House). Uma convidada frequente de programas de radio e TV, ela produz e apresenta seu próprio programa na TV a cabo no que ela chama de "tempo livre".

Fonte: Revista Agility Action no. 05/06 (maio/jun 2004)
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